quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Do Porto para Santiago. Dias de chuva na Galiza. Por Pontevedra e Caldas de Reis.

Depois dos primeiros dias em terras espanholas e de já irmos nos habituando com a maneira de estar do país vizinho bem aqui ao lado, na Galiza, o Caminho segue em direção à Pontevedra.
Já era o nosso 10º dia caminhando com temperaturas muito agradáveis e com sol, o que possibilitava-nos desfrutar da linda paisagem. Mas... alguém já havia me dito: Na Galiza sempre chove!
E choveu.
De Redondela a Pontevedra, o Caminho revelou-nos mais esta necessidade: parar para colocarmos os impermeáveis. Nas mochilas também!



Dica desta Etapa:

Independente da época do ano, leve sempre um impermeável para vestir e para a mochila também.
Algumas mochilas, já vem com esta proteção contra chuva. É imprescindível.
A qualquer momento pode chover.

E desta vez a paisagem mudou bastante...


mas não menos bonita...


a boa notícia é que já faltava menos do que 100 kms!


Desta vez, foi a minha parceira de viagem, a Elena Peschinger que sentiu as bolhas a aparecerem. Mais uma dica: assim que sentir um princípio de bolha, pare tudo e proteja o local com adesivos próprios para isso:


Esta é uma etapa onde os peregrinos espanhóis apareceram em grande número. Muitos deles começam o Caminho a partir de Tui...




A chuva não tira a determinação a ninguém...


Só nos impossibilita de tirar muitas fotografias para não estragar os equipamentos. Mas quando nos aparecem homenagens tão lindas... temos que guardar estes momentos...


saudades do Porto!



A Beleza da ria de Vigo, também nos conforta!


não foi uma etapa fácil, mas por não estar frio... seguimos todos confiantes.


Mais um belo momento desta etapa. Atravessar a linda ponte sobre o rio Ullo, onde foi travada uma batalha contra as forças francesas em 1809, decisiva para a Guerra da Independência Espanhola...



Mais um pouco de caminho rural até começarmos a entrar na cidade de Pontevedra!
O descanso e uma boa cama quente estão por vir...



A partir daqui, os cruzeiros, começam a nos fazer companhia, avisando-nos que estamos no Caminho de Santiago:


 Após 18 kms a partir de Redondela, chegamos à Pontevedra, que apresenta um Centro Histórico Medieval que merece a visita com calma.


Aqui a Igreja da Virgem Peregrina, que tem a planta em formato de uma vieira...


Depois de tanta chuva e muitas bolhas, o merecido descanso desta etapa foi no fantástico Parador de Pontevedra, um edifício histórico, com espaços belíssimos, quartos confortáveis e muitos peregrnos para um excelente convívio ao jantar...







Veja um post sobre os Paradores de Espanha: AQUI

No dia seguinte, a chuva logo cedo nos esperava do lado de fora...


Um reforçado pequeno almoço/café da manhã, foi o que nos deu coragem para seguir em frente.


Enquanto atravessamos o bonito Centro Histórico de Pontevedra, ainda houve tempo para uma visita à farmácia, para ter a certeza, que as bolhas eram mesmo assim... faziam parte do Caminho.
E fizeram parte do meu.




Uma pausa na chuva para podermos apreciar a belíssima ponte de O Burgo, do séc. XIIsobre o rio Lérez na nossa saída de Pontevedra...



Mais uns metros e novamente a chuva começa a nos acompanhar, alguns lugares tivemos mesmo que parar para nos abrigar, noutras situações, seguimos em frente...




Esta etapa tem mais de 20 Kms e por isso erqmos obrigadas a seguir, até que a um determinado momento, o céu começou a ficar azul novamente...





Até Calas de Reis, o nosso próximo destino, cruzamos algumas vezes com a Estrada Nacional 550, todo cuidado é pouco...


Mas logo voltamos para os caminhos rurais e mais tranquilos...




Arte no Caminho a nos inspirar. Falta muito pouco...


Mai uma etapa dura, com  mais kms, cansaço, bolhas e chuva. Mas chegamos à pequena e charmosa Caldas de Reis que já foi um local onde existiam termas romanas e onde nasceu o rei Afonso VII Castilla y León...



Além do albergue para peregrinos, Caldas de Reis tem várias unidades hoteleiras. Desta vez, a nossa experiência foi alugar um apartamento na rua principal da cidade, por onde passa o Caminho de Santiago. 
No  jantar, num restaurante próximo dali provei uma massa com gulas, uma iguaria do mar, o que para mim, foi uma agradável surpresa.
Infelizmente, o cansaço extremo desta que seria a penúltima etapa, nos fez esquecer das máquinas... acontece.
O cansaço venceu-nos nesta etapa.

E nas duas últimas etapas, a ansiedade por estarmos mesmo a chegar em Santiago, não nos abandonou.

Acompanhe!

#duasBloggersumCaminho

Tudo sobre o Caminho Português de Santiago: AQUI


terça-feira, 23 de agosto de 2016

A história e a arquitetura do Barredo... para melhor entender a Ribeira.

