quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Do Porto Para Santiago... a belíssima e penúltima etapa até Padrón

Ao deixar a pequena cidade de Caldas de Reis, depois de recuperar as forças perdidas na etapa anterior, e com o sol a nos acompanhar, o nosso destino era Padrón, onde iríamos dormir a última noite antes de chegar a Santiago de Compostela. As emoções já começavam a aflorar.
Mas para nosssa alegria, esta foi a etapa mais agradável de se fazer. Por entre campos e momentos de muita descontração, com outros peregrinos. Um percurso relativamente fácil de aproximadamente 14 kms.


Logo ao sair de Caldas de Reis os belos campos e bosques nos recebem cheios de beleza...











Hora de fazer novos amigos...


As igrejas estão sempre no Caminho...


A primeira localidade onde paramos para um rápido lanche chama-se Cruceiro e onde o café com o mesmo nome recebe os peregrinos de braços abertos...


Marcas deixadas por peregrinos de todas as partes do mundo...



peregrinos de todos os estilos...


Seguimos a contemplar a beleza desta etapa...







Um momento muito curioso: no meio do Caminho um polícia, a fazer um levantamento de todos os peregrinos que por ali passavam, idade e país de origem. Além disso, carimbava a nossa Credencial do Peregrino. Simpático!




Dica desta Etapa: 

Desfruta todos os momentos, não vai ser difícil e no dia seguinte tudo vai terminar.




 

Mais alguns kms...







Recordações de outros peregrinos...


E logo entramos na cidade de Padrón...


nunca dispense a oportunidade de conversar com um local!


O nosso destino em Padrón, era A Casa Antiga do Monte, uma casa de turismo rural, um pouco mais afastada do Centro. Também há serviço de transfer do Centro até o alojamento, mas nós optamos em ir caminhando já que a etapa não foi tão exigente.
E já sabíamos que iríamos encontrar um fantástico espaço para descansar!






Momentos de reflexão, sobre tudo o que passamos porque já falta tão pouco...


O carinho e a atenção com que a D. Carmen nos recebeu, foi um conforto para as nossas almas, a nos contar a história da casa e a nos servir um jantar muito especial, com  as comidas típicas da Galiza...

veja mais sobre A Casa Antiga do Monte: AQUI
Mais um carimbo ante de chegar a Santiago!



Hora de tentar dormir, porque a ansiedade já começa a tomar conta...

Acompanhe a chegada a Santiago!

#duasBloggersumCaminho

Veja o Caminho Português de Santiago: AQUI

terça-feira, 30 de agosto de 2016

De bicicleta... também se conhece a história do Porto.

As margens do rio Douro e do mar, tem muitas histórias sobre o Porto para nos contar.
No último Sábado, fui ouvir algumas delas, contadas pelo historiador Manuel Sousa, o criador da famosa página Porto Desaparecido.
Numa iniciativa  da Gbliss, uma empresa  de eventos e passeios turísticos em conjunto com a Bai de Bicla - Rent a Bike, a proposta é pedalar em três etapas, do Gramido em Gondomar até o Terminal de Cruzeiros no Porto de Leixões em Matosinhos.
O Sábado estava perfeito para pedalar pelas margens do Douro, nada de muito calor, nada de chuva, apenas boa disposição para ouvir as histórias do Porto...



Manuel de Sousa


O ponto de partida dessa viagem foi a Casa Branca de Gramido, onde em 1847 foi assinado um acordo que pôs fim a um duro período de guerras civis, revoluções e conflitos, que abalaram Portugal no início do séc. XIX...


Começa então o percurso pela margem do rio Douro em Gondomar


Eu particularmente, adoro aquela parte da marginal do rio. Para quem gosta de praticar exercícios físicos ao ar livre, é perfeito, porque tem uma excelente infraestrutura, está longe do movimento dos carros, e próximo da tranquilidade do rio...


logo já avistamos a Ponte do Freixo...


mas primeiro vamos parar na Ribeira do Abade...


um lugar que já foi uma aldeia de pescadores e chegou a ser a segunda maior estação de pesca do Norte de Portugal. 
Com o declínio da atividade pesqueira em Portugal, muitos dos pescadores acabaram indo para o Brasil no início do  século XX e acabaram por se estabelecer no Rio de Janeiro.



