domingo, 28 de abril de 2013

Os Jardins do Palácio de Cristal... um passeio obrigatório.

A cidade do Porto é mesmo privilegiada... podemos estar no centro urbano, nos sítios típicos, junto ao rio ou junto ao mar em questão de minutos. E para completar, a cidade tem lindos parques e jardins para serem  desfrutados!
Já mostrei neste blog, o Parque da Cidade (ver AQUI), o Jardim das Virtudes, num dia de piquenique (ver AQUI) e hoje vou mostrar uma parte dos encantadores Jardins do Palácio de Cristal. Uma parte, porque vale a pena ir até lá e descobrir este imenso espaço de área verde, no coração da cidade...



O Palácio de Cristal era um  edifício todo em ferro, vidro e granito, inspirado no Crystal Palace londrino e que foi construído para receber a grande Exposição Internacional do Porto em 1865, além de receber também diversas exposições e outros eventos culturais da cidade.
Em 1951 (sob forte contestação popular) o Palácio de Cristal foi destruído para dar lugar a um Pavilhão Desportivo que seria o palco do Campeonato Europeu de Hóquei em Patins.


O que é certo, é que o nome Palácio de Cristal permanece até hoje, e os imensos e belíssimos jardins que foram projetados pelo paisagista alemão Émile David, também! E ainda bem! Porque assim, temos na cidade um lugar incrível para passear, estar próximo à natureza e ver lá do alto, o rio, o mar e parte da cidade.
Nele encontramos vários locais  que nos permitem aproveitar os dias de sol!




Sempre na companhia agradável dos moradores locais...



Que tal um piquenique à sombra com um amigo pavão?



É o sítio ideal para se estar com as crianças...




É um Jardim tipicamente europeu... cheio de esculturas e de várias espécies de plantas, com cantinhos especiais...





Dos seus vários miradouros podemos ver lá do alto o rio, o mar e a cidade...






Se vem ao Porto, tem que conhecer este espaço lindíssimo repleto de verde e vistas fantásticas bem no centro da cidade. E se vive no Porto... aproveite um belo dia de sol nos Jardins do Palácio de Cristal!!


Exibir mapa ampliado

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Porto... vinho do Porto. Vinho... rolha. Rolha... de cortiça!

Muitos dos turistas brasileiros que eu recebo no Porto, ou que eu conheço nas ruas, se encantam com os lindos produtos feitos com cortiça que estão à venda em várias lojas na cidade...




Mas... sempre um ou outro faz o seguinte comentário... "é uma pena que não é ecológico"
Errado!
Há um mito no Brasil que diz que o uso das rolhas de cortiça e dos produtos feitos à base da cortiça é prejudicial ao ambiente. E que um dia, a cortiça vai acabar.
Errado!
Eu sempre que posso explico a importância do uso da cortiça para o meio ambiente. E uma amiga que veio do Brasil ao Porto, pediu-me que eu fizesse um post sobre este assunto.
Aproveitei uma oportunidade em que eu estive num montado de sobro, que é o local onde estão concentradas as plantações de sobreiros, as árvores que produzem a cortiça, para fazer algumas fotografias e explicar o processo...


Os sobreiros são árvores que duram muitos e muitos anos. A partir dos 25 anos, o seu tronco já pode ser descortiçado, ou seja , pode-se retirar esta primeira camada para se produzir a cortiça.
A árvore então recebe um número, que é para mostrar o ano em que ela foi descortiçada. E só poderá ser descortiçada novamente depois de 9 anos. E é aí que se explica o porque do uso da cortiça não ser prejudicial ao meio ambiente...


Tudo faz sentido, tudo é em prol da natureza. Quem anda pelos campos do sul de Portugal e Espanha, normalmente vai ver estas marcas nas árvores...


A cortiça é um produto mais do que natural. O descortiçamento, desde que seja bem feito, é importante para a vida do sobreiro...



Mas desde que que seja bem feito. Porque descortiçar um sobreiro é uma arte. Este vídeo abaixo mostra muito bem a importância do saber descortiçar e o cuidado com o meio ambiente ao descortiçar o sobreiro:




Entre os especialistas há várias discussões sobre as rolhas de cortiça. Sobre a importância da qualidade da cortiça, sobre o cuidado que se há para que o vinho não seja "contaminado" por uma rolha de má qualidade e também sobre o uso de rolhas de materiais sintéticos ou screw craps (de rosca).

Aqui, vai a opinião do chairman dos vinhos Sandeman, uma das grandes produtoras de vinho do Porto:

George Sandeman exprime a sua opinião sobre as rolhas de cortiça usadas no Vinho do Porto: "Obviamente, a rolha de cortiça é importante porque conserva o vinho dentro da garrafa. Mais especificamente, em vinhos clássicos classificados para envelhecimento, como é o caso do "Vintage Port", a rolha é fundamental, pois deixa o vinho evolucionar e respirar nas melhores condições. Considero que hoje, as rolhas são de qualidade superior à qualidade das que se faziam há uma década atrás. A razão desta melhoria, creio que se deve ao facto da oferta e da procura estarem mais equilibradas - e de existir um maior controlo de qualidade, que permite melhores rolhas para vinhos que o mereçam".

