segunda-feira, 13 de agosto de 2018

A Casa de Camilo Castelo Branco.

Quem visita a cidade do Porto, vai certamente encontrar marcas do grande escritor português Camilo Castelo Branco, o escritor do famoso romance "Amor de Perdição" em vários locais.
A cela onde esteve preso no edifício da antiga Cadeia da Relação recebe dezenas de visitantes todos os dias.
Em frente à este edifício a sua estátua com a sua amada, a escritora Ana Plácido, simboliza o amor proibido que fez dos dois os mais famosos presos daquela cadeia,  num período em que o adultério era crime, e sendo Ana casada, o seu próprio marido tratou de os denunciar. Conheça mais sobre a Cadeia da Relação onde os dois amantes estiveram presos  neste post do blog: AQUI.

Camilo Castelo Branco passou boa parte da sua vida no Porto. E é aqui que está enterrado, no Cemitério da Lapa.
Apesar de ter nascido em Lisboa, logo cedo veio para o Norte, viver com uma tia em Vila Real. Logo cedo também se casou e veio para o Porto para estudar medicina, um dos cursos que não concluiu. Teologia também foi um dos cursos que frequentou aqui na cidade.

Sua vida no Porto, foi intensa. Sempre polemico e boemio, esteve envolvido em vários casos amoros. Mas foi Ana Plácido o grande amor da sua vida, com quem acabou se casando e tendo 3 filhos. E com quem viveu os últimos dias da sua vida. Na sua casa. A Casa de Camilo em São Miguel de Seide, uma freguesia de Vila Nova de Famalicão a aproximadamente 30 kms do Porto. Uma casa que hoje é um museu que pode e deve ser visitado, porque lá estão as memórias dos seus dias, dos seus livros e das suas últimas emoções...


Na verdade, a casa foi mandada construir em 1830, pelo primeiro marido de Ana Plácido, Pinheiro Alves, com parte da fortuna que conquistou nos negócios que fazia no Brasil.
Depois de sua morte, o filho do casal era o herdeiro da casa. E por isso, passou a pertencer também a Ana Plácido. E a partir de 1863, foram lá viver, Ana, Camilo e os seus filhos.

Depois de várias intervenções, hoje a Casa de Camilo, recria com exatidão o estilo de vida da família.
Com muitos móveis, objetos pessoais, fotografia e recordações. Tudo é tão intenso que temos a sensação que Ana e Camilo ainda lá estão.



Os locais onde ainda escrevia seus poemas, romances e artigos para jornais. Na mesa da direita, já no período em que a cegueira foi lhe avançando, era Ana Plácido quem sentava à sua frente para fazer as anotações... 

Aqui a nora brasileira de Camilo.
Maria Isabel da Costa Macedo que foi casada com Nuno Castelo Branco

Luz Coada por Ferros de Ana Plácido
Camilo Castelo Branco foi o primeiro escritor português a viver financeiramente das suas escritas literárias. Era um escritor imparável, por isso não conseguiu aceitar a cegueira irreversível, e ainda estando o seu médico a sair da casa com Ana Plácido a acompanhá-lo, Camilo suiciou-se ao ouvir que não mais  voltaria a ver e a escrever...

aqui...
A minha visita à Casa de Camilo, foi preenchida pelo encantamento da Sra. Cândida Faria, que nos recebeu com um sorriso lindo no rosto e com a emoção de estar mostrando aquela casa, como seu fosse a sua.
Contou em cada aposento, detalhes da vida de Camilo Castelo Branco e do seu dia-a-dia ali vivido com a sua amada.
Em cada ambiente, D. Cândida declamava um dos poemas de Camilo. Impossível não sair de lá... emocionado! Uma visita mais do que especial.


exposição de vários objetos pessoais

Além da Sra. Cândida Faria, Seide tem orgulho de lá ter acolhido um dos maiores escritores portugueses. Uma localidade tranquila, mas que não deixa de exibir Camilo Castelo Branco na sua praça principal e no Café da praça, que não poderia ter outro nome: Amor de Perdição...



