sexta-feira, 15 de junho de 2018

A Varanda da Saudade. Na Sé do Porto.

O Porto tem dessas coisas...

Quem visita a Sé do Porto, a região mais antiga da cidade, onde o Porto nasceu, e onde encontramos pessoas cheias de orgulho por lá viverem, pode ter a sorte de a qualquer momento, ouvir fado vadio (cantado pelos moradores da região) e ainda participar de uma festa de rua das mais genuínas!
É ali na primeira casa da rua Escura que está a Varanda da Saudade.
De frente para a Catedral, o fado é apreciado por quem por lá passa para visitar e pelos moradores...



um público mais que especial
É uma festa das pessoas da Sé, para as pessoas da Sé. Organizada pelos próprios moradores, a festa só acontece quando a Sé quer. Sem dia e nem hora marcada com muita antecedência.
Explicou-me o senhor que tratava de cobrar a entrada para o "WC": a gente decide uns dias ou um dia antes, nos juntamos e fazemos a festa.
Se na Varanda da Saudade canta-se o fado, abaixo dela preparam-se e vendem-se os petiscos. Porque não há festa popular sem eles.



Os turistas sobem e descem param para tirar fotos e ouvir uma ou duas músicas, mas os locais, estes vão ficando sem pressa que a festa acabe.




No Porto típico
E quem vai à Varanda da Saudade, canta um fado com sentimentos. Um fado genuíno...




E os iniciantes também são bem-vindos. Como este jovem que já canta com toda a emoção que lhe vem a alma...



Uma festa democrática, uma espécie de São João... mas pode acontecer a qualquer momento...


por isso, quando for visitar a Sé Catedral dê sempre uma espreitadela para a rua Escura. Pode ter a sorte de ouvir fado na Varanda da Saudade e sentir de perto a energia dos portuenses da gema!
Onde o Porto é Porto mesmo.

Porque o Porto encanta e a Varanda da Saudade... também!


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Do Porto para Braga e Guimarães no mesmo dia? Veja porque não vale a pena.

Numa espécie de "mea culpa", faço este  novo post,  apesar de no início do meu blog,  defender a ideia de que era possível conhecer Braga e Guimarães no mesmo dia.
Mas mais de 6 anos já se passaram e é hora de rever este conceito.
E por que?

Porque o turismo em Portugal mudou, porque as duas cidades mudaram e porque a maneira de fazer turismo também mudou.
Turismo feito sem pressa é turismo de qualidade. A tendência agora é ficar mais tempo num mesmo destino, para conhecer tudo com calma, desfrutar de experiências locais para sair de uma cidade com a sensação de que a conheceu de verdade, e não apenas passou por ela  para tirar fotografias em frente a um monumento.
Braga e Guimarães também mudaram. Com o crescimento do turismo no Porto, as duas cidades que ficam a  aproximadamente uma hora, também passaram a receber mais turistas e por isso estão mais preparadas para receber os seus visitantes. 
Com mais vida, mais gente nas ruas,mais eventos a acontecer e mais lugares para conhecer.

Visitar as duas cidades é como entrar por séculos da história de Portugal. 
Em Braga, desde as ruínas romanas, passando pela força da Igreja com a primeira Catedral do país e a exuberância do Santuário do Bom Jesus do Monte, passear pelas movimentadas ruas do comércio tradicional e pelas ruelas do Centro Histórico e ainda se gosta de arquitetura moderna, vai se encantar com o estádio de futebol do Braga, construído a partir de uma pedreira. 

vestígios de uma cidade romana que ainda se chamava Bracara Augusta - aqui as ruínas das Termas


A Sé de Braga, merece uma visita alargada para apreciar todos os pormenores da sua fachada e também toda a sua beleza interior, além de conhecer capelas quase "secretas" e um museu de arte sacra onde está guardada a Cruz que foi utilizada na Primeira Missa, na ocasião do descobrimento do Brasil.

Braga é dinamica, coma sua população jovem a dar vida aos seus antigos monumentos

os jardins de Braga são lindos e vale a pena passar com calma por eles e admirar o cuidado com que são mantidos

ruelas com história

A grandiosidade do Santuário do Bom Jesus do Monte não pode ser admirada com pressa... é muito beleza para ver a correr

Já em Guimarães, a cidade berço, onde nasceu Portugal e o seu primeiro rei, D. Afonso Henriques, entramos em uma viagem histórica ao percorrermos as suas  ruelas e praças muito antigas e cheias de charme.
Em terras onde grande guerreiro galaico Vimara Peres viveu, no séulo IX, quando lutou contra as invasões mouras aqui ao Norte, e onde a condessa Mumadona construiu um mosteiro que foi protegido por uma muralha e um castelo, Guimarães leva-nos pelo período medieval no seu Centro Histórico.
Museus, igrejas e cantinhos secretos merecem toda a atenção na sua visita à Guimarães.
Sem contar a ida ao Paço dos Duques que é um dos edifícios mais visitados de Portugal, dono de uma arquitetura soberana e um acervo fantástico de obras de arte. Vale a pena visitar sem pressa este monumento que é a casa oficial do Presidente da República quando este se desloca ao Norte do país.
Além disso vale a pena ver tudo do alto a partir do teleférico que leva ao belíssimo Parque e Santuário da Penha.

