segunda-feira, 14 de setembro de 2020

O Porto barroco de Nicolau Nasoni.

 

Igreja e Torre dos Clérigos


Pintor na Toscana, arquiteto no Porto.


Uma das coisas que chama muito a atenção de quem visita o Porto e a região Norte, é a quantidade de igrejas com fachadas e decoração interior no melhor estilo barroco.
Na verdade este é um estilo artístico e arquitetonico que encontramos um pouco por todo lado em Portugal. 
Estilo este que surgiu na Itália  entre o final do séc. XVII e início do séc. XVIII, mas que rapidamente foi se espalhando por vários países de influência católica na Europa.
E foi na Itália, nomeadamente em San Giovanni Valdarno na Toscana, que em 1691 nasceu Nicolau Nasoni. Muito cedo destaca-se pelo talento de desenhador. E em 1722 já estava em Malta onde fez os frescos/afrescos do salão nobre da Cancelleria do Sobrano Ordem de Malta, no albergue da Ordem dos Cavaleiros e na Catedral de São João Batista.
Ganha um grande destaque ao realizar as pinturas do Palácio do Grão Mestre de Malta, e é então que é trazido para o Porto em 1725, através do cabido da Sé da cidade.
Veio para pintar a capela-mor e a sacristia da Catedral e nunca mais saiu do Porto.
O seu estilo trazia uma nova estética, moderna para a época, e representava o teatralismo do barroco com pinturas ilusionistas à maneira italiana.
Ainda hoje, é possível ver alguns vestígios das suas pinturas no altar-mor da Catedral do Porto.

afrescos na parede da Catedral do Porto


Da pintura passa à arquitetura e é contratado pela Sé do Porto para projetar a escada que une o claustro  ao piso superior da Catedral, a galilei lateral do edifício principal, de onde avistamos belíssimos azulejos também no estilo barroco  e o chafariz de São Miguel o Anjo também localizado na lateral da Catedral, em frente à estátua de Vimara Peres.
A partir daí, Nicolau Nasoni não parou de receber solicitações de projetos tanto para incluir o barroco nas principais fachadas das igrejas do Porto e Norte, como construir algumas casas de nobres fidalgos da região. Suas obras são muitas e por isso relacionei algumas ( além da própria Sé que já referi) que valem a pena estar atentos na sua visita ao Porto, ou se mora na cidade e ainda não se apercebeu destas verdadeiras obras de arte da autoria deste  artista do barroco que nasceu pintor na Toscana e morreu arquiteto no Porto:

1. Paço Episcopal:


O grande edifício branco ao lado da Catedral, recebe logo nas sua fachada, nomeadamente nas janelas e portas, a intervenção arquitetonica de Nasoni, mas é na escada principal desta que foi a casa oficial do bispo da cidade, que está um trabalho magnífico, diria eu: "Nicolau Nasoni no seu melhor"!

Teto e clarabóia do Paço Episcopal da Sé do Porto



Pelourinho da Sé do Porto e fachada do Paço Episcopal
Conheça o : Paço Episcopal do Porto


2.  Igreja e Torre dos Clérigos:


Contratado pela Ordem dos Clérigos para projetar a igreja, enfermaria e a torre sineira, Nicolau Nasoni de 1731 até 1773 fez desse conjunto arquitetonico a grande referência da sua carreira no Porto.
Num terreno inclinado conseguiu nivelar a igreja e destinou a parte mais alta para a torre.
Surge então um dos ex-libris do Porto que é avistado por diversos pontos do centro da cidade e de Vila Nova de Gaia, do outro lado do rio. Sendo também um dos monumentos mais visitados, porque a subida dos seus 240 degraus proporciona uma vista belíssima de 360º. Veja o post sobre a minha subida à Torre dos Clérigos.
Tanto a torre como a igreja transmitem toda a expressão do barroco e sua simbologia.
Nasoni conseguiu passar para o granito das fachadas a beleza do seu trabalho como pintor.
É um conjunto monumental que merece muito a visita.


