terça-feira, 24 de novembro de 2020

O Brasil e o Porto.

 muro de pedras com os azulejos: o melhor café é o da brazileira

Lugares e acontecimentos que unem o Porto ao Brasil

A relação entre o Brasil e o Porto vem de longa data. Muitos são os lugares e os acontecimentos que nos remetem à relação da cidade com o Brasil ou com os brasileiros. Nem sempre os turistas e os muitos brasileiros que por cá estão a viver recentemente estão atentos a estes pormenores desta relação tão antiga e tão importante. Eis algumas pessoas e acontecimentos que unem o Porto com o Brasil:

1. Pero Vaz de Caminha

A começar pelo descobrimento do Brasil, sabemos que foi ele quem escreveu a primeira carta ao rei D. Manuel I informando que haviam chegado naquele que seria o maior dos descobrimentos portugueses.
Pois bem, Pero Vaz de Caminha antes de ser recrutado para a armada de Pedro Álvares Cabral, trabalhava na Casa da Moeda do Porto. E quem visita a Casa do Infante, um museu dedicado ao período mercantil do Porto, já que era ali  que se encontrava a Alfândega Régia da cidade, vai conhecer o espaço onde se  produziam moedas de chumbo, bronze e ferro.
Ali também encontra-se o Centro Interpretativo  onde podemos conhecer toda a relação dos descobrimentos portugueses com o Porto, e obviamente o Brasil está ali destacado.
Numa das paredes, a assinatura reproduzida do escrivão Pero Vaz de Caminha chama a atenção dos brasileiros que visitam o Centro Interpretativo da Casa do Infante.

cartaz com assinatura de Pero Vaz de Caminha


2.  O Senhor de Matosinhos

Na cidade vizinha do Porto encontramos uma das mais belas igrejas da região Norte que tem como destaque o seu belíssimo altar de talha dourada e a imagem conhecida como sendo a mais antiga de um Cristo crucificado em tamanho  natural e estima-se que foi esculpida no séc. XIII.
A Igreja do Senhor de Matosinhos foi durante o séc.  XVIII o destino de devoção de muitos portugueses aqui do Norte de Portugal que antes de partir para o Brasil, no período auge da corrida do ouro às Minas Gerais  dirigiam-se  àquele local de culto para fazer os mais diversos pedidos e promessas com relação ao seu futuro naquela longa viagem. Muitas promessas foram cumpridas e o pagamento muitas das vezes era o próprio ouro que era entregue à igreja.
Além disso, existem muitas igrejas construídas nas cidades históricas de Minas Gerais dedicadas ao Senhor de Matosinhos, sendo Congonhas a mais conhecida delas, palco das famosas obras do Aleijadinho que também se inspirou na Igreja do Bom Jesus de Braga.

altar de madeira talhada com a imagem do Senhor de Matosinhos
A imagem do Senhor de Matosinhos venerada por muitos portugueses que partiram para o Brasil

O I Congresso Internacional do Senhor de Matosinhos, que aconteceu em 2019 apresentou em maiores pormenores toda essa relação entre Portugal e Brasil e a devoção da esta imagem do período medieval.

3. Casas de Brasileiros de Torna-Viagem

Um pouco por todo o Norte de Portugal, mas principalmente no Porto, vamos encontrar várias casas que pertenceram aos Brasileiros de Torna-Viagem, uma expressão dada aos portugueses que iam para o Brasil no séc. XVIII, faziam verdadeiras fortunas e ao regressar construíam casas, abriam estabelecimentos comerciais, faziam benfeitorias para a cidade e região. É no Bonfim, uma zona da cidade, que se concentram várias casas desses "brasileiros". São casas palacianas com um estilo arquitetónico que chamava bastante a atenção principalmente naquela época.
No seu interior havia sempre  pinturas que faziam lembrar o país tropical onde teriam vivido.
A casa mais luxuosa desse período é hoje a sede da Comissão de Viticultura da Região do Vinho Verde, mas pertenceu a um destes afortunados vindos do Brasil, o Conde Silva Monteiro. Não fica no Bonfim, mas sim na Rua da Restauração, uma rua que liga o rio Douro à parte alta da cidade.

pintura com paisagem do Rio de Janeiro numa decoração de interior
pormenor na casa do Conde Silva Monteiro que lhe fazia lembrar o Rio de Janeiro

Veja também:


4. D. Pedro, o primeiro Imperador do Brasil


Ao sair do Brasil, quase 10 anos depois de ter declarado a Independência, D. Pedro desembarca em 1832 numa praia em Matosinhos, aqui ao lado do Porto, para

terça-feira, 10 de novembro de 2020

Fundação Serralves. Arte, natureza e cultura em um só lugar.

 

escultura em aço no parque de Serralves

Para ir o ano todo, com o Cartão Amigo Serralves.


