terça-feira, 31 de dezembro de 2019

Viajar sozinha para o Porto.

Guia Brasileira no Porto olhando o mapa da cidade

Vale a pena!


Como já é tradição, o último post do ano do meu blog, vem sempre acompanhado de homenagens e agradecimentos.
Este ano de 2019  foi um ano em que tive a honra de fazer vários passeios guiados com muitas mulheres que viajaram sozinhas para o Porto. Mulheres de várias idades, viajando sozinhas pela primeira vez,  ou não.
Para conhecer o Porto, ou para conhecer ainda mais a cidade e os arredores.
Em viagem à trabalho, turismo ou de passagem para começar o Caminho de Santiago, estas mulheres viveram uma experiência diferente. Foi muito bom estar com elas em algum ou em vários momentos de suas viagens.

Guia Brasileira no Porto com turista brasileira

Guia Brasileira no Porto com Turista Brasileira


Cada uma com a sua história, a fazer a história de suas vidas. São mulheres viajantes.

Mulheres Viajantes - este é o título do livro da autora portuguesa Sónia Serrano

domingo, 15 de dezembro de 2019

As caves Poças. Uma visita diferente.


barris de vinho nas caves Poças

Vinhos, vermoutes e uma história familiar.

Já falei várias vezes aqui no blog  sobre as visitas às caves de vinho do Porto. E defendo a ideia de que vale a pena visitar sempre mais do que uma. 
Cada marca de vinho do Porto tem a sua identidade e transmite isto em suas caves e em seus vinhos.
É um erro dizer que ao visitar uma cave já se viu tudo a respeito.
Já estive em todas as caves que recebem turistas em Vila Nova de Gaia e posso garantir que são todas diferentes. Aprendemos sempre alguma coisa ao visitar cada uma delas.
O vinho que leva o nome da cidade do Porto para o mundo, tem muita história para contar e há sempre algo a aprender sobre ele, e são as caves que vão nos desvendar os segredos e falar sobre a identidade de seus vinhos.
A maioria delas está concentrada nas margens do rio Douro, mas para quem se atreve a desbravar outros caminhos, pode se surpreender.
E é o que aconteceu quando fui visitar as caves Poças que fica numa parte mais afastada da agitação turística na margem do rio, ideal para quem quer ir de carro, já que o estacionamento nas ruas ao redor da Poças é muito facilitado, sem contar com a estação de comboios/trens Devesas, que fica a poucos passos.

A História:

A Poças surgiu há  100 anos quando em 1918, Manoel Domingues Poças Junior, nascido no mundo dos vinhos, decide criar a sua própria marca e com 30 anos de idade, inicia um novo projeto que logo em seguida foi abraçado por toda a família Poças,

sábado, 16 de novembro de 2019

Casa São Roque. Um Centro de Arte.

fachada da Casa São Roque

E um parque lindo!

Quando visitei o Parque de São Roque em 2014, escrevi sobre a beleza daquele espaço verde em plena região urbana da cidade, praticamente ao lado do Estádio do Dragão, e fiquei encantada com a  casa  estilo palaciana que ali se encontrava em grande estado de abandono, mas com pormenores incríveis, marcas de um período de uma arquitetura típica do século XVIII.
Com azulejos únicos, tanto no interior (aquilo que consegui ver, através de janelas e portas entre abertas) como no seu exterior, nomeadamente as belas telhas em faiança, em todo o seu beiral.
Estava diante de uma típica casa da aristocracia portuense, a exemplo de muitas daquela época, e  muitas pertencentes à famílias produtoras de vinho do Porto. E todas elas, lindas!