É ali que o Manuel de Sousa fala-nos sobre algumas embarcações muito típicas do rio Douro, como o rabelo, o rabão e o valboeiro, este tem o nome ligado à localidade de Valbom, justamente onde estávamos...
embarcações de tábuas sobrepostas, adaptadas para a difícil navegação do Douro, em outros tempos


Seguimos em direção ao Palácio do Freixo, bem próximo da Marina e da Ponte com o mesmo nome...



para saber mais sobre aquela construção belíssima.
Um projeto do italiano Nicolau Nasoni, o mesmo que construiu a torre e a igreja dos Clérigos. Um palácio todo voltado para o rio, que no século XIX foi adquirido por um emigrante que retornou do Brasil e construiu bem ao lado, uma fábrica de sabão...


Do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia, uma séria de Quintas também se instalavam à margem do rio Douro

Seguimos só mais um bocado porque a próxima paragem é logo ali depois da ponte do Freixo, um local onde escavações arqueológicas revelam que já foi habitado desde o tempo Paleolítico e onde dois pequenos riachos desaguam no Douro. Dizem que um deles, o Rio Tinto, recebeu este nome por causa de um derramamento de sangue numa violenta batalha contra os muçulmanos no séc. X.



Muitas já não existem, mas por ali, haviam muitas Quintas de abastadas famílias que ali passavam o Verão nos séculos XVIII e XIX.


Esta belíssima curva do rio, inspirou pintores, como Aurélia de Sousa e escritores, como Camilo Castelo Branco e Júlio Dinis...




Pausa para um pequeno lanche, em frente aos belíssimos fornos da antiga Fábrica de Louças de Massarelos fundada em 1783, deixados ali numa espécie de homenagem a uma das principais fábricas da cidade do Porto...





Ali também o Manuel de Sousa mostra-nos uma placa que assinala o local onde em 1809, tropas anglo-portuguesas, chegaram pelo sul do país e expulsaram as tropas francesas que há um mês e meio haviam ocupado a cidade do Porto...


Local onde podemos observar a elegante ponte ferroviária de São João, inaugurada em 1991, de autoria do Engº Edgard Cardoso e que tem uma curiosidade: os dois pilares que não são cilíndricos, mas levemente truncados, que teriam sido inspirados  numa ocasião em que este engenheiro, descascava uma cenoura... e parecem, mesmo...


a próxima ponte, também ferroviária, a ser apreciada e a sabermos mais sobre ela, é a linda Ponte Maria Pia.
Obra do famoso engenheiro francês Gustave Eiffel, inaugurada em 1877 e desativada em 1991, sendo substituída pela Ponte São João. Na época que foi inaugurada, o seu arco com um vão de 160 metros, era o maior do mundo...


O sol já havia dado as suas caras e o céu azul, tornou o passeio ainda mais bonito.
O próximo destino era entre as pontes D. Infante e Luis I...



na Corticeira...


Aquela subida íngreme de 220 metros e 22 % de inclinação era o caminho das conhecidas "carquejeiras" que dia e noite vinham buscar nos barcos que atracavam nas margem do Douro, as carquejas, utilizadas para acender os fornos das padarias da cidade. Era por ali que elas subiam carregando os seus cestos pesadíssimos. Um época dura para aquelas mulheres...


As próximas histórias são sobre o antigo elevador dos Guindais bem ali ao lado da Ponte Luis I


Foi inaugurado em 1891 e fazia a ligação da parte baixa com a parte alta da cidade. Dois anos após a sua inauguração sofreu um grave acidente por erro humano mas que felizmente não causou vitimas mortais, mas bastou para o susto e os portuense não quiseram que o mesmo fosse reaberto.
Apenas em 2004, no mesmo espaço passou a  funcionar o que é hoje o moderno Funicular dos Guindais.



 o passeio histórico continua pela emblemática ribeira e por ali não faltam histórias...


uma delas é contada em frente ao memorial Alminhas da Ponte, uma escultura em homenagem às 3.000 pessoas que morreram, em 29 de Março de 1809 tentando fugir da invasão das tropas francesas, que à ordem de Naopleão adentraram pelo norte cidade, fazendo com que a população desesperadamente atravessou a ponte de barcas que existia por lá naquela altura, e que não resistiu a peso.
Até hoje são mantidas acesas velas por todos que morreram naquele episódio...



seguimos ao ponto final desta viagem que é o ponto de partida para a segunda etapa deste passeio histórico...




sim... aqui, em frente ao antigo edifício da Alfândega do Porto será o ponto de encontro e de onde novas histórias sobre a cidade do Porto serão contadas pelo historiador Manuel de Sousa, neste novo percurso que irá acontecer no próximo Sábado dia 03/09/16 e que segue pela margem do rio Douro, até o seu encontro com o mar...na Foz.

Quem quiser participar destas próximas etapas, pode se informar: AQUI

A Pedalar pelas Margens do Porto com a Gbliss e a Bai de Bicla

Passeios e histórias que encantam!