quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Uma pequena rua com uma grande história. A Rua de São Bento da Vitória.

Localizada na Vitória, uma das zonas mais antigas e típicas da cidade,  esta é uma pequena rua onde no seu início já podemos avistar o fim que nos espera com uma bela surpresa quando lá chegamos.
Esta é a  Rua de São Bento da Vitória...



Na esquina onde começa esta rua já nos deparamos com o contraste tão típico da cidade do Porto. De um lado, a Fonte da Porta do Olival e do outro... arte urbana...


Por aqui passava a Muralha Fernandina e a Porta do Olival, dava acesso a esta zona da cidade.
A Rua de São Bento da Vitória é cheia de histórias. De um lado da rua, o casario típico, onde vivem as gentes da cidade, onde podemos escutar o sotaque à Porto...


mas também falam-se outras línguas para receber os turistas que não param de circular...


Do outro lado da rua estão os monumentos históricos tão importantes quando falamos de outros tempos. Há séculos atrás. 
Quando olhamos para o alto, a estreita rua, parece que faz unir a Porto típico com estes edifícios tão emblemáticos...




O primeiro deles é o que recebe hoje o Centro Português de Fotografia (ver o post sobre este espaço dedicado a exposições e não só: AQUI ). Mas que no século XVIII foi construído para abrigar a Cadeia da Relação, onde esteve preso nesta sela do último piso, o famoso escritor português Camilo Castelo Branco.

veja neste post AQUI, a história da Cadeia e do Tribunal da Relação do Porto
Também deste lado da rua encontramos a Igreja e o Mosteiro de São Bento da Vitória, que hoje é um espaço pertencente ao Teatro Nacional de São João que recebe eventos e apresentações.



Este Mosteiro tem um significado muito importante, estando inclusive relacionado com o nome dado a esta zona da cidade.
Foi aqui que no século XIV o rei D. João I decidiu criar a chamada judiaria. Onde os judeus que fugiam de repressões cristãs por toda a Europa, nomeadamente na Espanha, viviam. Eles andavam livremente pela cidade do Porto, mas eram obrigados a se recolher nesta zona para ficarem ali protegidos.
Mas.. como tudo na história dá a sua volta, no século XV, o rei D. Manuel I ordenou o fim da judiaria, exigindo inclusive que os judeus se convertessem ao cristianismo, caso contrário pagariam com suas vidas.
Alguns se converteram, outros abandonaram o Porto, e outros infelizmente perderam as suas vidas.

E hoje lá está na Rua de São Bento da Vitória uma placa em homenagem a eles...


Foi então mandado construir um grandioso Mosteiro e uma Igreja com o nome de São Bento da Vitória, representando a vitória do cristianismo sobre o judaísmo e dando então o nome de Vitória a esta zona.
Questões religiosas marcam a história, desde que o mundo é mundo.

Mas, andar por esta rua, também é observar tantos pormenores preciosos dos diversos estilos arquitetonicos ao longo de tantos anos...








Como a rua é pequena, sugiro prolongar o passeio.
Após a placa de homenagem aos judeus se entrarmos a direita num pequeno portal, vamos pela Travessa das Taipas encontrar outros detalhes. A força do granito está em todos os lugares da Vitória...







este caminho leva-nos à Rua das Taipas, que merece um post sobre a sua história, mas que por agora, ficamos a observar as suas fantásticas varandas, para logo entrar à esquerda na Rua de São Miguel...



Onde vamos voltar ao nosso destino inicial, a Rua de São Bento da Vitória, com a  Igreja da Vitória às vistas...


Esta pequena Rua de São Miguel também recebeu muitos judeus. Vale lembrar que os judeus ensinaram muito à cidade do Porto, no sentido do comércio e do negócio. Basta observar por estas ruas a arquitetura das casas. Na rua ficavam as oficinas de trabalho e vendas, e nos pisos superiores viviam estes comerciantes e homens de negócios. Mais detalhes a observar...