De 2014 para cá muita coisa no Porto mudou, vários edifícios abandonados ou em estado de degradação estão a ser restaurados e a Casa São Roque, que pertence já há algum tempo à Câmara Municipal do Porto, foi totalmente recuperada e está linda!!

domingo, 3 de novembro de 2019

A Casa do Cinema Manoel de Oliveira

painel interativo sobre cinema

Uma referência ao cinema, em mais um espaço da Fundação de Serralves



A Fundação de Serralves reúne num só espaço, arte, cultura,  arquitetura, natureza e lazer. 
Os enormes jardins são uma das melhores opções para passeios em pleno coração da cidade,   e que reúnem diversas instalações artísticas espalhadas por toda a área verde.
O Museu de Arte Contemporânea, um edifício projetado pelo arquiteto  Álvaro Siza Vieira, abriga o ano todo diversas exposições de arte moderna, assim como a Casa de Serralves.
Vale lembrar, que tudo começa através da construção desta casa que pertenceu a um grande empresário do Norte de Portugal, cujos jardins fazem parte da sua propriedade que depois de anos, passa então a pertencer ao estado português, que transforma todo este "complexo" na Fundação de Serralves.
A garagem desta casa que no início do séc. XX, pertenceu ao Conde de Vizela,  sofre então no séc. XXI uma intervenção  arquitetonica também pelo projeto de Siza Vieira, e nasce então, em meados de 2019 mais uma casa. Desta vez a Casa do Cinema Manoel de Oliveira, que virá ser um local de referência para o cinema moderno na cidade do Porto.

FAchada da Casa do Cinema Manoel de Oliveira

Edifício da Casa do Cinema Manoel de Oliveira


 Manoel de Oliveira 

O grande cineasta portuense que viveu 106 anos, sempre a trabalhar e a produzir, é o grande cicerone desta casa cujo o tema principal é o cinema.
A Exposição Inaugural "Manoel de Oliveira - a Casa",

domingo, 27 de outubro de 2019

O Jogo de Tabuleiro... do Porto.

0Jogo de Tabuleiro do Porto

Para quem adora a cidade do Porto!


Quando fui convidada para o lançamento do novo jogo de tabuleiros da MEBO Games, uma empresa portuguesa especializada em jogos deste género, nunca imaginei que iria encontrar o Porto tão bem representado num jogo de tabuleiro!! 
Fiquei encantada com a riqueza de detalhes! Era apenas um tabuleiro.... mas tudo de mais importante da cidade estava ali.
Eu não era a única que estava surpreendida com aquele visual fantástico sobre a mesa.. Várias pessoas que ali chegavam já iam logo se aproximando do Orlando Sá, o criador do jogo.
Nascido bem próximo da cidade do Porto, em Vila do Conde, é um apaixonado pela cidade onde se formou em arquitetura na Universidade do Porto. Outra das suas paixões são os jogos de tabuleiro, e foi desafiado pela MEBO Games a criar um jogo sobre a cidade que está mais do que na moda e que tem sido o destino que todos querem conhecer nos últimos tempos: o Porto.
Orgulhoso da sua criação, o Orlando Sá pacientemente foi explicando a todos as regras do jogo e o objetivo do mesmo.

pessoas atendendo as regras do Jogo de Tabuleiro do Porto


Porto - o Jogo de Tabuleiro:

É um jogo para toda a família (ideal para maiores de 8 anos) e para o convívio entre amigos. Pode ser jogado entre 2 e 4 participantes e tem a duração média de 50 minutos. O objetivo é

domingo, 13 de outubro de 2019

Visita às caves Calém.


Armazém e barcos rabelos

Vinho do Porto, museu interativo e fado.

Quando estamos na Ribeira às margens do rio Douro e olhamos para a outra margem em Vila Nova de Gaia, ficamos impressionados com a quantidade de antigos armazéns e seus longos telhados, todos muito próximos uns dos outros. São as caves de vinhos do Porto. Cada uma guarda milhões de litros de vinho do Porto que ficam ali adormecendo em barris de carvalho, numa espera silenciosa, até que chega a hora de serem engarrafados e enviados para o mundo.
São nestes armazéns que estão guardados os segredos e a história de um vinho tão antigo e tão especial. Cada um tem a sua história, a sua personalidade. 
Os vinhos Calém, contam a história de um empreendedor aventureiro.
Bem ali próximo do rio Douro e da Ponte Luis I, aquele grande armazém branco chama a atenção e ali está desde 1859, quando António Alves Calém fundou esta que seria uma das caves que mais recebe visitantes no mundo, são mais de 235.000 visitantes/ano.

