quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Do Porto para Santiago. Os primeiros dias na Galiza, até chegar em Redondela.

No nosso 7º dia de caminhada , rumo à Santiago de Compostela  fizemos uma etapa que foi uma espécie de "férias".
Sim! Escolhemos este dia para andar bem menos do que os dias anteriores,  para desestressar um bocado o corpo e a mente.
Seriam apenas 7 kms até Tui... muito pouco comparado à média de 18/20 kms por dia que estavamos habituadas a fazer, e a pensar na grande pressão psicológica das últimas etapas antes de chegar, foi bom fazer um dia sem pressa e sem cansaço excessivo.

Sabendo disso,  aproveitamos os primeiros momentos do dia para  conhecer boa parte da  Fortaleza de Valença como pode ver no post sobre a última etapa em Portugal: AQUI

É hora de atravessar a ponte metálica sobre o rio Minho que separa Portugal da Espanha...







o belo centro histórico de Tui e a sua Catedral à nossa espera



Aproveitamos este dia para conversarmos bastante sobre o que viria pela frente. Tínhamos que ter consciência que estavamos em outro país, com outros hábitos, outro tipo de comida, e o Caminho, passa a ser o Camino...



E o primeiro: Buen Camino dedicamos à primeira peregrina, uma inglesa, que encontramos nos primeiros metros em solo espanhol...

o Caminho Português para Santiago, é com certeza das mulheres, como descreveu muito bem a minha companheira de viagem Elena Paschinger, neste post: AQUI


Começamos logo a ver as casas de pedras típicas da Galiza...



E depois da primeira subida do dia chegamos à belíssima Catedral de Tui, uma construção românica do ´sec. XII com a portada gótica construída no séc. XIII...


Vale a pena visitar sem pressa, apreciar cada pormenor deste patrimonio histórico tão significativo, ao som de uma música muito especial a tocar enquanto circulamos por lá... 



Ali conseguimos o nosso primeiro carimbo espanhol na Credencial do Peregrino...


Como o dia hoje era mesmo para aproveitar, foi em frente à Catedral, num café gerido por um português é que em companhia do casal de peregrinos alemães que  aprendemos a chamá-los de amigos desde a 4ª etapa em Balugães, fomos às primeiras tapas...



Recomendo imenso que façam o que fizemos nesta etapa... descansar. Conviver ainda mais com os peregrinos, andar pouco. Escolha um dia para isso e faça!

E assim seguimos no charmoso Centro Histórico de Tui...





Até deixarmos a Catedral para trás... lá ao alto, e adentramos mais uma vez pelos caminhos rurais...






Mais uns 2 kms  numa estrada nacional e lá estava o Hotel Alfonso I à nossa espera...



Nada como ter quase o dia todo para descansar e recuperar todas a energias para os 100 kms que ainda nos faltava percorrer até chegar a Santiago...


mais informações: AQUI




Para além de empresas e eventos, o excelente e confortável Hotel Alfonso I recebe inúmeros peregrinos, o ano todo.
Como fica a dois kms do percurso do Caminho de Santiago, existe um carro de apoio que pode recolher os peregrinos e no dia seguinte deixa-los no mesmo ponto para poder continuar os seus kms do Caminho.


Não foi preciso no dia no anterior, mas na manhã em que partimos para Redondela, sim, utilizamos este serviço para nos deixar no ponto onde deveríamos começar, afinal, esta etapa seria dura. Aproximadamente 27 kms.


Esta é a rotina da simpática Esther Mira do Hotel Alfonso I. Muito atenciosa com todos os peregrinos!

No Caminho, entre Valença e Tui, vai encontrar muitas placas com indicações do telefone deste hotel, caso precise do transfer.

Depois de mais uma difícil despedida, uma vez que a Esther Mira é mais uma daquelas pessoas encantadoras que conhecemos no Caminho, seguimos...


E logo,  o Caminho na Galiza, se mostra encantador também...