 Na esquina, encontra-se a Casa da Rua de São Miguel. que está revestida de painéis de azulejos que foram retirados às pressas do Mosteiro de São Bento da Vitória na altura do cerco do Porto em 1832, evitando assim que fossem vandalizados.


Chegamos então na esquina  com a Rua de São Bento da Vitória, onde um Miradouro Particular espera por quem ali passa...



Uma espécie de gran finale, para ficarmos por ali apreciando a belíssima vista sobre a cidade do Porto.
Com a Sé Catedral lá ao alto a observar-nos como se estivesse a nos indicar que lá na Sé também há muita história para descobrir...


Vale a pena ficar ali a admirar os telhados,  a ponte, a Serra do Pilar, o rio e as caves do vinho do Porto..



Uma pequena rua, muitas histórias... um grande passeio.
Se vem ao Porto ou vive na cidade, não deixe de ir à Vitória.
Este é o Porto... que encanta!


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Do Porto para... Trás-os-Montes. Numa colheita de azeitonas.

Trás-os-Montes é terra fria.
É a terra do meu pai.
Fica a nordeste do Porto e é terra de trabalho, de natureza e dos produtos que a terra produz.
É terra de oliveiras, azeitonas e azeites...








Tive a oportunidade de visitar no passado mês de dezembro a Feira dos Azeites Novos em Vila Flor, uma das principais cidades produtoras do azeite transmontano.
O azeite português é um dos alimentos protegidos pela Denominação de Origem Protegida (DOP), definida de acordo com as regras da União Europeia. Trás-os-Montes, Ribatejo, Alentejo, Beiras e Moura, são regiões produtoras de azeite em Portugal.
Nesta feira, já começavam a ser vendidos os azeites, cuja colheita foi de outubro à dezembro.
Esta é mais uma das coisas que me encantam em Portugal e na Europa, tudo tem a sua época. Isto graças as estações do ano bem definidas. E do trabalho incansável das pessoas que se dedicam à terra.

E por isso, digo que tive a honra de acompanhar nesta ocasião em Vila Flor,  a colheita da azeitona já quase no fim do tempo de ser colhida.
Numa manhã de sábado muito fria, lá estava uma família inteira a colher azeitonas...


Enquanto apreciava aquele trabalho nada fácil vim a saber mais um bocado sobre este produto tão português.
Trata-se de uma colheita que a família já vem realizando desde Novembro e que já estava chegando ao fim.
Vão produzir azeite para consumo próprio. Que trabalho bonito.
Todos da família a colher as azeitonas. Os mais velhos, os mais jovens, os homens e as mulheres...





Hoje em dia o trabalho é bastante facilitado com a ajuda de uma máquina que abana a oliveira para que as azeitonas caiam sobre uma rede...


antigamente este trabalho era feito manualmente através de grandes paus que os homens utilizavam para bater nas árvores. Hoje eles usam apenas para finalizar o trabalho. Batendo para fazerem cair as azeitonas que ainda ficaram nos galhos...




tarefa nada fácil...

tentei... mas não conseguir derrubar uma azeitona se quer...

Depois das azeitonas de um grupo de árvores estarem na rede, é necessário puxá-la para o próximo grupo...







Hora de ensacar as azeitonas. Há que se aproveitar tudo...


Cada saca destas produz 1 litro de azeite...


Prontas para irem para o lagar, onde vão se transformar neste produto alimentar tão saudável e tão saboroso que acompanha os melhores pratos portugueses e do mundo...


Mais uma experiência incrível, tão perto do Porto e tão próximo da natureza...


O valor do trabalho nesta região tão produtora e tão linda.
Vale a pena conhecer. 
Trás-os-Montes, a cada altura do ano, um encanto a descobrir. Agora, foram as azeitonas, mas vem aí os fumeiros, as amêndoas, as cerejas e muito mais!
A poucas horas do Porto!