Primeira semana de Novembro de 2020. A segunda onda da pandemia Covid-19 na Europa chegou de maneira assustadora, o mundo está de olho na apuração das eleições americanas e por isso o clima de ansiedade estava no ar.
Apanhei meu cartão Amigo  Serralves e fui passar uma tarde num dos lugares mais incríveis da cidade do Porto e fui me conectar com a natureza, com arte e com o silêncio.
Sim, mesmo com outras pessoas a circular por lá, há sempre um espaço para quem quer estar apenas a ouvir os pássaros ou o som do vento a bater nas folhas das árvores.
Desta vez, fui conhecer a nova exposição de fotografias de Manoel de Oliveira, mas não deixei de circular por todos os espaços de Serralves.


cartão amigo de Serralves
Este Cartão Amigo abre portas para visitar todos os espaços e exposições durante o ano todo.
Sem contar os descontos em outras atividades, na livraria e loja Serralves. E acesso a outros museus em outras cidades que pertencem à Direcção Geral do Patrimonio Cultural

  
Independente de possuir  cartão ou não, a Fundação de Serralves merece a visita. E a minha sugestão é que você dedique um dia ou uma tarde para isso.  Por lá vai encontrar

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Os órgão ibéricos do Porto.

tubos frontais de um órgão ibérico e talha dourada

 Instrumentos de música litúrgica e autênticas obras de arte.


É muito comum ao entrarmos nas igrejas portuguesas nos depararmos com o esplendor da talha dourada que reveste os diversos altares desde o séc. XVIII quando o barroco transforma estes locais de cultos em palcos litúrgicos com uma linguagem bastante teatral.
Sobretudo no Porto e no Norte de Portugal sob a influência do arquiteto italiano Nicolau Nasoni, é raro não encontrarmos a arte do barroco ressaltar às nossas vistas.
Mas existe um elemento que sempre chama a minha atenção nestas igrejas. É o órgão ibérico.
Instrumento que como o nome diz foi desenvolvido na Peninsula Ibérica e é de grande complexidade e de uma beleza artística musical e construtiva impressionante.

órgão ibérico da Igreja de São Francisco no Porto


Já havia me encantado por este instrumento tão único e esplendoroso quando fiz em 2015, uma visita guiada ao órgão ibérico da belíssima Igreja de São Francisco, orientada pelo Prof. Isolino Dias.
Anos mais tarde em 2019, voltei ao universo dos órgãos ibéricos através do consultor da Direção Regional de Cultura do Norte, o Nuno Mimoso, que é

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O Porto barroco de Nicolau Nasoni.

 

Igreja e Torre dos Clérigos


Pintor na Toscana, arquiteto no Porto.


Uma das coisas que chama muito a atenção de quem visita o Porto e a região Norte, é a quantidade de igrejas com fachadas e decoração interior no melhor estilo barroco.
Na verdade este é um estilo artístico e arquitetonico que encontramos um pouco por todo lado em Portugal. 
Estilo este que surgiu na Itália  entre o final do séc. XVII e início do séc. XVIII, mas que rapidamente foi se espalhando por vários países de influência católica na Europa.
E foi na Itália, nomeadamente em San Giovanni Valdarno na Toscana, que em 1691 nasceu Nicolau Nasoni. Muito cedo destaca-se pelo talento de desenhador. E em 1722 já estava em Malta onde fez os frescos/afrescos do salão nobre da Cancelleria do Sobrano Ordem de Malta, no albergue da Ordem dos Cavaleiros e na Catedral de São João Batista.
Ganha um grande destaque ao realizar as pinturas do Palácio do Grão Mestre de Malta, e é então que é trazido para o Porto em 1725, através do cabido da Sé da cidade.
Veio para pintar a capela-mor e a sacristia da Catedral e nunca mais saiu do Porto.
O seu estilo trazia uma nova estética, moderna para a época, e representava o teatralismo do barroco com pinturas ilusionistas à maneira italiana.
Ainda hoje, é possível ver alguns vestígios das suas pinturas no altar-mor da Catedral do Porto.

afrescos na parede da Catedral do Porto


Da pintura passa à arquitetura e é contratado pela Sé do Porto para projetar a escada que une o claustro  ao piso superior da Catedral, a galilei lateral do edifício principal, de onde avistamos belíssimos azulejos também no estilo barroco  e o chafariz de São Miguel o Anjo também localizado na lateral da Catedral, em frente à estátua de Vimara Peres.
A partir daí, Nicolau Nasoni não parou de receber solicitações de projetos tanto para incluir o barroco nas principais fachadas das igrejas do Porto e Norte, como construir algumas casas de nobres fidalgos da região. Suas obras são muitas e por isso relacionei algumas ( além da própria Sé que já referi) que valem a pena estar atentos na sua visita ao Porto, ou se mora na cidade e ainda não se apercebeu destas verdadeiras obras de arte da autoria deste  artista do barroco que nasceu pintor na Toscana e morreu arquiteto no Porto:

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

Porto Liberal.