foto antiga das Caves Calém
imagem do armazém no museu das caves Calém

António Alves Calém, inovou na exportação. Enquanto todos os produtores de vinho do Porto tinham seus olhos voltados para o mercado britânico, ele decidiu levar os seus vinhos para o Brasil e entrou naquele mercado em troca de madeiras exóticas, possibilitando assim, construir as suas próprias embarcações utilizadas para o comércio do vinho do Porto.

domingo, 6 de outubro de 2019

O Mosteiro e a Igreja de São Bento da Vitória.

igreja e órgão ibérico

Uma visita guiada no Porto que vale a pena!


Num dos locais mais típicos da cidade, que atualmente recebe o nome de Nossa Senhora da Vitória, ou simplesmente, Vitória (como os portuenses gostam de a chamar), mas que já foi conhecida como a Judiaria do Porto, no período medieval e quando a cidade era fechada pela Muralha Fernandina, foi o local escolhido pela Congregação Beneditina de Portugal e do Brasil do sec. XVII para o local da fundação do Mosteiro e a Igreja de São Bento da Vitória.
Encontram-se na rua que tem o mesmo nome e que vale muito a pena ser percorrida porque termina num dos miradouros mais fantásticos do Porto. Pode saber mais a respeito no post que escrevi sobre a rua de São Bento da Vitória. Fica bem ao lado do edifício da antiga Cadeia da Relação, onde hoje funciona o Centro Português de Fotografia, outro lugar que você tem que visitar no Porto.

Exemplos de arquitetura grandiosa, o Mosteiro e a Igreja de São Bento da Vitória, trouxeram para o Porto, através da sua Ordem, monges ilustres na área da música e do canto, além de arquitetos, engenheiros e escultores. 
O órgão histórico desta igreja, representa a escola musical que se originou neste espaço monástico.


O Mosteiro: 

Começou a ser construído em 1604 mas sua finalização demorou quase 200 anos. O Claustro Nobre que é um dos locais a ser admirado na visita guiada, foi concluído em 1728. Bem diferente do que podemos ver atualmente,

segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Do Porto para Baião. Na Quinta de Covela.


FAchada da casa da Quinta de Covela

Vinhos verdes,  com história. E as lembranças de Eça de Queiroz.


Em Baião, a aproximadamente 80 kms do Porto,  na transição entre as regiões produtoras do vinhos verdes e dos vinhos do Douro, encontramos  a Quinta de Covela, produtora de vinhos verdes de excelência.
Uma quinta que já pertenceu ao cineasta portuense Manoel de Oliveira, mas hoje está na mão de dois amigos que o destino se encarregou de colocá-los diante de um cenário especial, com vinhas que passaram a produzir os verdes Covela desde 2012.
Dois amigos que se cruzaram no Brasil, que são apaixonados por Portugal e principalmente... por vinhos e que criaram então a Lima Smith e que já estão para além dos vinhos verdes. 
Além de serem os proprietários da Quinta de Covela, Marcelo Lima, empresário brasileiro e Tony Smith, jornalista natural de Manchester, são donos da marca Quinta das Tecedeiras que produz vinhos e azeites do Douro e adquiriram a Quinta da Boavista na região do Douro para produzir vinhos tintos de excelência com o nome da Quinta  emblemática que pertenceu ao Barão de Forrester, um britânico também apaixonado pelo Douro, responsável por fazer a cartografia daquela região em meados do séc. XIX.
Além disso gerem as vinhas da Fundação Eça de Queiroz em Tormes, Baião, onde se encontra a Casa-Museu do escritor e o restaurante de Tormes.

copo de vinho na Quinta de Covela


garrafas de vinho da Quinta de Covela


paisagem das vinhas na região de Tormes em Baião



A Quinta de Covela:

Fui à Quinta de Covela, na companhia das amigas e colegas de trabalho, Luiza Antunes do blog 360meridianos e da Naiara Back do blog Aqueles que Viajam. Tony Smith nos recepcionou com a amabilidade de sempre e contou-nos o percurso desta Quinta que remonta do séc. XVI,

terça-feira, 17 de setembro de 2019

O que comer e beber no Porto e arredores.