Na semana passada tive o privilégio de acompanhar um Passeio Cultural com o arquiteto da Câmara Municipal do Porto, António Moura que iria falar sobre o Barredo no pós 25 de Abril de 1974. 
Para quem não vive no Porto, vale explicar que o Barredo é a zona interior da Ribeira, ou seja uma área basicamente residencial que fica por trás daquele colorido casario que todos admiramos quando estamos na margem do rio Douro.
O Barredo, é uma das minhas zonas preferidas do Porto. Adoro andar por lá a admirar as casas tão antigas, coloridas, ver os locais , subir e descer as escadas, ouvir vozes dentro das casas, sentir o cheiro das comidas vindo lá de dentro. É um dos lugares onde o Porto é Porto mesmo.
O arquiteto António Moura foi quem esteve a frente do  CRUARB (Comissariado da Reabilitação Urbana da Área da Ribeira-Barredo) -  foi criado em Setembro de 1974 (pós-ditadura) e extinto em 2003.
O seu trabalho foi decisivo para que em 1996, o Porto fosse considerado Património Histórico da Humanidade.
O rio Douro era antes da criação do Porto de Leixões, um grande canal de movimentação de barcos de mercadorias que chegavam ou iam em direção ao mar ou ao Norte de Portugal.
A vida na Ribeira era  agitada, mercantil e era por onde tudo se passava.
Com a chegada do Porto de Leixões em Matosinhos, nos finais do séc. XIX, todo esse movimento foi para lá transferido, inclusive as pessoas que viviam na Ribeira também foram para perto do Porto de Leixões, ou para outras zonas da cidade do Porto. Eram mercadores, comerciantes, pescadores.
A Ribeira ficou... vazia.
Alguns casos de sub locação eram feitos para pessoas que vinham, nomeadamente da região do Minho, a procura de trabalho no Porto e foram viver na Ribeira.
O certo é que com o passar dos anos a Ribeira ficou muito degrada.

A primeira parte deste Passeio Cultural, foi uma verdadeira viagem no tempo, através de fotografias apresentadas pelo arquiteto António Moura, que mostravam uma Ribeira de muito tempo atrás...

grande movimento de barcos antes da chegada do Porto de Leixões



uma das cheias que castigou a região antes da criações das barragens do rio Douro

O estado de degradação foi possível ver nas fotos  do antes e depois da intervenção do CRUARB







aqui algumas ruínas de um fontanário romano foram encontradas...



Do alto da Ponte Luis I era possível ver as demolições do bairro da Lada, que nada tem a ver com a beleza que vemos nos cartões postais de hoje do Porto...




Foi uma reabilitação fundamental para a cidade. Diferente de outros projetos que foram apresentados por outros arquitetos que visavam destruir por completo a zona da Ribeira, descaracterizando tudo o que temos hoje de mais precioso na cidade...



E assim... começa a reconstrução da Ribeira...




Esta foto é bastante curiosa... mostra na ocasião da visita da Rainha Elizabeth da Inglaterra em 1983, um portão que existia, para se adentrar na área da Ribeira...


E começa então a surgir a convicção do consultor do CRUARB, Viana de Lima, que o Porto poderia perfeitamente candidatar-se a Patrimonio Histórico da Humanidade...



A partir daí o passeio é mesmo nas ruas do Barredo, conduzido pelo responsável por todas aquelas modificações...


Entrando em algumas casas para compreender a solução para cada uma delas...



Muitos daqueles edifícios foram totalmente reconstruídos. Casos que muitas vezes, segundo o arquiteto, são nestas obras  que se conhecem as obras





As marcas do tempo estão por lá...

as bases onde se apoiavam os paus que se penduravam os peixes para secar

marcas dos construtores dos muros da Ribeira

e das cheias do rio Douro...




Na reconstrução do bairro da Lada, o arquiteto criou um elevador que facilitaria e muito a vida de quem mora nesta espécie de cascata...


o criador e a sua obra
Vai nos mostrando algumas soluções, como esta espécie de clarabóia moderna bem ali na calçada a beira do túnel da Ribeira que serve para iluminar um dos restaurantes da Ribeira.


E por falar em restaurante, o arquiteto mostra-nos uma obra imensa no alto do túnel que foi construída para ser um restaurante com vista panorâmica...



Mas o restaurante não aconteceu, passou a ser por muito tempo um espaço para jovens artistas estrangeiros trabalharem as suas criações, mas hoje  pertence à Associação Nacional dos Treinadores de Futebol


Mesmo ali ao lado e com umas vistas fantásticas ele nos leva a conhecer  um Centro Social que atende todos que ali vivem...



É hora de descer as Escadas do Barredo e entender as construções que lá estão...


Somos muitos... mais de  20 pessoas, não dá para entrar desta vez... apesar da amabilidade das moradoras...


Muitas casa receberam a cor amarela a lembrar o dourado... do Douro logo ali à beira


A maioria da restaurações das casas começavam de um piso medieval, o primeiro e foram acrescidas outro tipo de arquitetura nos pisos superiores...


Aqui um caso de difícil solução...  ainda está em estudos...


Já a antiga prisão, localizada na Ribeira, recebe hoje apartamentos onde vivem vários locais...




Aqui neste espaço, optou-se em não refazer as construções para deixar a luz entrar no Barredo...


E ali encontra-se uma homenagem ao Padre Américo que muito olhou pelos mais pobres...


Pergunto para o Arquiteto António Moura, sobre os locais da Ribeira... que na minha opinião estão por lá todos os dias. E ele confirma. Dizendo-me que vivem ali 1250 pessoas! Por isso quando os turistas me perguntam onde estão os locais do Porto, eu sempre indico o Barredo.

Seguimos com mais histórias e arquiteturas da Ribeira...




Até chegarmos aos dois edifícios já na outra extremidade  do Muro dos Bacalhoeiros. Um deles foi o primeiro edifício a ter elevador na Ribeira...


É hora de conhecer o edifício restaurado que hoje abriga o Lar de Idosos de São Nicolau...

que por opção de preservar os idosos, achei por bem não fotografar o interior, mas vale dizer que é muito bonito!

Um dos recantos mais charmosos daquela região para nos despedirmos desta verdadeira aula de história e arquitetura do Porto...



Que incrível pdoer conhecer melhor a cidade que tant
Porque o Barredo e a Ribeira... eno me fascina.cantam!