 Logotipo da Rota do Porto Liberal

A cidade que é Invicta e que também gosta de ser Liberal

Todos já ouviram falar que o Porto é a cidade invicta que nunca se deixou vencer. Não há guerra ou qualquer outra adversidade que faça o Porto curvar-se. E é por isso que hoje, quando completam-se 200 anos do início da Revolução Liberal, o Porto tem orgulho de dizer que daqui iniciou-se um novo rumo para a história do Liberalismo político em Portugal.

O Porto assumiu-se sempre como cidade liberal desde quando eram os bispos  que mandavam no burgo, ao contrário do restante do país que vivia sob as ordens do reino, passando pela forte tradição comercial e mercantil, onde a burguesia "falava mais alto" e o seu povo não se curvava às injustiças.

Quando a corte portuguesa transferiu-se  literalmente para o Brasil devido às Invasões Napoleônicas  no início do séc. XIX, ficam em Portugal os ingleses que assumiram desde o início serem os grandes aliados diante de toda a situação.  
Depois da derrota dos franceses, os ingleses passam a se achar "donos" de Portugal, causando

terça-feira, 11 de agosto de 2020

O que fazer na Foz do Douro.

Fonte, jardim e palacete
 

Apesar do mar, a Foz não é só praia!


É certo que a Foz é conhecida pelo encontro do rio Douro com o mar e pelas suas pequenas praias por entre as pedras que se estendem até a vizinha Matosinhos, mas a Foz é muito mais.
No séc. XIX era certamente um dos locais preferidos para os portuenses com mais posses construírem suas casas e palacetes próximos ou em frente ao mar, uma região que só foi incorporada à cidade do Porto nos finais de 1800. Antes so séc. XX, a Foz pertencia à Matosinhos.
A grande maioria dos turistas brasileiros, principalmente os que se programam para ficar pouco tempo no Porto,  deixam de conhecer esta parte da cidade tão charmosa e com muitas coisas para ver.
Até mesmo quem vive no Porto, associa aquela região da cidade com o Verão e as praias, mas tem muito mais do que mar e praia por lá.
Garanto que dá para passar um dia na Foz!

Se pretende dispensar o carro, a ida até lá pode ser nostálgica a partir da região da Ribeira com o eléctrico/bondinho nº1 que sai da frente da igreja de São Francisco e a paragem final é mesmo na Foz. Pode também ir de autocarro/ônibus 500 que sai da Av. dos Aliados. Ou para os mais esportistas vale a pena a caminhada de aproximadamente 6 kms a partir da Ribeira. O percurso é todo acompanhado pelo rio e muitas construções que foram surgindo na cidade a partir do séc. XIX.

Eléctrico que sai do centro do Porto para a Foz
o charmoso eléctrico nº 1 que vai até o Passeio Alegre

1. Jardim do Passeio Alegre

Comece pelas sombras do belíssimo Jardim do Passeio Alegre, um jardim estilo romântico com muitos bancos, ótimos para um descanso antes de explorar a região à pé.

segunda-feira, 27 de julho de 2020

Conheça Barcelos, uma cidade a poucos kms do Porto.


Sala com galos de Barcelos

História, tradição e os encantadores galinhos

Barcelos fica a apenas 50 kms do Porto e é a famosa cidade dos galinhos portugueses. Não conheço quem venha a Portugal e não leve um na mala. Eles estão em toda a parte do país, mas é em Barcelos que eles surgiram e por isso, a cidade é repleta deles. Esculturas imensas nas ruas e praças principais fazem a alegria dos visitantes e torna a cidade alegre e charmosa. Na versão mais tradicional ou com uma roupagem mais contemporânea através do olhar de novos artistas, eles estão por todo o centro de Barcelos.
Mas a cidade tem muito mais!

Praça com Galos de Barcelos

Praça e Galo de Barcelo
A versão feita pela artista contemporânea Joana Vasconcelos


vários galinhos de Barcelos em banca de feira
Estes são os originais que encontramos não só em Barcelos mas em todo Portugal


História e Património:

Fundada em meados dos séc. XII por D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, Barcelos mantém em todo o seu centro histórico um património rico e bem conservado.
A cidade foi protegida por uma muralha medieval por séculos e ainda podemos encontrar alguns dos seus vestígios, um deles é a Torre da Porta Nova que pertence ao posto de turismo da cidade, onde encontramos diversas exposições de artesanato da região e de onde temos uma vista fantástica, 360º de Barcelos, principalmente do belíssimo Jardim das Barrocas.

 
Jardim das Barrocas em Barcelos


Outros destaques do Centro Histórico: 
- a Igreja Matriz, é um edifício do séc. XIV que apresenta uma arquitetura medieval, com alguns apontamentos do período românico e painéis de azulejos em todo o seu interior.
- o Paço dos Condes de Barcelos conhecidos também