mesas de restaurante à margem do rio Douro

Saiba o que você não pode deixar de provar na região do Porto 

Para mim, uma das melhores coisas de uma viagem é comer e beber! A gastronomia diz muito de um lugar. Os pratos típicos contam-nos histórias, costumes e tradições. Através das comidas e das bebidas, vamos conhecendo mais sobre as pessoas e os lugares que visitamos.
Portugal é dos melhores lugares da Europa para se comer bem. E se o turismo no país vem a aumentar ano após anos, podemos ter a certeza que muitos dos turistas são seduzidos pela vasta gastronomia e pelos vinhos portugueses. Cada região, cidade ou aldeia tem as suas especialidades. Sejam elas pratos típicos, bebidas e doces! Quem resiste aos doces portugueses?
Mas é certo, que muitos turistas brasileiros "descobriram" Portugal a pouco tempo como um destino que tem muito para ser explorado e por isso há muita comida e bebida para ser provada e aprovada!
No Porto e arredores não é diferente, o Porto é um destino que para além da história, tradição e cultura, é das cidades portuguesas que comer e beber está na ordem dos dias. 
É comum passearmos pelas ruas e vermos mesas e mais mesas onde as pessoas estão degustando as várias especialidades da cidade e do país.
Por isso, para você que vem ao Porto, aproveite para provar algumas especialidades que são muito típicas desta região.

Comidas com História:

  •  Francesinhas
Dizem que quem vem ao Porto e não come uma Francesinha, é como ir a Roma e não ver o Papa.
É considerado o prato típico nº 1 do Porto. Está relacionado com a história de um português que foi trabalhar na França e comia muito Croque Monsieur por lá. Quando voltou a viver em Portugal, mais especificamente no Porto, decidiu criar um prato parecido mas muiiito mais elaborado, bem à maneira portuguesa, com carnes, salsicha, muito queijo e um molho especial e quase secreto. Pode ser servida com ovo e acompanhada de batata frita. Ou seja, não pense em dietas ao pedir uma francesinha. Mas como Porto é uma cidade para se andar muito, inclusive com subidas e descidas à mistura, dá para comer pelo menos uma Francesinha sem culpa durante a sua estadia na cidade.
O ideal é ser acompanhada por cerveja, fino/chopp ou refrigerantes. 
Existem diversas sugestões de lugares para comer Francesinha, quase todo o portuense tem o seu local de eleição. As minhas preferidas estão no Bufete Fase, Madureira´s, Café Requinte, mas certamente quando  perguntamos para os moradores do Porto e região, cada um vai ter a sua preferida. Só não é muito aconselhável comer nos lugares muitos turísticos.

Francesinha, batata frita e coca-cola
a famosa Francesinha

  • Tripas à Moda do Porto
Este prato está relacionado com uma lenda (que os portuenses não me julguem!). 
Dizem que quando o Infante D. Henrique, depois de construir os barcos que iriam iniciar a saga dos descobridores portugueses, aqui nas margens do rio Douro, o povo do Porto decidiu abastecer os barcos com comida e bebida, dando toda a carne dos animais que havia na cidade, ficando apenas com as tripas, as víceras.
Com isto tiveram que inventar receitas para irem se alimentado e chegaram às famosas Tripas à Moda do Porto que são conhecidas no Brasil como a Dobradinha.

domingo, 1 de setembro de 2019

Do Porto até Gondomar. Pelo Passadiço do Rio Tinto.

Passadiço do Rio Tinto

Um lugar próximo da cidade e da natureza, para caminhar, correr ou pedalar. 

