terça-feira, 7 de maio de 2019

A tradição que permanece na fábrica das Conservas Pinhais.

Durante anos, Portugal foi sem sombra de dúvidas um dos grandes mercados produtores de conservas. Só em Matosinhos, aqui ao lado do Porto, no início do século XX, mais de 50 fábricas produziam milhares de latas de sardinhas para vários países.
Atingidas por uma concorrência marroquina, a maioria destas fábricas se viram obrigadas a encerrar suas portas dando espaço a uma malha urbana na orla de Matosinhos, mudando por completo o cenário daquela cidade. 
Das duas fábricas que ali ainda resistiram, a Conservas Pinhais não só resistiu mas persistiu em mantém o seu processo de fabrico quase que totalmente artesanal. Eu digo quase, porque no longo caminho que começa com a  chegada dos peixes frescos, vindos da lota de Matosinhos ou de outras cidades costeiras até a embalagem, tudo é feito à mão, com excessão das duas máquinas que irão fechar hermeticamente as latas.
Entrar na Conservas Pinhais é quase uma viagem no tempo. Tudo está ali desde a sua fundação em 1920. E foi assim que eu me encantei por este cenário "vintage".






Embarquei nesta visita com todos os cuidados que uma fábrica de alimentos exige
O mármore das bancadas que recebem os peixes assim que chegam à fábrica mantém-se depois de quase 100 anos!



A exigência da Conservas Pinhais, é manter a qualidade desde o primeiro dia de trabalho em 1920 e por isso, o processo não mudou em quase nada. No dia desta minha visita, pude acompanhar a preparação das latas de conserva de cavalas. A começar pelo método da cozedura que permite o máximo da separação da gordura. 

fora da época da pesca das sardinhas, a concentração do trabalho é à volta da cavala

A partir daí as mãos daquelas senhoras encantadoras que ali trabalham entram em ação. São elas que vão sentir se os peixes estarão efetivamente nas condições ideais para irem para as latas.

tudo já com  devido tempero



Quem acompanha este blog a mais tempo, sabe da minha paixão em ver uma fábrica em pleno movimento. Foi assim na minha visita à Castelbel na Maia, às fábricas de cortiça em Santa Maria da Feira, na Arcopédico em Vila do Conde e nas fábricas de calçado e de chapéus e da Viarco em São João da Madeira.

Por isso o meu encantamento ao visitar na Conservas Pinhais.
Lá a qualidade e a tradição estão em primeiro lugar.
Até ao processo das embalagens é feito manualmente... com todo o cuidado!

Tudo que está relacionado com a pesca,está relacionado com pessoas de muita crença religiosa, por isso, ali ainda se reza o terço ao fim de cada dia de trabalho.

gentes da pesca... pessoas de fé

A loja das Conservas Pinhais atende os clientes habituais da região, mas a maior parte da produção vai para o mercado exterior.



A Conservas Pinhais abre as suas portas com marcações prévias para quem quiser fazer uma visita às suas instalações e ainda fazer provas com harmonizações de vinhos de excelente qualidade.
Em parceria com a garrafeira Garage Wines, a visita termina no melhor estilo...




A Garage Wines está instalada em Matosinhos há mais de 5 anos e tem uma seleção de excelentes vinhos para todas as ocasiões. Sob o comando de Ivone Ribeiro, estamos diante de um espaço acolhedor e ao mesmo tempo descontraído e ótimo para quem quer uma ajuda para escolher o seus vinhos, ajuda esta, vinda de quem realmente entende de vinhos.

Bons momentos com conservas, vinhos e pessoas!
Uma visita que complementa o Passeio que faço com turistas brasileiros onde adoro mostrar as tradições de Matosinhos



Tradições e sabores que encantam!!

Av. Menéres, 700
Matosinhos

Garage Wines
Av. Menéres, 681
Matosinhos


Vem para o Porto e região?




domingo, 21 de abril de 2019

A Casa Ramos Pinto, os seus vinhos do Porto e a sua história com o Brasil.

"Não somos uma cave, somos a Casa Ramos Pinto". Foi assim que fui recebida para conhecer este lugar emblemático que conta a história da Ramos Pinto.
 Apesar de ali estarem envelhecendo mais de 750 mil litros de vinho do Porto, é como uma casa que conta a história dos vinhos do Porto Ramos Pinto, que aquele espaço gosta de ser reconhecido.
E quando estamos na margem do rio Douro no Porto a avistar Vila Nova de Gaia, é impossível não reconhecermos a grande casa amarela da Ramos Pinto, e que realmente parece uma casa. Diferente dos demais armazéns que vemos das outras marcas de vinhos do Porto.
A visita também é diferente das demais. Entramos por aquele edifício com estilo palaciano do século XIX, e somos conduzidos a uma espécie de museu, que vai nos contar a história de Adriano Ramos Pinto um empreendedor, visionário e à frente do seu tempo, que fundou a empresa com o seu nome, uma produtora de vinhos do Porto que de imediato entrou no mercado brasileiro, conquistando-o de tal maneira que este passou a ser o seu principal mercado, para onde partia metade da sua produção.