Até que descobrimos que é preciso tomar cuidado logo a seguir a esta parede com imagens que nos lembram o nosso destino:  Catedral de Santiago de Compostela...


Dica desta etapa:
A partir daqui tome muito cuidado com as alterações feitas nos sinais que indicam o Caminho de Santiago, porque antes da Zona Industrial de o Porriño,  deve-se entrar à esquerda e seguir por um caminho rural. Mas alguns empresários próximos desta Zona Industrial alteram os sentidos das setas, obrigando que os peregrinos passem por seus estabelecimentos, como restaurantes e cafés, para assim consumirem. Fazendo-os passar por entre armazéns industriais e pela auto-estrada, sendo que o correto é um belíssimo bosque, silencioso e rural...


pintam as setas de preto e fazem outra amarela por cima, alterando a direção



neste percurso correto do Caminho  não existem bares ou restaurantes, mas sim uma máquina de bebidas frescas para os peregrinos..

tem também diferentes espécies de plantas e painéis a sinalizá-las
Atenção: as alterações também podem acontecer mais prá frente, quando o caminho rural termina, para darmos entrada a uma parte da estrada, mas que logo à esquerda temos que entrar novamente para um bosque. Só que há setas pintadas de negro para nos confundir novamente...




Desta vez quem nos salvou foi um senhor que nos fez confiar nele pois nos conduziria até o centro de o Porriño pelo Caminho certo...


E ainda bem que confiamos nele... e seguimos por uma paisagem linda!




O Sr. Antonio Galego, que tem orgulho em ser Galego 2 vezes: no nome e na região onde nasceu, conta-nos emocionado que quase todos os dias ajuda peregrinos que são enganados pelas setas e acha injusto que os empresários  da zona façam isto, com pessoas que já estão cansadas de caminhar e ainda teriam que se sujeitar a andar mais kms ao lado da auto-estrada.


Com muita emoção nos despedimos deste "anjo" que apareceu no nosso Caminho e dos nossos amigos alemães que guardamos para sempre nos nossos corações... as magias do Caminho

 Já estava quente e ainda nos faltavam aproximadamente 15 kms para chegar ao nosso destino daquele dia e por isso seguimos até Mós, que seria o local onde faríamos um descanso e um lanche...



E o fizemos bem à frente da igreja Santa Eulália de Mós...





A partir de Mós, a subida de aproximadamente 200 metros de altitude e o calor castigam, vamos nos distraindo com os pormenores e a paisagem galega, para conseguirmos chegar...







Até que uma vista nos dá o animo final... a pequena cidade de Redondela e a ria de Vigo!



Antes de chegarmos ao nosso destino, ainda há tempo para observar que assim, como no Minho, aqui  na Galiza, os senhores estão sempre a trabalhar no campo...



O centro de Redondela já está próximo!

desta vez, amigos argentinos
Assim como em Tui, em Redondela, o hotel Pazo Torres de Agrelos tem transfer a partir do centro da cidade até o hotel que está localizado a aproximadamente 2 kms.



Um espaço de Turismo Rural fantástico e repleto de história, a partir de um edifício de meados do séc. XIX, cosntruído a partir das ruínas de um convento franciscano...




A principal atividade do Pazo Torres Agrelo é a realização de casamentos e eventos empresarias, mas dispões de 9 quartos confortáveis que recebem os peregrinos que procuram um descanso merecido, num lugar tranquilo, silencioso e para aproveitar e desfrutar de um edifício histórico cheio de pormenores lindos!

conheça mais: AQUI
perfeito para um dia tão exaustivo e quente...






E foi lá que reencontramos a nossas adoráveis migas peregrinas americanas que conhecemos em Agualonga




E no dia seguinte depois de um reforçado pequeno almoço/café da manhã. estávamos prontas e cheias de energia para mais uma dura caminhada até Pontevedra... desta vez, embaixo de chuva!

Acompanhe!!

#duasBloggers#umCaminho

Pode ver todo o Caminho Português de Santiago: AQUI


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