Rio Tinto já foi um rio que atraía pescadores, lavadoras e agricultores que utilizavam os diversos moinhos que ali se encontravam, nos seus 12 kms de extensão. 
Nasce na região de Ermesinde em Valongo e vai desaguar no rio Douro, bem próximo da ponte do Freixo.
Sabe-se que desde o período Neolítico as suas margens atraíam ocupação humana devido ao  solo fertíl, água e a proximidade ao grande rio Douro.
O seu nome está ligado à uma lenda. Diz-se que no xéc. X, em tempos de ocupação árabe na peninsula ibérica, os cristãos conseguiram vencer o exército mouro, evitando assim uma grande invasão na região do Porto.
Tal batalha provocou um grande derramamento de sangue, deixando as águas do rio vermelhas e a partir de então passou a se chamar rio Tinto.
Esta ocupação às suas margens passou a ser a vila de Rio Tinto, em Gondomar. Uma região bastante populacional nos arredores da cidade do Porto e também conhecida por suas oficinas de ourives, artesãos do ouro.
Depois de muitos anos  o rio sofreu a falta de cuidado, ficou bastante poluído e as suas margens não eram nada atrativas. Mas graças ao um grande trabalho de revitalização não só o rio recuperou o seu curso da poluição como ganhou em Julho deste ano, um longo passadiço permitindo assim um excelente passeio que une as margens do rio Douro e do rio Tinto.

Passadiço do Rio Tinto


Eu como amante das caminhadas, não perdi a oportunidade de conhecer este novo local para caminhar e estar perto da natureza em plena cidade.

domingo, 25 de agosto de 2019

Porto Card. Vale a pena comprar?


Cartão de turismo do Porto


Saiba mais sobre o Cartão do Turismo Oficial do Porto:

Assim como a maioria dos principais destinos da Europa, no Porto você também vai encontrar o cartão que oferece uma série de vantagens para os turistas, principalmente no que diz respeito ao acesso às principais atrações turísticas e também ao uso dos transportes públicos. É o Porto Card, que pode ser adquirido nas lojas de Turismo Oficial do Porto ou no site oficial do Turismo do Porto.

É muito comum as pessoas perguntarem se vale a pena comprar este cartão e eu sempre digo que vai depender do que você pretende fazer na cidade. Se gosta de visitar museus, se está com crianças e pretende fazer algumas atividades dedicadas aos pequenos, além de visitar as caves de vinho do Porto, vai ter descontos consideráveis.
Se você vai estar fora do Centro Histórico do Porto, também pode optar pela opção que lhe permite utilizar os transportes públicos da área metropolitana.
Além disso, com o Porto Card é possível ter descontos em restaurantes, bares,estacionamentos, alugueis de bicicletas e algumas lojas.

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A Rota do Românico. Monumentos, marcas e interpretações.


sinalização da Ermida da Nossa Senhora do Vale na Rota do Românico

Desta vez, do Porto para Paredes:

Quando começamos a descobrir os monumentos da Rota do Românico não queremos mais parar.
São igrejas, mosteiros, capelas, ermidas e torres, contruídos pedra sobre pedra. O granito, tão presente na região Norte de Portugal e onde tudo parece-nos contar a história da formação de uma nação, que se fez através da reconquista cristã, e que para isso, era preciso mostrar também  em  forma física, que aquele território era cristão.
Para melhor entender a Rota do Românico, sugiro começar pela visita ao Centro de Interpretação do Românico, em Lousada. Foi justamente isto que fizemos,  eu e a minha amiga Naiara Back do blog Aqueles que viajam, quando começamos o nosso projeto #nósnarotadoromânico.
Ainda estamos desvendando os monumentos do vale do Rio Sousa e já estamos ansiosas em seguir para os vales do Rio Tâmega e do Rio Douro.
Em Lousada nos encantamos com a Igreja de Santa Maria de Meinedo e várias pontes que fazem parte desta Rota. Em Penafiel, foi a vez do Mosteiro de Paço de Sousa
E seguimos então para Paredes a 30 kms do Porto para descobrirmos mais 3 num total de 60 monumentos.

mapa interativo da Rota do Românico
Imagem retirada do site da Rota do Românico que é muito interativo e ajuda-nos imenso a programar a visita aos monumentos 

1. Capela da Senhora da Piedade da Quintã


Uma capela localizada em pleno ambiente rural na freguesia de Quintã e que sofreu profundas alterações, tendo muito pouco da sua versão original, o que na verdade acontece com muitos monumentos da Rota do Românico. É natural, estamos a falar de edificações seculares que ao longo da história sofreram profundas alterações arquitetonicas.