O motivo de eu ter ido à Seide, na Casa de Camilo, foi poder realizar o sonho de um brasileiro, o Sr. Paulo, fã de Camilo Castelo Branco, desde que leu o livro psicografado "Memórias de um suicida". Tive a honra de acompanhar e construir um roteiro onde pudemos seguir os passos do escritor pelo Porto e na casa onde viveu os seus últimos dias.

Foi um orgulho, receber do Sr. Paulo uma carta, após a sua volta ao Brasil onde relatou com emoção a sua alegria por ter realizado o seu desejo, percorrendo os lugares por onde Camilo Castelo Branco passou. Aqui um pouco do escreveu:

"... fui feliz em encontrar o seu blog e participei a você o desejo de conhecer a Casa de Camilo, tendo um dia disponível para esse desiderato.
Um roteiro especial, a programação não poderia ter sido melhor. Tempo suficiente para aprofundar na história a cada item, "ao interesse do cliente" como você se coloca. Pois hoje em dia a modernidade permite a muitos, empreenderem o turismo a divertidos passeios sem muito ater no que está sustentando a beleza.
Tudo me encantou, a Cadeia da Relação onde Camilo esteve preso, a livraria onde expunha seus livros à venda, o hotel onde morou por algum tempo, os cafés e os monumentos emocionantes.
Enfatizo o início da nossa visita: a Casa Museu de Camilo em São Miguel de Seide. Seus móveis, bem conservados, seus pertences pessoais e da família, enriquecido pelas narrativas de D. Cândida Faria, portuguesa com certeza, a zelar com amor pelo patrimonio. Muito simpática e apaixonada pela vida do escritor. Cada peça, uma história, com muito sentimento descrevia, casos tristes e curiosos de Camilo em seus dias de solidão e isolamento pela cegueira; poucos amigos restaram revelados em poesias que ela declamava com muita ternura.
A todos digo: não deixem de passar por lá, com certeza, no seu álbum de recordações terá um brilho especial, despertando uma santa emulação nos amigos, em desejar fazer o mesmo.
Valeu a pena Rita, Obrigado!"
Paulo de Tarso Cardoso

Valeu muito à pena Sr. Paulo! Obrigada por se encantar pelos caminhos de Camilo Castelo Branco, no Porto e em São Miguel de Seide.
E obrigada por me ajudar a escrever este artigo em homenagem à Casa de Camilo em Seide.

Fica a dica. Se vem para o Porto ou Norte de Portugal ou vive por cá, conheça mais sobre este grande escritor português na

Casa de Camilo

Av. de São Miguel, 758
S. Miguel de Seide - Vila Nova de Famalicão
Tl. +351 252 327 186

Visitas Gratuitas
Visitas em gurpo - necessário agendar

Horário:
De Terça à Sexta: das 10 h às 17:30 h
Sábado e Domingo: das 10:30h às 12:30h e das 14:30h às 17:30 h
Fecha às Segundas-Feiras e Feriados.

De comboio/trem à partir do Porto: Linha de Braga até Famalicão (e de taxi até a Casa Museu)

De carro:




Vem para o Porto e região?



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

Passear pelo Bonfim e fazer a sua própria jóia de autor. No Porto é possível.

O Bonfim é uma região do centro do Porto que tem charme, muita história e arquitetura.
Talvez diferente do que vemos no coração do Centro Histórico, mas certamente, com menos confusão de turistas a andar para todos os lados.
É lá que encontramos o Jardim estilo romântico de São Lázaro e a Biblioteca Municipal do Porto, duas das benfeitorias de D. Pedro IV (o D. Pedro I do Brasil), em agradecimento à tudo que a cidade fez para ajudá-lo na Batalha do Cerco do Porto, contra o seu irmão absolutista, D. Miguel.
No Bonfim também encontra-se o lindo edifício da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, o Museu Militar e sua fantástica coleção de soldadinhos de chumbo (ver AQUI).
Mas é no Bonfim que nos perdemos com a beleza da arquitetura das casas, na maioria delas de brasileiros de torna viagem. Veja o que esta expressão siginifica e algumas destas casas do Bonfim: AQUI.

