sábado, 22 de abril de 2017

O valor da arquitetura do Porto. Uma visita guiada à Ordem dos Arquitetos (OASRN).

Se eu fosse uma pessoa com um  pouco de jeito para desenhos e estética... eu certamente seria uma arquiteta.
Gosto imenso deste trabalho e valorizo os profissionais desta área.
Sem esta habilidade, foi na comunicação social que dediquei e dedico toda a minha vida profissional. Mas  sempre fui uma grande admiradora dos trabalhos de arquitetura de todo o tipo e de todas as épocas.
No Porto, adoro andar calmamente pelas ruas observando cada pormenor das construções.
Uma cidade que apresenta quase todos os estilos arquitetonicos, merece ser admirada neste sentido.

Nos dias atuais, o trabalho que mais vem me chamando atenção são os de recuperação dos vários edifícios que estavam abandonados, nomeadamente na Baixa do Porto e que pouco a pouco vão sendo recuperados e tornando a cidade ainda mais charmosa.

Por isso, não perdi a oportunidade de fazer uma visita guiada à Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte (OASRN) 


A  sua nova sede na Rua Alvares Cabral, foi inaugurada a pouco mais de um ano.
Esta rua que tem um conjunto de edifícios classificados de Patrimonio de Interesse Público, justamente por apresentarem uma arquitetura muito particular de estilo neoclassico e que refletiam o estilo da época e dos proprietários que ali se instalaram.
É uma rua que surgiu no final do séc. XIX, onde antigamente existia a Quita da Boavista, de Santo Ovídio dos Figueirôas ou dos Pamplonas, e que foi demolida e loteada, dando lugar então à Rua Alvares Cabral que faz a ligação da Rua de Cedofeita com a Praça da República.




A sede da OASRN é um exemplo perfeito das melhores práticas de rebilitação.
Nada como ser um espaço de arqutitetos para arquitetos a mostrar para a cidade, o melhor do que se pode fazer, no sentido de recuperação, como neste caso de dois edifícios, sendo que um deles encontrava-se em estado de total degradação.

As duas casas, adquiridas para a instalação da sede da OASRN eram independentes, mas fundiram-se no projeto que apresentou 3 fases: a construção de uma parte nova que acaba por ligar os dois edifícios antigos, a reabilitação de um dos edifícios e a recontrução do tal edifício que apresentava um avançado estado de degradação.


Os dois edifícios antigos são interligados por uma construção moderna com corredores, escadas e instalações amplas e claras, onde se encontram auditório, e salas de trabalho e reuniões...





A  nova sede da OARSN, faz questão de ser um espaço aberto para a cidade onde qualquer pessoa pode usufruir da cafetaria e da livraria que fazem parte da área comum.

com o surgimento dos automóveis, este era o espaço utilizado pelos antigos proprietários das casas para estacionarem os seus carros.
O vice-presidente daquela instituição, o arquiteto Alexandre Ferreira, é quem nos conduziu nesta visita guiada, explicando sala por sala o trabalho minucioso realizado nos dois edifícios do séc. XIX.
Ele explica-nos com detalhes todas as fases de reabilitação e construção,  o que foi totalmente restaurado e o que por bem, teve que ser substituído...





riqueza de detalhes...




Em plena fase de reabilitação, a antiga proprietária de uma das casas, informa aos arquitetos que tem guardado com ela peças que pertenciam a algumas das salas e faziam parte da parede e que disponibilizava-as para serem novamente utilizadas...

o valor de um trabalho em madeira talhada guardado por muitos anos!

A sala da presidência da OASRN foi uma das que exigiu um trabalho de vários meses para a restauração do trabalho aplicado nas paredes e no teto...



Assim como os azulejos e todos os detalhes das fachadas...



A visita finaliza num espaço fundamental para o perfeito funcionamento daqueles edifícios enquanto espaços de trabalho...



É o que podemos chamar de bastidores, onde encontram-se todas as condutas para a perfeita funcionalidade a todos os níveis. Cabos de internet e telecomunicação, luz, ar condicionado e tudo o que é preciso para uma reabilitação funcionar dentro da lei.
Um trabalho de excelência a ser admirado e servir de exemplo.