Capela da Rota do Românico

Lateral de uma capela da Rota do Românico

Sinalização de um dos monumentos da Rota do Românico


altar de uma capela da Rota do Românico
O interior foi pintado de branco para proporcionar um ambiente mais claro.

2. Mosteiro de São Pedro de Cetê:

Mais uma vez  estamos diante de um monumento cercado de propriedades agrícolas, o que também nos faz compreender a movimentação das ordens religiosas, no período da reconquista cristã.
Onde hoje podemos conhecer este belíssimo mosteiro, é comprovada a existência de uma basílica dedicada à São Pedro, ainda no início do séc. IX. O Mosteiro de Cetê é posteriormente construído e fundado por D. Gonçalo Oveques, cuja a sepultura encontra-se no interior da igreja.
As suas alterações arquitetonicas colocam-nos diante de um monumento românico dos finais do séc. XIII e início do séc. XIV. Com uma fachada lindíssima, ainda com o antigo mosteiro ao lado e marcas na fachada repleta de simbolismos.

FAchada do Mosteiro de São Pedro de Cetê


FAchada do Mosteiro de São Pedro de Cetê


parede de pedra de uma antiga igreja

Pormenor de uma igreja da Rota do Românico

fachada lateral do Mosteiro de São Pedro de Cetê

O seu interior, mantém a simplicidade daquela época, onde o granito predomina, juntamente com a madeira. Confesso que sou fã deste tipo de igrejas.


interior de uma igreja da Rota do Românico


pormenor do teto de uma igreja da Rota do Românico

um santo no interior de uma igreja na Rota do Românico


Os destaques vão para os túmulos de D. Gonçalo Oveques, fundador do Mosteiro de Cetê e do abade D. Estêvão Anes, que esteve à frente do Mosteiro entre 1278 e 1323. Ambos em trabalho granítico.
Mas o que mais chamou a minha atenção em todo o interior, foi o vestígio de uma pintura na parede da imagem de São Sebastião, provavelmente datada de meados de 1500.
Segundo alguns levantamentos feitos de pinturas desta época, São Sebastião era um dos santos mais populares de Portugal na idade média, muito pela devoção que lhe atribuíam à cura de epidemias.
Sendo evocado inclusive no séc. XIX, como protetor das videiras, no caso da epidemia da filoxera, que afetou as vinhas naquela altura.

vestígio de uma pintura em mural
sou uma profunda admiradora, deste tipo de pintura nas paredes das antigas igrejas

Outro pormenor que desviou a minha atenção, foram os azulejos hispano-mouriscos que revestiam a capela onde se encontra o túmulo de D. Gonçalo Oveques. Foram ali colocados, quando se começaram as introduzir os azulejos em Portugal, no interior das igrejas, entre o final do séc. XV e o início do séc. XVI. Estes ainda com a geometria utilizada nos azulejos árabes no sul da Península Ibérica.

pormenor em azulejo de uma igreja na Rota do Românico

3. Ermida da Nossa Senhora do Vale

Uma ermida é uma capela devocional, localizada normalmente nos limites de uma paróquia e é utilizada pela população circundante para suas vivências de religiosidade.  
Nestes caso, evoca a Nossa Senhora do Vale e mais uma vez, ligada aos interesses agrícolas da população na época da sua fundação. 

capela da Rota do Românico


detalhes em pedra numa capela da Rota do Românico

Mais um vez a simbologia do românico acompanha a construção desta pequena capela, e novamente o que me encantou foram os vestígios de pinturas em mural, também do séc. XVI.

vestígios de uma pintura em mural


As visitas aos monumentos da  Rota do Românico  devem ser sempre agendadas com antecedência de 48 horas. E sempre que puder faça a visita guiada, vai entender muito mais sobre sua história.
Nossa visita guiada a estes três monumentos teve a agradável companhia do José Augusto que inclusive nos traduziu alguns textos em latim que escritos nos ex-votos nas paredes da Ermida da Nossa Senhora do Vale, um deles relacionado inclusive com um possível ataque indígena no Brasil.

explicação sobre um ex-voto numa capela
  

Do Porto para a Rota do Românico... uma maneira diferente de fazer turismo e de entender a história de Portugal.
www.rotadoromanico.com

Se pretende se hospedar na Rota do Românico vai encontrar ótimas hospedagens, desde hotéis nas cidades próximas, até alojamento do estilo turismo rural.