E foi numa dessas casas fantásticas que conheci o designer de jóias, Diogo Dalloz, e onde fiz a minha primeira jóia. Um escapulário de N. Sra. de Fátima...


Diogo Dalloz é um escultor brasileiro apaixonado pela ouriversaria portuguesa, e foi da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Rio de Janeiro que ele partiu para um intercâmbio na Universidade de Lisboa. No ano seguinte fez pós-graduação em Design de Joalharia na ESAD (Escola Superior de Artes e Design) em Matosinhos. Voltou para o Brasil e viu suas jóias conquistarem artistas e produtores de televisão, e serem expostas em várias mostras de design de jóias.
Em 2014 fez mestrado de Design de Jóias também na ESAD. Com tanta proximidade com a cultura das jóias portuguesas, decidiu fixar-se no Porto para aqui continuar dedicando-se às suas criações, que unem o movimento entre a escultura e o design.


O edifício que abriga o seu atelier e o de vários profissionais é um dos palacetes incríveis que encontramos no Bonfim. Repleto de pormenores!




Quem me conhece há tempos, sabe o quanto eu adoro aprender como se faz.
 Quando o Diogo Dalloz convidou-me para aprender a fazer o meu próprio escapulário... adorei!!

Eu e o Diogo Dalloz... por entre os detalhes incríveis do palacete onde está o seu atelier
Bancadas de trabalho e ferramentas são as minhas paixões. São sempre nestes locais que vemos obras de arte a nascer...



os inúmeros moldes em 3D

Arregacei as mangas e mãos à obra...


Diante da peça ainda para polir e montar, e sobre a supervisão do verdadeiro criador, comecei a dar vida à minha criatura...




Um pouco mais de uma hora entre pequenas peças, algumas máquinas, aprendizado e muito troca de experiências com o verdadeiro artista. O suficiente para dar cada vez mais valor ao seu trabalho!




Depois de vários polimentos e acertos na corrente, surge uma peça de autor com a minha participação na finalização...

Delicadeza, arte e inspiração!

Nasce a partir daí uma nova sugestão de turismo criativo no Porto: conhecer a região do Bonfim por entre histórias e palacetes. E num deles, aprender a fazer o seu próprio escapulário de N.Sra. de Fátima. A arte da ourivesaria portuguesa aliada à devoção.


Porque viajar e aprender a fazer... encanta!

Mais informações: oportoencanta@gmail.com

Vem para o Porto e região?








domingo, 29 de julho de 2018

A Rota de Enoturismo do Douro.

A região do Vale do Douro, é sem sombra de dúvida uma das mais bonitas regiões produtoras de vinhos do mundo e tem recebido a cada ano que passa  mais turistas do mundo todo.
Com o  passar dos anos e com este aumento de visitantes, a região vem se adaptando para ter capacidade e qualidade no atendimento a quem chega para descobrir tudo o que o Douro tem para oferecer.
E foi a partir daí que 16 produtores de vinhos uniram-se no sentido de cooperação e parceria para criarem a Rota de Enoturismo do Douro. A primeira rota privada com o objetivo de divulgar as experiências à volta do vinho nas suas respectivas Quintas.


Esta Rota  de Enoturismo no Douro, vem concretizar um projeto idealizado através da necessidade que os produtores vinham sentindo em propor uma oferta organizada num dos territórios mais antigos da produção de vinhos, que é o Vale do Douro.
À semelhança de outras rotas em outras partes do mundo, esta rota deseja fazer com que o visitante perceba que há várias quintas na região a serem  visitadas e por isso mesmo, vale a pena lá se hospedar.


Dentre várias iniciativas que irão surgir à partir da Rota de Enoturismo do Douro, a primeira a ser lançada neste mês de Julho foi um guia de bolso que traz a descrição de cada Quinta, os horários de visitas, os contatos para reservas, os principais acessos, se possuem restaurante e opções de alojamento, ou outra atividade.
Tudo num guia prático cuja primeira versão é em inglês, mas logo virão novas versões em outros idiomas...

Um guia de bolso prático e fácil de utilizar. É uma espécie de cartão de visitas do Douro. Gratuito.

