domingo, 20 de abril de 2014

Pelos caminhos do Festival In Spiritum, a contemplar a cidade do Porto.

Contemplar a cidade do Porto através da música em lugares emblemáticos do Patrimonio Histórico da cidade é o que vai fazer do I Festival Internacional In Spiritum, um festival tão especial.
Quando em Janeiro, os seus idealizadores, Marco Brescia, Rosana Orsini, Raquel Gomes e Alfredo Costa me mostraram no papel o que viria a acontecer no mês de Abril, eu fiquei encantada.
Música com história em lugares com história! Repertórios que vão estar diretamente associados à história de cada lugar onde se farão as apresentações, com artistas de renome internacional, numa viagem no tempo entre o erudito e o contemporâneo!
O projeto saiu do papel e agora o sonho está a poucos dias de se realizar....

Marco Brescia, Rosana Orsini, Alfredo Costa, Raquel Gomes e as datas que acontecerão as apresentações
Como num passeio entre amigas, eu fiz com a Rosana e a Raquel, um percurso pelo Centro Histórico do Porto, nos sítios por onde o In Spiritum vai passar, ou melhor... tocar.


Começamos pela Casa do Infante, um dos edifícios mais antigos da cidade. Por isso, carregado de história e vestígios de outras épocas...



Foi construído para servir de alfândega e armazém das muitas mercadorias que desembarcavam na zona ribeirinha da cidade.
A tradição relaciona o nascimento do Infante D. Henrique neste edifício, que hoje é conhecido como a Casa do Infante, onde funciona um Museu e o Arquivo Histórico da Cidade.

Nestas escadarias do Museu, Manuel Vilas, harpista vindo de Santiago de Compostela abrirá o Festival In Spiritum com o concerto "Uma harpa para o infante"...


23|04|14 - 21:00 - Manuel Vilas, harpa medieval e harpa dupla.



Da Casa do Infante vamos seguir caminho para os outros locais onde a música irá contemplar a cidade...


Subimos as tradicionais ruas de São João e Mercadores e de Sant'Ana para chegarmos à Igreja de São Lourenço, mais conhecida por Igreja dos Grilos...




A Igreja de São Lourenço, de estilo barroco foi construída pelos jesuítas em 1577, que foram expulsos em 1759 pelo Marques do Pombal, passando a pertencer aos Frades Descalços de Santo Agostinho, os frades-grilos e por isso é até hoje conhecida na cidade como Igreja dos Grilos.
É ali que a Rosana nos mostra o belíssimo órgão onde ira acontecer o concerto de 25 de Abril às 18:00...





O órgão bérico da Igreja de S. Lourenço foi provavelmente construído em princípios do século XIX, não sendo o seu construtor identificado. Tem 28 registos partidos, sendo 6 de palheta, concentrados num teclado dividido e pinsantes para anular e activar cheios e trombetas. O instrumento foi objecto de intervenções realizadas em 1860 por António José dos Santos e posteriormente na primeira metade do século XX: Foi restaurado pela oficina e Escola de Organaria do mestre-organeiro Pedro Guimarães em 1998. A particular beleza da afinação dos seus quase 1500 tubos permite, através da registação, uma variedade muito ampla de combinações de sons e relativas cores. |fonte:festival in spiritum|

E é com o concerto "Loas ao eterno" que a organista de Saragoça radicada na Galiza, Marisol Mendive, irá contemplar a cidade do Porto...

foto:ana nieto

a Rosana e a Raquel aproveitam este percurso pelos locais do festival, para acertarem mais alguns detalhes da organização...


e eu aproveito para admirar ainda mais,  a beleza do Patrimonio desta cidade...


Seguimos o nosso caminho pelas escadarias que unem a Igreja dos Grilos à Sé Catedral...



Lá, a Raquel e a Rosana convidam a entrar e conhecer o órgão que ira receber o concerto "Paisagens Celestiais"





O organista português  natural de Paredes, Daniel Ribeiro vai encerrar o festival no dia 27 de Abril as 18:00 horas, dando-nos a oportunidade de contemplarmos esta belíssima construção com origens desde a Idade Média e que ao longo dos anos foi reedificada, recebendo influências arquitetonicas românicas e góticas.
Um programa especial: sentar nos bancos da Sé Catedral e ouvir um concerto contemplativo desenhado especialmente para aquele ambiente...


O nosso próximo destino está muito próximo da Sé Catedral e é uma das igrejas mais belas da cidade e muito pouco conhecida: a Igreja de Santa Clara...


Quase que escondida por este portal, quem passa no Largo 1º de Dezembro não imagina que ali encontra-se um dos melhores exemplares de igreja forrada a ouro do barroco joanino, do séc. XV...


não há um único espaço nesta igreja que não seja trabalhado, é um dos meus locais preferidos para contemplar (pode um ver o post neste blog, sobre a Igreja de Santa Clara: AQUI) 


E é neste belíssimo altar que o Favola d'Argo, o ensemble sediado no Porto, composto por jovens músicos provenientes de Portugal, Espanha e Itália irá apresentar o concerto "Regno di Napoli/Portugallo: duas margens, uma música"...


Um concerto especial, numa igreja tão especial: 26 de Abril - 21:00

A Rosana Orsini e o Marco Brescia, fazem parte da formação do ensemble Favola d'Argo e  fizeram um belíssimo concerto de apresentação do Festival In Ispiritum no Palácio da Bolsa. 
Neste pequeno vídeo, pode ver porque vale a pena ir à Igreja de Santa Clara...


video


Vamos agora em direção à região da Vitória, passando pelas ruelas que tanto encantam quem anda pelo Centro Histórico do Porto...



até chegarmos na Igreja de São Bento da Vitória, um exemplo dos edifícios novos e  grandiosos estabelecidos pelas novas ordens religiosas do fim do séc. XVI. Uma igreja que devido a demora da sua construção, de 1604 até 1690, apresenta diferentes estilos arquitetonicos e variadas obras no seu interior, também de diferentes estilos. Uma pausa para apreciar a beleza do lugar... 