Alugue o seu carro para conhecer a Rota do Românico a partir do Porto:

opções para alugar um carro

domingo, 11 de agosto de 2019

Os passeios mais "turísticos" no Porto, mas que valem a pena.

vista do Porto a partir do helicóptero

E algumas dicas para os fazer.


Quem vem pela primeria vez à cidade do Porto, tem que conhecer alguns locais e fazer alguns passeios que estão em todos os roteiros turísticos. Já fiz uma seleção de alguns lugares ou passeios que você tem que fazer caso não conheça a cidade. Alguns deles são demasiadamente turísticos. Todos querem fazer e por isso em algumas épocas do ano é quase impossível.  Julho e Agosto, os meses de altíssima temporada por aqui dificultam um pouco esta missão. Mas como sei que a maioria dos turistas brasileiros podem programar as suas férias em qualquer altura do ano e é muito comum vê-los por aqui nos outros meses, quando a cidade também tem muitos turistas, mas nada que se compare aos dois meses mais "críticos" do ano. Muitos me perguntam sobre alguns passeios mais "turisticos" e se realmente vale a pena fazer. E eu sempre digo que vale sim! São eles:

1. Cruzeiro das 6 pontes

Eu sempre achava um paseio muito turístico até ter feito pela primeira vez, e ter me encantado. 
Nele, temos uma vista fantástica das cidades do Porto e de Vila Nova de Gaia.
E ver as pontes que unem estas duas cidades, numa outra perpectiva é muito interessante. Neste cruzeiro chegamos muito perto de onde o rio Douro encontra-se com o oceano Atlântico e por isso, navega-lo nos seus últimos metros andes de desembocar no mar é fantástico!
Nos meses de Julho e Agosto, é preciso ter paciência por que as filas são longas, por isso, a minha dica é que você chegue à Ribeira, de onde saem estes passeios, um pouco antes das 10 h, quando partem os primeiros barcos. Certamente você vai ter muito mais facilidade para comprar os bilhetes e o barco não vai estar tão cheio. 
Nos meses mais frios e chuvosos, você pode fazer o passeio na parte do barco que é protegida por vidros. É certo que o passeio perde um pouco o seu encanto, mas viajar no Outono e Inverno na Europa é mesmo assim. Temos que encarar e não perder a boa disposição.

Cruzeiros das seis Pontes no Porto
este passeio relembra os tempos em que o vinho do Porto era transportado nestes barcos, cerca de 130 Kms, desde o vale do Douro até o Porto.


Para quem quer fazer este passeio em exclusivo com os seus amigos e/ou familiares, pode fazê-lo num barco menor, com guia e ainda com provas de vinhos e degustação de petiscos portuguêses. 
Fiz também esta experiência e adorei. Numa barco estilo vintage, com capaciada para no máximo 10 pessoas, este paseio fica inda mais agradável. Principalmente porque temos um guia a nos explicar tudo o que estamos vendo nas margens e a contar histórias muito genuínas sobre o Porto.