A cave dos vinhos Ramos Pinto, que gosta de ser chamada de Casa


o museu 
O espaço museológico da Ramos Pinto é uma autentica viagem no tempo. Tudo está lá desde a sua fundação. Os móveis, os objetos, os livros, e tudo o que tem a ver  com a relação dos vinhos Ramos Pinto e o Brasil, que foi sempre o seu grande mercado no exterior.




uma das homenagens da Ramos Pinto ao Brasil, um vinho que levou o nome de Pedro Álvares Cabral



Adriano Ramos Pinto foi sempre um homem de grande cultura, um apreciador das artes e um verdadeiro marketeer da sua época. Os rótulos da Ramos Pinto, até hoje são apreciados pela sua beleza gráfica. Mas o empresário tinha sempre uma preocupação em agradar os seus clientes, e fazia questão de oferecer uma série de brindes além de os receber muito bem, na sua "casa".






os brindes femininos e masculinos para os seus clientes


A seguir, a visita chega aos vinhos. Para além de conhecermos os vários vinhos produzidos pela empresa, podemos circular pela cave que guarda apenas uma parte da produção ( 750 mil litros). A maior parte ( 3 milhões de litros) está guardada em outro armazém também em Vila Nova de Gaia.
Prepare-se então para  provar os vinhos na ampla sala e suas janelas com vista para o Porto.







Já disse em vários artigos que escrevi sobre as caves de vinhos do Porto, que não basta visitar apenas uma delas. Todas são diferentes entre si e cada uma tem a sua história e é isso que torna encantador o mundo dos vinhos. Portant,o quantas mais conseguir visitar, mais vai saber sobre a arte e a paixão de um vinho que representa Portugal tão bem.
A Ramos Pinto em particular, vale a visita para saber mais sobre a relação dos seus vinhos com o Brasil.

Av. Ramos Pinto, 400 
V. Nova de Gaia

Reservas pelo tl. +351 936 809 283 / 967 658 980

Vem para o Porto e região?




sexta-feira, 12 de abril de 2019

Chega em Maio mais uma edição do Festival In Spiritum.

No mês de Maio, já estamos habituados a apreciar, e muitas vezes, conhecer o patrimonio da cidade do Porto através da música do  In Spiritum - o Festival de Música do Porto.
A apresentação da programação deste ano, foi surpreendente. À bordo de um barco rabelo da Douro Acima, Alfredo Costa, o Diretor Geral e Cesário Costa, o Diretor Artístico do festival deram a conhecer para a imprensa, parceiros e um público fiel a este evento, as apresentações que irão acontecer de 16 a 19 de Maio em locais muito especiais  que serão o cenário onde iremos ouvir música de altíssima qualidade.

o rio Douro e as belíssimas margens do Porto e de Vila Nova de Gaia, foram o cenário da apresentação da mais nova edição



Alfredo Costa e Cesário Costa - a apresentar a programação

Em boa companhia...



O Porto encanta faz questão de prestigiar o In Spiritum, um festival que nos coloca tão próximos do patrimonio expressivo da cidade...



O Salão Árabe no Palácio da Bolsa, abre as portas ao In Spiritum como nos tem sido habitual em todos os anos, com música árabe-andaluz, desta vez na voz da cantora marroquina Iman Kandoussi e seus convidados, no concerto Nubas e melodias do Al-Andaluz.
Nos dias seguintes, o festival vai passar pelo Teatro Helena Sá e Costa e vai recriar, através do piano de Raúl Costa, a visita de Maurice Ravel ao Porto à convite do compositor Luis Costa pai de Helena Sá e Costa em 1928.
A seguir, vamos ao Museu Romântico, no ambiente glamouroso do séc. XIX, ouvir o barítono André Baleiro e o piano de David Santos, pelos Caminhos do Romantismo.
Danças e Fantasias do tempo do Descobrimento vão nos conduzir a uma viagem aos tempos dos grandes navegadores, e o cenário não poderia ser outro: a Casa do Infante, antiga alfândega medieval da cidade do Porto.



A grande novidade deste ano é a ida do Festival In Spiritum até Matosinhos, a cidade vizinha, que vai receber o concerto Reflexos D'Água, através da harpa de Carolina Coimbra no belíssimo Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões, sobre o mar de Matosinhos...

a fantástica arquitetura do Terminal de Cruzeiros vai envolver-nos num dos concertos do festival
O festival In Spiritum encerra na Igreja de São João Novo com o concerto Stabat Mater Pergolesi  com a Orquestra Bomtempo. Uma obra italiana em honra da Virgem Maria, que foi  composta no mesmo período da construção da Igreja de São João Novo.



Aceite "Um convite à descoberta da cidade através da música, numa experiência única de cada lugar" por Festival In Spiritum.

Você vai se encantar!

Festival In Spiritum - 2019

De 16 à 19/05/19

Veja toda a programação e demais informações: AQUI

Vem para o Porto e região?