o surgimento da nacionalidade portuguesa é expressa em Guimarães

a imponência do Paço dos Duques

a história é contada com charme em Guimarães

o cantinho quase "secreto" na região dos couros
E claro que se estamos no Norte de Portugal, na região do Minho, não podemos sair com pressa, sem antes provar as delícias da gastronomia regional e o famoso vinho verde...




Para quem quer visitar estas duas cidades a partir do Porto no comboio/trem, a viagem dura aproximadamente uma hora e o bilhete ida e volta custa 6,40 € (preço de 2018).
É um dos Passeios que adoro fazer!

 Um dia em Braga e outro dia em Guimarães com um casal de turistas brasileiros.
Sem pressa e com ótima disposição
(a quem eu agradeço o envio das fotos)

Se vai viajar de carro por Portugal, pesquise AQUI  para alugar o seu veículo.

Se não quiser ir e voltar no mesmo dia na sua visita entre as duas cidades, também pode optar em dormir em Braga - escolha o seu hotel: AQUI, ou em Guimarães: AQUI.
E neste caso, a distância entre as duas cidades é de apenas 15 minutos de carro.

Turismo com qualidade é sentir e se encantar pelo seu destino e não apenas... passar por ele.

Porque o Porto encanta. E Braga e Guimarães... também.



Vem para o Porto e região?










quarta-feira, 30 de maio de 2018

Como foi o Festival de Música do Porto In Spiritum 2018.

Mais uma vez, como vem fazendo desde 2014, o Festival de Música do Porto In Spiritum vem habituando-nos a contemplar monumentos e locais emblemáticos da cidade, ao som de peças musicais que vão de encontro a história  dos espaços onde acontecem os concertos.

Cada vez que vou ao In Spiritum, desde a primeira edição, sinto-me a fazer uma viagem no tempo, como foi o caso do concerto "Cantata do Café de Bach" que aconteceu no Café Astória, que hoje está incorporado ao Hotel Intercontinental.

Sentir o aroma do café que foi servido ao público que assistia ao concerto dos alunos do Curso de Música Antiga da ESMAE - Escola Superior de Música e Artes do Espectáculo, senti-me num Porto antigo, a cidade dos glamourosos cafés, ponto de encontro de artistas e intelectuais...

um concerto aliado à elegância do Café Astória

A apresentação que aconteceu no Ateneu Comercial do Porto,  fez-me  imaginar o Porto do início do séc. XX, a época das reuniões dançantes, os saraus músicos-literários e matinées musicais animadas por música de salão.

O concerto "A música de salão no Porto na Belle Époque" permitiu-me viajar no tempo enquanto apreciava aquele espaço emblemático que passa tão despercebido quem sobe e desce a Rua de Passos Manuel na Baixa Portuense...




E para encerrar, o In Spiritum presenteou os ouvintes, com o som do emblemático violoncelo Montagnana que pertenceu à Guilhermina Suggia, uma das maiores violoncelistas do seu tempo.
Interpretadas pelo violoncelista norte-americano residente em Portugal há mais de 30 anos, Jed Barahal, "As suites para violoncelo de Bach", foram resgatadas por Pablo Casals em 1889.
Guilhermina Suggia foi aluna de Pablo Casals, com quem viveu de 1906 à 1913.
Além de viver em Paris e Londres, Guilhermina Suggia apresentou-se em diversos e renomados palcos europeus. Nasceu e morreu no Porto.
O seu violoncelo Montagnana pertence hoje à Câmara Municipal do Porto, que abiu as portas do seu Salão Nobre para a despedida do Festival de Música do Porto In Sipirtum 2018, com a promessa de voltar para o ano.


Este pequeno vídeo que fiz ao assistir estas 3 apresentações é apenas um "cheirinho" deste festival tão especial, que ainda apresentou concertos na Casa do Infante, No Conservatório de Música do Porto e no Salão Árabe do Palácio da Bolsa.



Mas pode ver os vídeos oficiais do In Spiritum no seu canal do Youtube: AQUI

Fique atento. Para o ano há mais. Se estiver no Porto no mês de Maio acompanhe a programação:

www.festivalinspiritum.pt
Facebook.com/inspiritum
Instagram.com/Festivalinspiritum


Vem para o Porto e região?









quinta-feira, 24 de maio de 2018

A viagem dos sabores no Fornalha Pizza & SteakHouse. E com História ali ao lado.