A OASRN abre as suas portas para visitas guiadas gratuitas, uma vez por mês, com inscrições prévias, para no máximo de 30 pessoas.
Pode acompanhar as datas das visitas de cada mês aqui:

www.oasrn.org
www.facebook.com/oasrn/

Um trabalho de arquitetura de referência.
É o único patrimonio da Ordem dos Arquitetos no país todo.
Vale a visita!


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Do Porto para... Espinho. E a arte dos Violinos Capela.

Em Espinho, numa localidade chamada Anta, a partir de uma pequena oficina saem para o mundo, violinos feitos desde 1929.
É verdade, há quase 90 anos, são fabricados violinos de primeiríssima qualidade aqui bem ao lado do Porto, a apenas 20 kms.
Tive a honra de conhecer este santuário de violinos no mesmo dia em que o Turismo Criativo foi a palavra de ordem para três amigas e colegas de trabalho apaixonadas por este tipo de turismo. Já havíamos, eu, a Elena do blog Creativelena e a Sara do Oporto & Douro Moments, nos encantado pela arte de fazer a filigrana portuguesa (veja neste post: AQUI) e na segunda parte deste dia, fomos conhecer o fantástico trabalho do sr. António Capela e do seu filho Joaquim António Capela...


Trabalho iniciado pelo sr. Domingos Ferreira Capela (1904-1976), o pai do sr. António que ali naquele mesmo local onde nos encontravamos iniciou a sua própria oficina, onde começou a construir e reparar violinos, violas, violoncelos, arcos e outros instrumentos da mesma família de cordas.
o Sr. Domingos era, marceneiro, e a pedido de um músico italiano, Nicolino Milano, consertou um dos seus violinos  com tamanha perfeição, que o mesmo músico passou a lhe enviar todos os seus violinos para reparações.
Começa então uma trajetória  reconhecida inclusive com premios em concursos internacionais de construtores de violinos.
As homenagens póstumas também surgiram como por exemplo a formação do Quarteto Capela de Lisboa.

O filho, o Sr. António Capela, foi o único que seguiu os brilhantes passos do pai.
Aperfeiçoou os seus conhecimentos na construção de violinos na França e na Itália, e ganhou inúmeros prémios internacionais em várias partes da Europa, como Bélgica, Polónia, Bulgária, República Checa, Alemanha, Rússia, Espanha e Itália.

E portanto foi uma honra acompanhar estas mãos carregadas de sabedoria, para lá e para cá a nos mostrar como se faz um violino...









Prestes a completar 85 anos, o sr. Capela é um exemplo de vitalidade!
Com muitas histórias para contar!


Como alguém que vive a música no seu dia-a-dia, tudo que nos vai contando é rodeado de romantismo. Assim, ele nos explica que o violino tem...alma! E há que trabalhá-la também...



Impossível não se encantar com aquele lugar repleto de objetos que vão sair dali para o mundo e vão estar nas mãos de músicos. Alguns famosos, outros aprendizes. Vão ser tocados e vão levar música de qualidade a muitos ouvidos...




um violino demora 2 meses para ser construído. Daqui saem apenas 6 violinos num ano.
É arte feita à mão


Marcas do tempo!



E por falar em aprendizes, alguém chega para pedir uma reparação...

é a rotina de uma oficina tão especializada

O filho Joaquim, já continua com o mesmo ofício do pai. Desde os 13 anos, nas férias escolares, começou a aprender a construir violinos e aos 15 já concorria em concursos internacionais de violinos, ficando em 8º lugar na Itália, sendo o mais novo de todos os concorrentes. E a exemplo do pai, já correu o mundo  estudando em várias escolas de construtores de violinos, além de  participar e ganhar prémios em vários concursos, inclusive sendo primeiro lugar no Japão em 1989.

pai e filho
A minha curiosidade não tem fim. Quero saber tudo sobre aqueles instrumentos menores e com formatos diferentes. E com a maior boa disposição o sr. Capela vai nos mostrando a pochete, a viola de gamba e a viola do amor...




Antes de nos despedir, o sr. António Capela não poderia deixar de fechar o nosso dia com chave de ouro, ao abrir um cofre, de onde tirou, para nossa emoção, o primeiro violino construído pelo seu pai... lindo!!



E o violino que ele próprio construiu para a sua mulher... com muito amor e com detalhes belíssimos!



Instrumentos para perpetuar a história destas gerações de artistas!
Impossível não se encantar pelo sr. António e os Violinos Capela.

Na sua próxima viagem, experimente fazer turismo criativo. Não vá numa cidade só de passagem. Fique. Entre nos lugares, converse com os os locais, deixe a sua curiosidade falar mais alto. Aprenda a fazer algo típico da região. E tenha a certeza de que levará na suas recordações de viagem, marcas que ficarão muito mais fortes do que apenas uma fotografia em frente a um monumento.

Viagens e experiências que encantam!







quarta-feira, 12 de abril de 2017

A tradição das amêndoas de Páscoa da Arcádia.

Se existe uma tradição deliciosa no Porto e em todo Portugal na Páscoa, é a tradição de se oferecer amêndoas. Eu adoro! Mais do que os ovos de chocolate.

Estas amêndoas cobertas com chocolate ou açúcar me remetem a minha infância, quando ainda em São Paulo, sempre que alguém da família vinha a Portugal, levavam estas delícias. Para mim, naquela altura, Portugal era sinonimo de amêndoas doces.



O mundo dá voltas e a vida também. E aqui estou eu na cidade da mais tradicional fábrica artesanal destas amêndoas. Hoje sou eu, que quando viajo para o Brasil, sempre levo amêndoas para oferecer.
Vou mantendo a tradição da família.

A Arcádia, existe no Porto desde 1933, fabricando chocolates e outros doces artesanais. Mas é na Páscoa, que a Arcádia fica ainda mais deliciosa, quando toneladas de amêndoas são fabricadas.

Mas não só. Estive na semana passada conhecendo todas as delícias de Páscoa da Arcádia...




Conheci as famosas Drageias de Licor Bonjour, docinhos únicos da Arcádia, recheados com uma espécie de licor sem álcool e todo decorado uma a uma artesanalmente. Lindas e deliciosas!
E que este ano estão a ser vendidas numa embalagem especial para oferecer...




Um trabalho delicado que é uma arte!

E por falar em arte, a chefe de pastelaria, Sofia Santos da Cunha, gentilmente fez uma demonstração mostrando como se desenforma um pão-de-ló, outra das maravilhas tradicionais da Páscoa, produzidos na Confeitaria da Arcádia da Av. da Boavista...




E para deixar qualquer amante dos doces portugueses em estado de total alegria, confeccionou folhadinhos de ovos moles e amêndoas!!
 





Eu que adoro ver fazer fiquei encantada ao saber que na loja da Arcádia na Rua do Almada na Baixa, as senhoras que trabalham na pintura artesanal das drageias e das amêndoas estão durante a semana da Páscoa até o dia 14/04 pintando uma a uma, para todos verem.
E claro que fui até lá!

Todos podem entrar para ver. Turistas, locais, jovens, mais idosos.
E foi o que aconteceu enquanto estive lá à conversa com as sras. Ana Maria, Ana Paula, Maria Amélia e Ludovina, que já fazem este trabalho há 14, 16, 47 e 48 anos.
São muitos anos fazendo o que adoram fazer!


um trabalho que é uma arte. tão lindo! Tão rico em detalhes...


Disseram-me que adoram mesmo fazer aquilo. e estavam orgulhosas de poder mostrar para todos...


E ainda convidam os mais curiosos a fazer...



aprendendo como se faz é a melhor maneira de dar o devido valor ao um trabalho tão especial

Aqui umas imagens que fiz destas senhoras tão simpáticas que estão lá até a próxima Sexta-Feira Santa a mostrar como pintam as drageias e amêndoas tão tradicionais da Páscoa...

video


Se está no Porto por estes dias, vale a pena passar por lá para ver este trabalho lindo e delicioso, literalmente!
Mas saiba que sempre vale a pena passar pela Arcádia, durante o ano todo.
É a tradição em chocolates e amêndoas da cidade!

Arcádia
Rua do Almada, 63 - Porto