As quintas que se uniram neste projeto são desde as maiores e mais conhecidas até as familiares e novos projetos, todos com o mesmo objetivo: mostrar que o Douro é feito de vinhos, vinhas e de pessoas!
Já conheci a maioria delas e vou continuar as minhas visitas, porque quem me acompanha, sabe que para mim, o Vale do Douro é a paisagem mais linda de Portugal!
Por isso, procure o seu guia da Rota de Enoturismo do Douro nos postos de turismo, nos museus, hotéis, lojas de vinhos, restaurantes selecionados do Porto e da região Norte, nas próprias quintas do Douro, no Instituto do Vinho do Douro e do Porto e vá se encantar com tudo o que o Douro tem para lhe oferecer!


esta rota é composta pelas seguintes quintas: Quinta do Vallado, Quinta do Castro, Quinta dos Murças, Quinta da Marka, Quinta Nova N.S. Carmo, Quinta de la Rosa, Quinta do Bonfim, Quinta da Roêda, Quinta das Carvalhas, Quinta do Seixo, Quinta do Panascal, Quinta do Popâ, Quinta do Tedo, Quinta Maria Izabel, Quinta da Casa Amarela e Quinta de Tourais

Porque o Porto encanta... e o Douro também!

Hospede-se no Douro:








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quinta-feira, 26 de julho de 2018

Porto Liberal. Um Rota direta ao coração... de D. Pedro.

No início do séc.  XIX o Porto foi palco de um dos acontecimentos mais importantes da história de Portugal.
Foi quando D. Pedro IV, o I Imperador do Brasil, desembarcou de volta às terras portuguesas em 09/07/1832 e adentrou pela cidade do Porto, para travar contra o seu próprio irmão, a Batalha do Cerco do Porto, que durou 13 meses.
Num confronto entre Liberais liderados por D. Pedro IV e absolutistas liderados por D. Miguel, a cidade do Porto sofreu marcas profundas que perduram até hoje na arquitetura da cidade, nas artes, na cultura e na identidade da cidade. Conhecida por Invicta, a cidade que nunca se deixou vencer.

D. Pedro IV (I do Brasil) está no coração da cidade, da mesma maneira que deixou o seu coração na cidade...

Estátua da Liberdade na Praça da Liberdade junto da Av. dos Aliados
Já se passaram 220 anos do nascimento de D. Pedro IV e a cidade do Porto faz uma homenagem à esta história tão importante para o Porto e para Portugal, através da Irmandade da Lapa, da Câmara Municipal do Porto, da Santa Casa da Misericórdia e outras instituições, foram criados  roteiros  históricos e culturais que  possibilitam percorrer esses lugares, ruas e monumentos que foram tão importante no cenário da Batalha do Cerco do Porto.

Através do site é possível identificar facilmente estes locais: www.rotaportoliberal.pt



No inicio de Julho acompanhei uma destas rotas inicias do Porto Liberal, a partir da Igreja da Lapa onde encontra-se o mausoléu onde está guardada a urna com o coração de D. Pedro, passando pelo Quartel de Santo Ovídeo que abrigou tropas liberais durante o cerco do Porto.


mausoleu no altar da Igreja da Lapa, onde está guardado o coraçao de D. Pedo


Igreja da Lapa e o Quartel de Santo Ovídeo bem à frente


Uma iniciativa para compreender melhor os espaços da cidade que foram importantes nesta guerra entre os dois irmãos príncipes. E de todo o valor emocional entre a cidade e D. Pedro IV.





A entrega do coração de D. Pedro IV à cidade, é a máxima representação do total agradecimento que ele tinha pela cidade que o acolheu e o defendeu, através da sua identidade forte, guerreira, rebelde e independente, exatamente como um Liberal.
E por isso, vale a pena acompanhar, ao longo dos próximos meses as atividade da Rota do Porto Liberal. Uma maneira da cidade retribuir à D. Pedro este gesto tão fiel:

-  24 de Setembro de 2018: celebração das Exéquias em Memória de D. Pedro IV

- 12 de Outubro de 2018: Um Concerto Comemorativo e um Colóquio

Acompanhe a programação através do Facebook e Instagram: @rotaportoliberal


Vem para o Porto e região?