Mais um espaço a contemplar ao som do Clavicórdio Português do séc. XVIII pelas mãos de José Luis González Uriol.
Nascido em Saragoça é reconhecido como autoridade incontornável na interpretação historicamente fundamentada do repertório de tecla ibérica.
"No recolhimento do coro, ao som do clavicórdio..." é este o nome do concerto que este renomado artista vai apresentar no Coro Alto da Igreja de São Bento da Vitória, especial... 



José Luis Gonzalez Uriol - dia 26 de Abril ás 18:00





Nossa última paragem é mesmo ali ao lado, no Mosteiro de São Bento da Vitória...


este Monumento Nacional, construído no séc. XVII numa região conhecida como judiaria, marca a imposição do cristianismo sobre o judaísmo na cidade  e caracteriza-se também pela sua grandiosidade arquitetonica e pela atividade naquela época, dos seus monges sobretudo ao nível da música e do canto.
Nos dias atuais, o Claustro Nobre do Mosteiro de São Bento da Vitória pertence ao Teatro Nacional São João, onde se realizam espetáculos teatrais, concertos e eventos especiais.
Mais um fantástico patrimonio a contemplar no Festival In Spiritum...



Neste Claustro Nobre, vamos ter o privilégio de ouvir ao piano, Mirta Herrera, argentina radicada na Itália e o seu concerto "El Sur: tangos, añoranza, soledad", com músicas de Heitor Villa-Lobos, Astor Piazolla e outros. No dia 24 de Abril -  21:30...

foto:vejaabril

Um festival de contemplação, música e admiração pela cidade do Porto...


E ao fim deste percurso, fica a dica: se está no Porto esta semana, tem motivos especiais para conhecer e contemplar alguns dos lugares mais emblemáticos da cidade:


www.festivalinspiritum.com

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Na Rua dos Caldeireiros... história, tradição e trabalho!

A rua dos Caldeireiros é daquelas ruelas muito típicas do Centro Histórico do Porto que vale a pena conhecer. Vai da Rua de São Bento da Vitória, próximo à Torre dos Clérigos até a rua das Flores...




É uma ruela para caminhar devagar e observar todos aqueles edifícios colados uns aos outros, as suas varandas, as roupas a secar e o novo comércio que começa a surgir.
A Rua dos Caldeireiros é uma rua de muita tradição, história e trabalho.
O seu nome já diz....


A antiga Rua da Ferraria de Cima, que só em 1780 passou a se chamar Rua dos Caldeireiros, recebeu este nome porque era ali que se concentrava uma grande quantidade de oficinas de ferreiros. Onde fundia-se o ferro para as mais diversas artes, dentre eles, fornos a lenha, braseiros e... caldeiras.
Quando eu ando pela Rua dos Caldeireiros fico a imaginar como eram aquelas portas todas abertas com os ferreiros a trabalhar, a bater os ferros, a produzir objetos tão importantes para aquela época...


Passaram-se os anos, os ferreiros não estão mais por lá, muita coisa mudou, mas a  rua vem ganhando uma nova vida e a força do trabalho ainda continua firme na Rua dos Caldeireiros.
No número 226 por exemplo, há três mulheres a trabalhar. Uniram forças e adotaram o moderno conceito "cowork".

 A Susana Santos com seus sabões e cosmética artesanal da ArteSana...





A Luciana Bignardi com os seus vasos cerâmicos personalizados da Cooltive...



E a Cristiana Pinto com as suas ilustrações...



A dividir o mesmo espaço mas cada uma respeitando o seu próprio espaço. Este é o princípio do cowork, onde jovens empresários, criativos e profissionais, resolvem unir forças para conseguirem ter assim a sua oficina de trabalho.
É o que acontece neste atelier da Rua dos Caldeireiros. 
É comum chegar por lá e vê-las muito concentradas nos seus trabalhos...


A Cristiana a dar vida a suas ilustrações, ora para algum objeto, ora para alguma publicação.


Já a Luciana está sempre a dar uma nova roupagem aos seus vasos cerâmicos. Lindos!



Este é especial, tem uma antiga planta da cidade do Porto impressa...




E para além dos vasos, a Luciana está sempre a desenvolver novos projetos, principalmente porque a fotografia também é a sua paixão. E foi com  fotografias de azulejos da cidade do Porto que ela criou estas almofadas...




Já a Susana está sempre a produzir e a criar novos sabões naturais...




O sabão é o seu produto principal, mas há uma vasta gama de produtos de cosmética natural que ela desenvolve graças a muita pesquisa e várias formações. Sempre com o cuidado em manter a qualidade de um produto natural, amigo da pele e do ambiente...





Este foi criado para homenagear a cidade. É de Rosa mosqueta ao vinho do Porto e  vem com um pequeno azulejo... tão típico de cá...


Por isso, cheira muito bem a loja que elas tem à frente do atelier onde expõem as suas criações para venda.
Com uma decoração que propõe o reaproveitamento de vários materiais, o espaço tem cor, cheiro e inspiração...






Para além da loja/atelier, elas tem seus produtos em outros espaços e também estão sempre presentes nos mercados da cidade. Acompanhe aqui:


Um espaço à Moda do Porto: com garra, união e muita vontade de trabalhar. Por isso, vale a pena conhecer! 

Rua dos Caldeireiros, 226 - Porto



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