Passeio de barco no rio Douro


2. "Hop On Hop Off"  os autocarros/ônibus turísticos do Porto

Este é o tipo de passeio que eu recomendo para quem fica pouquíssimo tempo na cidade, no caso de uma conexão, ou tem algum problema grave de mobilidade. Em aproximadamente 4 horas, é possível fazer um passeio panoramico pela cidade, o suficient para ver que vai precisar rapidamente voltar ao Porto com calma para conhecer tudo com mais tempo.
Mas é sempre uma boa saída para estes dois casos. Possibilita a decida e subida em vários pontos da cidade o que permite a visita em alguma atração turística de muito interesse. Através dos fones de ouvido, é possível saber um pouco mais sobre os lugares que se está passando.
O incoveniente nos meses de muita concetração turística é o trânsito. Infelizmente muitas ruas do Centro Histórico do Porto sofrem com o trânsito excessivo nos meses de alta temporada, e corre-se o risco de ficar muito tempo neste veículo... parado.
Eles saem sempre da Praça da Liberdade, na Avenida dos Aliandos, bem próximo da Estação de São Bento. Mas você pode comprar o bilhete em vários locais da cidade e iniciar o seu passeio, de qualquer paragem que tenha a identificação deste passeio.
Nos mese de mais frio e chuvosos, também oferece a vantagem de ter espaços protegidos do mau tempo.

ônibus de dois andares de turismo

ônibus de dois andares de turismo


3. Bondinho / Eléctrico

Fazer uma viagem nos eléctricos do Porto, os conhecidos bondinhos no Brasil, é uma autentica viagem no tempo. Foram os primeiros transportes públicos da cidade e durante muitos anos várias linhas, serviam toda a população. Atualmente, são apenas 3 as linhas que circulam e são utilizadas essencialmente pelos turistas. Por isso, nos meses que eles estão por cá, as filas são imensas.
Principalmente a linha 1 que vai da Ribeira até a Foz, pela margem do rio Douro.
As crianças adoram, mas é um passeio que agrada também aos adultos.
O preço é mais alto do que os outros transportes públicos, por isso é considerado um passeio bem turístico.  Mas vale a pena pelo menos uma viagem para se sentir no Porto do final do séc. XVIII, início do séc. XX.
A visita ao Museu do Carro Eléctrico também vale a pena, para conhecer a história do início deste transporte no Porto, quando os carros eram puxados a cavalos. Ou seja, as viagens eram bem mais demoradas.

bondinho electrico no Porto


4. Caves do vinho do Porto

Uma visita à uma cave de vinho do Porto é quase que obrigatória. O vinho que leva o nome da cidade para o mundo está armazenado do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia e lá fica envelhecendo em barris de carvalho para depois ser engarrafado.  Engana-se quem pensa por exemplo, que visitou uma cave, visitou todas. Cada uma tem uma história diferente para contar. Cada visita é diferente, e aprendemos muito em cada uma delas. Já visitei quase todas, várias vezes e estou sempre aprendendo algo. As provas também são diferentes e por isso em cada visita vamos aprendendo mais sobre este vinho tão especial. 
Para fugir do excesso de turistas que as visitam e para usufruir da melhor vista da cidade do Porto enquanto degusta os seus vinhos em prova, sugiro várias caves que ficam um pouco mais afastado do rio. Talvez você tenha que andar um pouco mais, mas vai ver que vale a pena. 

5. Tuk Tuk
Chegaram para ficar e são ótimos para conhecer o Porto, já que a cidade é cheia de subidas.
Estes carrinhos inspirados no transporte mais utilizado na Índia, são modernos, eléctricos e muito confortáveis. Também é uma excelente opção para quem tem problemas para se locomover. 
Os tuk tuks, são meus parceiros num dos Passeios Temáticos que faço aqui no Porto, onde os turistas conseguem ter uma visão geral de todo o Centro Histórico do Porto para depois fazermos a outra parte a caminhar por recantos muito especiais.
Também são excelentes para os dias de chuva.

tuk tuk no Porto



6. Passeio de Helicóptero

Não é para todos os gostos e podemos dizer bolsos também,  mas quem se atreve a ver o Porto a partir do helicóptero vai se encantar ainda mais com  a cidade. 
A vista do alto é incrível e temos uma outra pespectiva da cidade. Impossível não se encantar.
Os passeios feitos pela HeliTours podem ser de 10 a 20 minutos para no máximo 3 pessoas.


vista do Porto a partir do helicóptero

passeio de helicóptero no Porto


Portanto, se tiver oportunidade de aproveitar, escolha os passeios que mais lhe atraem. Podem ser conhecidos como paseios mais "turísticos", mas são ótimas sugestões para conhecer o Porto de maneira diferente.
Deixe-se encantar!

Se vem para o Porto e região: