terça-feira, 28 de abril de 2015

Num Palacete de luxo do século passado. Uma viagem no tempo e na arquitetura da época.


Na Rua da Restauração, numa encosta voltada para o rio Douro, encontramos o que é hoje a sede da Comissão de Viticultura da Região dos Vinhos Verdes, no Porto.






Trata-se de um palacete que em meados do século passado foi considerada a casa mais luxuosa do Porto. E que eu fui conhecer através de uma visita guiada pela ACER - Associação Cultural de Estudos Regionais.

Esta casa. pertenceu a  um grande empresário do Porto, o Conde Silva Monteiro um dos conhecidos "brasileiros torna viagem". Esta era a denominação dada aos empreendedores que no século XIX foram para o Brasil, com o espírito de coragem e com a habilidade de comerciantes, fizeram fortuna do outro lado do Atlântico e ao contrário de muitos que por lá ficaram, alguns decidiram voltar para Portugal.
Eram os burgueses "brasileiros" que construíram casas e palacetes com requintes de arquitetura da época e levavam uma vida nobre na cidade.

Silva Monteiro, além de  burguês e grande empresário, foi o responsável por muitas obras de beneficência para a cidade do Porto.
Fundou a linha de ferro que liga o Porto à Famalicão. Ajudou muitas escolas de várias freguesias, auxiliou  a Associação de Bombeiros Voluntários do Porto, foi Presidente da Associação Comercial do Porto e Vice-Presidente da Câmara Municipal do Porto, foi Presidente do Palácio de Cristal, era um homem que valorizava as plantas e a natureza e ainda impulsionou a construção do Porto de Leixões.

Diante de tudo isso foi uma honra conhecer a casa onde este senhor, viveu com a sua família na cidade.
Um Palacete que reúne vários estilos de arquitetura por diversas salas e aposentos.
O grande destaque vai para a coleção de estuques belíssimos por toda a casa. Dos mais bonitos que já vi...

Estuque a imitar carvalho







 Esta casa é um exemplar do grande trabalho artístico executado na arquitetura de interiores.
Pormenores incríveis...




As marcas do tempo estão por toda a parte...



No segundo piso temos acesso a uma verdadeira exposição de arte nas paredes e no tecto...






Ali estão representados em pintura, os lugares onde Silva Monteiro viveu.
O Rio de Janeiro...

Morro do Corcovado

O Porto...

vista a partir dos jardins do Palácio de Cristal

E Lisboa, onde também viveu por um tempo...

Torre de Belém

Figuras humanas representam a abundância, a agricultura a ciência e o comércio...




Pormenores lindos!



Para além deste cenário fantástico dentro desta luxuosa casa, o que se vê no seu exterior é um jardim com uma vista que é um luxo...



Nas encostas do rio Douro, a vista deste jardim é fantástica!




E ainda com todos os detalhes de um jardim romântico...




Palacete Silva Monteiro - um exemplar de uma habitação unifamiliar que valeu muito a pena conhecer para saber mais do estilo de vida da nobreza do século passado, no Porto... que encanta!



sexta-feira, 24 de abril de 2015

Silêncio que se está a cantar o Fado Vadio... no Porto.

Há coisas que são genuínas, típicas e são mesmo de raiz.
Todos ouvimos falar do Flamenco... a dança espanhola mundialmente conhecida.
Há casas de espetáculos de Flamenco por toda a Espanha. Mas em Andaluzia, onde a cultura flamenca é muito forte,  há tabernas escondidas, frequentadas por locais, onde podemos assistir o Flamenco puro. Sem holofotes, sem grandes aparatos. Simplesmente... Flamenco.

Aqui em Portugal acontece a mesma coisa com o Fado. Turistas e mais turistas se encantam com os espetáculos de Fado.
Mas há um fado que chamamos de Fado... Vadio.
Este é o fado genuíno, cantado por amadores, em qualquer restaurante, em qualquer tasca. A qualquer hora.
Os locais são os cantores.