Em relação às rolhas que se utilizam no Vinho do Porto, George Sandeman mostra o seu lado pragmático: "Gosto de segmentar para clarificar. É evidente que não se deve utilizar num vinho que se vá beber nos próximos três meses a mesma rolha que naquele que está destinado a ser bebido nas próximas décadas; por isso, em alguns vinhos mais jovens, utilizamos rolhas não clássicas, aglomeradas e capsuladas", explica.

George Sandeman tem igualmente formada a sua opinião sobre os vedantes sintéticos: "Eu não acredito que seja prático utilizar material sintético, pois levanta problemas ao nível da reciclagem. Ora, num mundo cada vez mais preocupado com o meio ambiente, a imagem do plástico não funciona. A rolha, sem dúvida, é um produto natural, que não implica o abate de sobreiros, não é poluente e não altera a paisagem. A cortiça é retirada da árvore, de nove em nove anos, e de uma forma natural, o sobreiro regenera-se". |fonte: apcor.pt|



Na minha opinião muito pessoal, um vinho que não é fechado com rolha de cortiça, perde todo o seu charme. E estes dois divertidos e breves vídeos mostram bem esta situação...






Quem usa rolhas de cortiça e produtos feitos em cortiça, é acima de tudo um amigo do meio ambiente. Mas está também colaborando para uma fatia muito importante da economia e para a geração de empregos, dos principais países  produtores de cortiça que são: Portugal, Espanha, Argélia, Marrocos, Itália, Tunísia e França.
Use a cortiça para que os sobreiros nunca acabem e também, porque a biodiversidade... agradece!

Aqui você pode saber, tudo absolutamente tudo sobre este Sistema Sustentável:
http://www.amorim.com/xms/files/CorticeiraAmorim/Noticias/Do_Sobreiro_a_cortica_um_sistema_sustentavel.pdf

O Porto, os cravos e o 25 de Abril!


Casal de senhores passeando com cravos vermelhos

Como é  comemorado o  Dia da Liberdade em Portugal e no Porto:


O que é o 25 de Abril - A Revolução dos Cravos


Eu adoro o dia 25 de Abril!
Para quem não é de Portugal e não conhece a história, um breve resumo:
O dia 25 de Abril é o dia em que se celebra o fim da ditadura em Portugal, que estava instalada  no país desde 1926, tendo como seu principal protagonista, Antonio de Oliveira Salazar que institui um novo regime em Portugal, conhecido como o Estado Novo, graças à mudança da Constituição.
Foram longos 48 anos que colocou Portugal, num regime ditatorial, totalitário, mantendo o controle ideológico e social sobre a população. Foram períodos em que Portugal ficou atrás dos avanços alcançados por outros países, além de cenários de fome e pobreza em muitas regiões do país, obrigando muitas pessoas a rumarem em direção ao Brasil (época em que as famílias dos meu pais foram para lá), França, Suíça, Estados Unidos, Canadá e outros.
à partir de 1961 as colônias africanas, Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, iniciam movimentos revolucionários de libertação e Salazar inicial então a Guerra de Ultramar, mandado para estes países, milhares de portugueses para combater aquelas revoluções.
Depois de mais de 10 anos, já Salazar havia falecido e sendo substituído por Marcello Caetano, numa guerra que sentiam que não daria em nada, e que deixava cada vez mais Portugal numa situação fragilizada, as Forças Armadas, decidem organizar um golpe de estado para retirada de Marcello Caetano do poder.
Um movimento que juntou militares e estudantes, preparando por quase um ano a queda desse regime. E no dia 25 de Abril de 1974 o plano foi colocado em prática. E por isso comemora-se o Dia da Liberdade em Portugal.

pai e filho na rua cada um segurando um cravo vermelho

Uma revolução e os seus sinais: duas músicas


 O que me encanta nisso tudo é que, em primeiro lugar, as senhas para se dar início a este golpe eram músicas... sim a música E Depois do Adeus, de Paulo Carvalho e que venceu o Festival da Canção daquele ano, tocaria na rádio dos Emissores Associados de Lisboa às 22:55h (a senha) e Grândola Vila Morena de Zeca Afonso tocaria meia hora depois na Rádio Renascença (a contra-senha).
Estes foram os sinais para que as tropas militares saíssem dos quartéis em direção à Praça do Governo, onde tomariam as radios de comunicação para informarem à população o que iria se passar e para impedirem Marcello Caetano de exercer as suas funções a partir daquele dia.

