segunda-feira, 19 de agosto de 2019

A Rota do Românico. Monumentos, marcas e interpretações.


sinalização da Ermida da Nossa Senhora do Vale na Rota do Românico

Desta vez, do Porto para Paredes:

Quando começamos a descobrir os monumentos da Rota do Românico não queremos mais parar.
São igrejas, mosteiros, capelas, ermidas e torres, contruídos pedra sobre pedra. O granito, tão presente na região Norte de Portugal e onde tudo parece-nos contar a história da formação de uma nação, que se fez através da reconquista cristã, e que para isso, era preciso mostrar também  em  forma física, que aquele território era cristão.
Para melhor entender a Rota do Românico, sugiro começar pela visita ao Centro de Interpretação do Românico, em Lousada. Foi justamente isto que fizemos,  eu e a minha amiga Naiara Back do blog Aqueles que viajam, quando começamos o nosso projeto #nósnarotadoromânico.
Ainda estamos desvendando os monumentos do vale do Rio Sousa e já estamos ansiosas em seguir para os vales do Rio Tâmega e do Rio Douro.
Em Lousada nos encantamos com a Igreja de Santa Maria de Meinedo e várias pontes que fazem parte desta Rota. Em Penafiel, foi a vez do Mosteiro de Paço de Sousa
E seguimos então para Paredes a 30 kms do Porto para descobrirmos mais 3 num total de 60 monumentos.

mapa interativo da Rota do Românico
Imagem retirada do site da Rota do Românico que é muito interativo e ajuda-nos imenso a programar a visita aos monumentos 

1. Capela da Senhora da Piedade da Quintã


Uma capela localizada em pleno ambiente rural na freguesia de Quintã e que sofreu profundas alterações, tendo muito pouco da sua versão original, o que na verdade acontece com muitos monumentos da Rota do Românico. É natural, estamos a falar de edificações seculares que ao longo da história sofreram profundas alterações arquitetonicas.

Capela da Rota do Românico

Lateral de uma capela da Rota do Românico

Sinalização de um dos monumentos da Rota do Românico


altar de uma capela da Rota do Românico
O interior foi pintado de branco para proporcionar um ambiente mais claro.

2. Mosteiro de São Pedro de Cetê:

Mais uma vez  estamos diante de um monumento cercado de propriedades agrícolas, o que também nos faz compreender a movimentação das ordens religiosas, no período da reconquista cristã.
Onde hoje podemos conhecer este belíssimo mosteiro, é comprovada a existência de uma basílica dedicada à São Pedro, ainda no início do séc. IX. O Mosteiro de Cetê é posteriormente construído e fundado por D. Gonçalo Oveques, cuja a sepultura encontra-se no interior da igreja.
As suas alterações arquitetonicas colocam-nos diante de um monumento românico dos finais do séc. XIII e início do séc. XIV. Com uma fachada lindíssima, ainda com o antigo mosteiro ao lado e marcas na fachada repleta de simbolismos.

FAchada do Mosteiro de São Pedro de Cetê


FAchada do Mosteiro de São Pedro de Cetê


parede de pedra de uma antiga igreja

Pormenor de uma igreja da Rota do Românico

fachada lateral do Mosteiro de São Pedro de Cetê

O seu interior, mantém a simplicidade daquela época, onde o granito predomina, juntamente com a madeira. Confesso que sou fã deste tipo de igrejas.


interior de uma igreja da Rota do Românico


pormenor do teto de uma igreja da Rota do Românico

um santo no interior de uma igreja na Rota do Românico


Os destaques vão para os túmulos de D. Gonçalo Oveques, fundador do Mosteiro de Cetê e do abade D. Estêvão Anes, que esteve à frente do Mosteiro entre 1278 e 1323. Ambos em trabalho granítico.
Mas o que mais chamou a minha atenção em todo o interior, foi o vestígio de uma pintura na parede da imagem de São Sebastião, provavelmente datada de meados de 1500.
Segundo alguns levantamentos feitos de pinturas desta época, São Sebastião era um dos santos mais populares de Portugal na idade média, muito pela devoção que lhe atribuíam à cura de epidemias.
Sendo evocado inclusive no séc. XIX, como protetor das videiras, no caso da epidemia da filoxera, que afetou as vinhas naquela altura.

vestígio de uma pintura em mural
sou uma profunda admiradora, deste tipo de pintura nas paredes das antigas igrejas

Outro pormenor que desviou a minha atenção, foram os azulejos hispano-mouriscos que revestiam a capela onde se encontra o túmulo de D. Gonçalo Oveques. Foram ali colocados, quando se começaram as introduzir os azulejos em Portugal, no interior das igrejas, entre o final do séc. XV e o início do séc. XVI. Estes ainda com a geometria utilizada nos azulejos árabes no sul da Península Ibérica.

pormenor em azulejo de uma igreja na Rota do Românico

3. Ermida da Nossa Senhora do Vale

Uma ermida é uma capela devocional, localizada normalmente nos limites de uma paróquia e é utilizada pela população circundante para suas vivências de religiosidade.  
Nestes caso, evoca a Nossa Senhora do Vale e mais uma vez, ligada aos interesses agrícolas da população na época da sua fundação. 

capela da Rota do Românico


detalhes em pedra numa capela da Rota do Românico

Mais um vez a simbologia do românico acompanha a construção desta pequena capela, e novamente o que me encantou foram os vestígios de pinturas em mural, também do séc. XVI.

vestígios de uma pintura em mural


As visitas aos monumentos da  Rota do Românico  devem ser sempre agendadas com antecedência de 48 horas. E sempre que puder faça a visita guiada, vai entender muito mais sobre sua história.
Nossa visita guiada a estes três monumentos teve a agradável companhia do José Augusto que inclusive nos traduziu alguns textos em latim que escritos nos ex-votos nas paredes da Ermida da Nossa Senhora do Vale, um deles relacionado inclusive com um possível ataque indígena no Brasil.

explicação sobre um ex-voto numa capela
  

Do Porto para a Rota do Românico... uma maneira diferente de fazer turismo e de entender a história de Portugal.
www.rotadoromanico.com

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