Foi assim, que eu na tarde de ontem... sim, tarde, por volta das 18 h, a andar pelos lados do Teatro Nacional São João, nas ruas típicas do Cativo, Chã e da Porta do Sol, escuto em algum lugar alguém a cantar, era uma voz feminina... com sentimento. Era o Fado Vadio!

Fui a procura e logo encontrei o Xale na porta  que me dava o sinal... ali canta-se o Fado Vadio...



O senhor à porta não disse-me nada, apenas com um gesto entendi a sua expressão: pode entrar, aprecie o nosso fado.



Estava mesmo emocionada. Ali numa tarde de Quinta-Feira, aquelas pessoas, as gentes do Porto, a ouvir com sentimento, com respeito... o fado.
Senti-me verdadeiramente uma local.

Não podia deixar de dividir isto com os seguidores do o Porto encanta, gravei este curto vídeo...



A seguir a mim, uma família de turistas também não resistiu ao som que se fazia ouvir naquela rua...


E lá estava o senhor... a convidá-los sem nada a dizer, apenas com o olhar: entrem... este é o nosso Fado!


O que interessa é sentir o fado. Porque o fado não se canta, acontece.
O fado sente-se, não se compreende, nem se explica...



Ficou a certeza... vou voltar, com tempo, com o meu marido, para bebermos um vinho, comermos umas pataniscas de bacalhau e sentirmos... o fado.

Se vem ao Porto ou vive na cidade não pode perder a oportunidade de um dia viver esta experiência tão pura e tão típica. Isto é Porto. 

|alguns posts, eu escrevo com muita emoção. este é um deles.|

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Do Porto para... os Pastéis de Belém. As delícias que valem a viagem.

É certo que muitos turistas que visitam Portugal, nomeadamente o Porto, ou vão para, ou vieram de Lisboa.
Dá para enumerar muitas coisas para se conhecer na belíssima cidade de Lisboa. Mas há uma que não se pode nunca deixar de comer quando se está na capital: são os Pastéis... de Belém.



Como eu estive por lá há umas duas semanas atrás, no Wordl Food Tourism Summit , no Estoril, é claro que eu fui comer os meus.




Todos os caminhos levam os turistas de Lisboa à Belém, para ver a Torre, visitar o Mosteiro dos Jeronimos e comer os famosos pastéis de Belém.

Em 1834, devido à Revolução Liberal de 1820, todos os conventos e mosteiros foram fechados. Por uma questão de sobrevivência, antigos trabalhadores do Mosteiro dos Jeronimos foram oferecer os tais pastéis para serem vendidos num pequeno comércio próximo do mosteiro, onde funcionava uma refinação de cana-de-açucar. Começou então, um negócio que nunca mais parou...


A fila na porta já faz parte do cenário. Assim como o balcão, cheio de turistas e locais à volta...





Mas não vale a pena ficar por ali na fila. Só se você quiser comprar para levar. Porque a Casa dos Pastéis de Belém é imensa e vale a pena entrar e apreciar as belas salas onde podemos comer sentados, tranquilamente...



Azulejos lindos e pormenores por toda a parte...




Mas a grande atração é ver os pastéis serem fabricados. Muitos... milhares!




A experiência está lá presente... (uma espécie de: garantir a qualidade)


Escolha uma mesa e faça como eu... aprecie!
Porque a receita é única, o segredo está muito bem guardado, e estes pastéis são mesmo fantásticos!




Não é por acaso que esta foi uma das fotos preferidas dos seguidores do Instagram do o Porto encanta.
Ninguém resiste aos Pasteis de Belém...

Uma foto publicada por o Porto encanta | Rita Branco (@oportoencanta) a

É clichê? É.
Mas... algumas coisas, é preciso realmente viajar para comer. E esta é uma delas.

Sugestão da casa: vai muito bem, acompanhado com vinho... do Porto.



Do Porto para... os Pastéis de Belém.
www.pasteisdebelem.pt