fachada da Igreja dos Clérigos

interior da igreja dos Clérigos
Veja mais sobre a Igreja dos Clérigos



Imagem de D. Pedro na Praça da Liberdade
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3. Palácio do Freixo

A partir do terreno da Quinta do Freixo, de propriedade do cónego D. Jerónimo de Távora e Noronha, que foi o responsável da vinda de Nicolau Nasoni para o Porto, surge o belíssimo Palácio do Freixo, construído entre 1742 e 1754.
A partir do séc. XIX, o Palácio do Freixo passa por vários proprietários  e em 1850 chega a ser loteado, até que em meados do séc. XX fica em completo abandono.
É adquirido pela Câmara Municipal do Porto e passa por um longo processo de restauro até ser adquirido por um grupo hoteleiro e hoje é um dos hotéis luxuosos da cidade nas margens do rio Douro.



afrescos de Nicolau Nasoni no Palácio do Freixo
Alguns dos  frescos de Nicolau Nasoni ainda podem ser vistos no restaurante do hotel 


FAchada do Palácio do Freixo
Conheça o processo de recuperação e transformação do Palácio do Freixo



4. Igreja da Misericórdia do Porto

Esta igreja já existe desde o séc. XVI, mas foi em 1748 que Nicolau Nasoni à intervenciona com o seu habitual barroco transformando a fachada numa verdadeira obra de arte em estilo rococó.
Quem passa pela Rua das Flores, uma da mais movimentadas do Centro Histórico do Porto não fica indiferente à este belíssimo exemplar de arquitetura barroca.
A igreja fica junto ao Museu da Misericórdia do Porto e este é mais um dos conjuntos arquitetonicos  que merecem a visita porque a Misericórdia do Porto está intimamente ligada à histórica da cidade.

FAchada da Igreja da Misericórdia do Porto


5.  Obeliscos no Jardim do Passeio Alegre

Inicialmente  estes obeliscos encontravam-se na Casa da Prelada, mais um das várias obras de Nicolau Nasoni da década de 40 do séc. XVIII.  A casa situava-se na Quinta do mesmo nome, localizada fora do perímetro urbano do Porto naquela altura e que depois de muitos anos entra em estado de degradação.
No final do séc. XIX foram transferidos para a entrada do Jardim do Passeio Alegre, um jardim de estilo romântico localizado junto à Foz do Rio Douro, contruído para atender à burguesia portuense que vivia nos palacetes da região.


Obeliscos na entrada do Jardim do Passeio Alegre


6. Igreja do Bom Jesus  de Matosinhos 


Apesar de estar em Matosinhos, a cidade bem ao lado do Porto, esta Igreja merece a visita. É na minha opinião uma das mais bonitas da região .
Sua construção data do séc. XVI mas em meados de 1700 Nicolau Nasoni participa da ampliação da igreja e vai transformar a sua fachada num estilo clássico barroco e traz ainda uma horizontalidade muito diferente das fachadas habitualmente vistas nas igrejas da época. Um teatralismo que nos faz lembrar um cenário que apresenta ao mesmo tempo lúdico e religioso.


Fachada da Igreja do Senhor de Matosinhos


Nicolau Nasoni morreu em 30 de Agosto de 1773 e foi enterrado na sua obra mais completa, a Igreja dos Clérigos. O curioso é que quando foi enterrado, não foi deixada nenhuma identificação do local exato. Em 2014 a igreja passa  por um grande restauro e foram encontrados embaixo do altar diversos corpos sepultados. Alguns estavam identificados e dentre os que não estavam identificados e depois da exumação chegou-se à conclusão de que ali havia sido sepultado o arquiteto italiano mais famoso do Porto.
Quem aprecia arquitetura e sua história do séc. XVIII vai se encantar por entre estes monumentos.

Veja neste mapa a localização de cada um deles:


 


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quarto de hotel no Porto









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