Quem vem ao Porto ouve sempre a frase: "Em Matosinhos é que se come bons peixes e frutos do mar". E é verdade. Naquela cidade de mar e de pescadores, é natural  que assim seja.
Mas... não é só peixes e mariscos que se come em Matosinhos.
O Alan Barros e o Samuel  Barros (que não são irmãos, mas são sócios) mostram  há mais de um ano no Fornalha Pizzas & SteakHouse que em Matosinhos a gastronomia não vem apenas do mar.

Os dois são brasileiros, que como eu, vieram  de São Paulo e  se encantaram pelo Porto.
O destino quis que se conhecessem por aqui, além-mar. E que trabalhassem juntos.
O Alan  tem a experiência da família de empresários e o Samuel é um chef especializado em carnes. Já há algum tempo haviam me convidado para conhecer o Fornalha e depois de tantas idas e vindas finalmente tive o prazer de conhecer este local que eles gostam de dizer que é uma viagem pela gastronomia na praia do Cabo do Mundo, em Matosinhos.
E já fui logo me encantando pela maravilhosa sangria de frutos vermelhos com champagne e com vistas para o mar...



No tamanho ideal, com poucas mesas e uma boa esplanada para os dias quentes, o Fornalha Pizza & SteakHouse apresenta como decoração o próprio forno a lenha e a parrilla argentina onde as melhores carnes cuidadosamente escolhidas pelo especialista Samuel Barros são grelhadas em lenha e carvão,  no tempo e na temperatura ideal...




Já disse várias vezes que o meu lado paulistano não nega a forte queda pela cozinha italiana e japonesa, por isso, quase não precisava de mais nada quando provei a maravilhosa Provoleta.
Um bom pedaço de queijo provolone envolvido em puro molho de tomate e  derretido no forno a lenha que é servido com um pão de sementes...

divino!
 E para matar as saudades das pizzarias paulistanas, a pizza em 2 sabores, fez-me recordar os tempos em que o programa preferido quando eu morava em São Paulo era... comer pizzas!

meia brócolis com bacon e meia frango com queijo de cabra amanteigado 
Seguindo a viagem gastronomica, a outra especialidade do Fornalha é a carne, nos melhores cortes e na melhor maneira de grelhar, com o cuidado do chef que numa conversa muito agradável, vai explicando o cuidado na escolha dos fornecedores e no cuidado com a parrilla para encontrar o ponto ideal ao levar a carne à mesa, que é servida em pedra para não perder a temperatura...

Picanha Australiana, T-Bone e Tomahawk são algumas das estrelas da casa
Os "mestres" do churrasco caseiro podem comprar a carne  que é vendida ali mesmo na pequena boutique do Fornalha...

E por falar em "mestres" do churrasco, o Fornalha realiza com frequência, workshops de churrasco ministrados pelo próprio Samuel Barros, basta seguir a página do Facebook/FornalhaMatosinhos para saber as próximas datas.

As sobremesas são todas caseiras e a minha veio acompanhada de picolé artesanal...

Gran Finale!
Tudo acompanhado da boa simpatia paulistana...

3 paulistanos encantados por Portugal
Mas se estamos falando de Portugal e Brasil, quando for ao Fornalha, não deixe de conhecer um local muito especial na história dos dois países e que fica a aproximadamente 1 km dali, na Praia da Memória.
O Obelisco da Memória, sinaliza onde D. Pedro I o Imperador do Brasil, que é o D. Pedro IV de Portugal, desembarcou com 7.500 homens do exército liberal, quando regressou do Brasil, em Julho de 1832, dando início ao fim do absolutismo em Portugal.



Este é o marco que simboliza a continuação da história de D. Pedro após ter saído do Brasil e que muitos poucos brasileiros, sabem que ele desembarcou por estes mares e se estabeleceu no Porto por mais de um ano, onde travou uma batalha contra o seu próprio irmão, o absolutista D. Miguel.
No dia 1º de Dezembro de 1840, foi colocada neste local a primeira pedra deste monumento que iria simbolizar este acontecimento histórico. Neste dia, esteve presente D. Maria II, filha de D. Pedro.

Por lá também passam muitos peregrinos de Santiago de Compostela, já que estamos em pleno Caminho Português da Costa...


Bons motivos para um bom passeio em Matosinhos. Gastronomia, mar e história!

Fornalha Pizza & SteakHouse
Rua das Areias, 20
Praia Cabo do Mundo - Matosinhos
www.fornalha.pt 
Facebook/FornalhaMatosinhos




algumas fotos tiveram a colaboração de Rui Bonito Fotografia

Vem para o Porto e região?