quarta-feira, 2 de novembro de 2016

Uma Cadeira Portuguesa. E com história, com certeza.

Foi por um acaso que eu descobri a exposição Cadeira Portuguesa, que está na Casa Museu Guerra Junqueiro. Para quem gosta de artes decorativas é um museu que eu recomendo e muito visitar, veja um post sobre ele: AQUI
Fica "quase escondido" numa das ruas mais antigas da cidade, na região da Sé e tem uma cafetaria com uma esplanada deliciosa e que é composta pelas tais... cadeiras portuguesas...



Eu há onze anos a viver em Portugal...  e nunca tinha reparado nas cadeiras portuguesas.
E olha que tenho-as em muitas das minhas fotografias...



Precisei ir à esta exposição para olhar com outros olhos para o que podemos chamar de um clássico no mobiliário português. Uma cadeira com história!

História essa que eu só fui conhecer quando entro para a exposição e leio mais sobre a ADICO e sobre o  seu fundador António DIas COsta, um empreendedor, daqueles portugueses que eu adoraria ter conhecido. Porque nunca desistiu dos seus sonhos!


Nascido no final do séc. XIX em Avanca,  entre Ovar e Aveiro, uma zona mais dedicada à agricultura. Começou desde cedo a ajudar o seu pai na sua pequena serralharia e ali começou a ganhar gosto por este ofício.
Numa época em que muitos portugueses viam no Brasil uma perspectiva de trabalho e negócios, partiu para além-mar, mas uma doença  tropical obrigou-o a voltar para Portugal. .
Quando foi chamado a cumprir o serviço militar, mudou-se para Lisboa e conseguiu trabalhar em duas fábricas ligadas ao setor do  mobiliário metálico.
Foi então recrutado para a I Guerra Mundial e distinguido por bons trabalhos, tinha tudo para seguir a carreira militar, mas o sonho de ser empreendedor falou mais alto. Montou uma pequena oficina em Lisboa, veio para o Porto estudar mais sobre como se trabalhava o fabrico de móveis metálicos no Norte do País e em 1920, voltou para  Avanca e abriu a sua própria fábrica, a ADICO.
Construiu a primeira máquina portuguesa para fabricar tubos e passou a entrar no mercado do mobiliário hospitalar e Portugal passou a produzir, um produto de qualidade que antigamente importava, a a ser reconhecido como um dos melhores do setor.

Nasceram nesta época as cadeiras portuguesas, um ícone nas esplanadas de todo o país até hoje...



Na década de 40 já tinha mais de 60 funcionários e em 1960 já tinha 350 colaboradores. Mas na década de 70, o seu fundador faleceu e as circunstancias politica e economicas do país fizeram com que a empresa fosse totalmente reestruturada. E dos anos 90 até hoje, com nova administração a ADICO vem se posicionado  com novas linhas de mobiliário, inclusive para hotelaria e apostando no design e na tecnologia.
E falando em design, a exposição na Casa Museu Guerra Junqueiro, através de um trabalho muito interessante de 30 criativos nacionais, nas mais diversas áreas, desde os mais conhecidos como Álvaro Siza e Paulo Lobo e estudantes de design de várias escolas, faz uma belíssima homenagem à Cadeira Portuguesa, a mais famosa cadeira das esplanadas de Portugal...




Utilizando vários materiais, os criativos reinventaram e customizaram as cadeiras abordando os mais variados temas...








Se é português, é bom...


Uma cadeira que tem as marcas do tempo...



Para mim, ficou a certeza: a de olhar para as cadeiras das esplanadas de maneira diferente.
E lembrar do valor da sua história e da história e de um português de outros tempos, que nunca desistiu dos seus sonhos...



Se está no Porto até o dia 06 de Novembro tem a oportunidade de conhecer as cadeiras portuguesas metamorfoseadas.

Exposição Cadeira Portuguesa

Casa Museu Guerra Junqueira
Rua de D. Hugo, 32
Porto

Seg. à Sab. das 10 às 17 h
Domingo: das 10 às 12 h e das 14 às 17 h
Entrada Livre


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