As músicas que foram os sinais da Revolução:





Os cravos


Logo pela manhã, a maioria das pessoas ainda não  não entendia o que se passava. Uma funcionária de um restaurante, D. Celeste Caeiro, que trabalhava num restaurante no centro de Lisboa, com um ramo de cravos que trazia nas mãos, ao perguntar para um dos soldados o que se passava, este afirmou que estavam ali para tirar Marcello Caetano do poder. O soldado, pediu-lhe um cigarro, e ela disse-lhe que não tinha cigarros, mas lhe dava um cravo. O soldado agradeceu e colocou o  cravo no cano da sua arma. Este gesto repetiu-se por todos ao seu redor.

vários cravos vermelhos num vaso

soldados militares com cravo vermelho no cano da arma
foto retirada da internet


Os cravos passaram a ser o símbolo da liberdade e do agradecimentos àqueles capitães que protagonizaram aquela revolução que ganhou o nome de "Revolução dos Cravos de 25 de Abril". Uma revolução que deu início a um processo de transição da ditadura para a democracia, onde os militares apenas estiveram no poder por um período de aproximadamente 2 anos, quando se fizeram as eleições democráticas que elegeram o primeiro presidente de uma nova era, Mário Soares, conhecido como pai da democracia.
Neste dia, os cravos estão por toda a parte. Eu não consigo passar um 25 de Abril sem o meu:





Uma publicação partilhada por o Porto encanta | Rita Branco (@oportoencanta) a



O 25 de Abril no Porto


Em 1974 o Porto amanheceu sem perceber muito os acontecimentos em Lisboa, mas por volta das 17h as pessoas já começaram a se movimentar em direção à Praça da Liberdade onde os soldados militares puderam ir passando mais informações. E onde então se começou a celebrar o golpe.
E até hoje, os portuense de deslocam até à Praça da Liberdade e à Avenida dos Aliados, o coração da cidade, para festejar o 25 de Abril - Dia da Liberdade. 
Sair na rua por sair, para comemorar o ir e vir. Para nunca se esquecer dos tempos duros que se passaram naquele 48 anos do Estado Novo. 
Há muita música, desta vez não somente as duas que são o símbolo da revolução, mas muitas outras.
As floristas estão por lá a vender  os cravos com um sorriso no rosto a fazer  chegar às pessoas o símbolo da revolução.

senhora com cravo vermelho na mão e balde com cravos aos pés oferecendo para uma menina que passa


vaso azul com  cravos vermalhos



Senhora a mostrar um ramo de cravos vermelhos

várias pessoas passeando com cravos vermelhos nas mãos

senhora com um cravo vermelho na mão

duas mulheres com cravos vermelhos na cabeça
os turistas também participam da festa!
Sem derramamento de sangue, com músicas e com flores. Um revolução que encanta!
Um feriado nacional onde as pessoas o que querem fazer é sair às ruas para comemorar a Liberdade!


 Vem para o Porto e região?

mapa, planer de viagem e caneta

quarto de hotel

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Na Rua Miguel Bombarda, o Porto é urbano, artístico e cultura!

Esta é uma daquelas situações que explicam porque é que o Porto me encanta tanto:
No post anterior, eu mostrei uma bela homenagem às tradicionais Adegas e Tascos do Porto, num cenário bucólico como é o Jardim do Palácio de Cristal.
Na mesma tarde daquele Sábado, bastou eu sair do Jardim, atravessar a rua e a poucos passos eu já estava num Porto urbano, das artes e cultura contemporâneas.
Na festa das Inaugurações Simultâneas da Miguel Bombarda...


Para quem não é do Porto ou não conhece, a Rua Miguel Bombarda (e algumas ruas adjacentes) é conhecida pela concentração de várias galerias de arte contemporânea, além de concentrar também vários espaços dedicados à arte e à cultura.
Num trabalho coletivo, estas galerias e espaços comerciais, juntam-se para a cada praticamente 2 meses, realizarem inaugurações de exposições em simultâneo.
E Sábado passado, era um desses dias de festa.
Dia das famosas Inaugurações Simultâneas da Miguel Bombarda...


As galerias recebem os visitantes para as novas exposições, mas não só.
Todos os espaços comerciais se enquadram no clima de inauguração e exposição.
Como por exemplo, de livros...


de decoração...


Roupas, objetos vintage e muitas outras coisas.
Há arte em toda parte.
No hostel...


No cabeleireiro...


No centro comercial...



No atelier de arquitetura...



Aproveito para agradecer o convite para a exposição de fotografias do arquitecto Alexandre Loureiro: Abandoned City, no atelier de arquitetura DezOnze

Cada espaço recebe os seus convidados e visitantes de várias maneiras...






E na rua também há arte, intervenção e animação...







E assim, numa linda tarde de sol,  o Porto foi à Rua Miguel Bombarda, em dia de Inaugurações Simultâneas...


 E mais uma vez, aproximou o tradicional e o moderno com a maior facilidade!!