sábado, 20 de agosto de 2016

Do Porto para... o Douro selvagem e as tradições no Verão transmontano.


Sendim é uma das muitas vilas e aldeias transmontanas que mudam completamente a rotina durante o Verão.
Uma região que é castigada com baixíssimas temperaturas no Outono e Inverno, onde as lareiras começam a serem acesas logo no fim de Setembro e os fumeiros e comidas fortes nos convidam para dias aconchegantes dentro das casas.
Além disso, Trás-os-Montes  sempre foi castigado por difíceis estradas de acesso, é daqueles lugares que todo mundo adora, mas pensa duas vezes antes de ir, ou melhor pensava!
Porque depois de longos anos de espera,  as auto-estradas mudaram e um túnel chamado Marão, leva-nos até lá em duas horas no máximo quando vamos de carro.
Uma região que obrigou muitos que são de lá a mudarem de país ou de cidades, em busca de outros horizontes. E por isso muitos brasileiros são descendentes de transmontanos, como eu.
E é aí que eu digo que o Verão vem para alegrar aquelas terras. Porque quem de lá saiu, volta. Nem que seja um bocadinho. E volta para sentir o ar tão bom de Trás-os-Montes.

O meu pai é de Sendim que fica lá no nordeste transmontano, onde o rio Douro separa Portugal  da Espanha.
É uma vila onde se fala o sendinês, um subdialeto do mirandês que é a segunda língua oficial de Portugal, que é falada em Miranda do Douro, o concelho ao qual pertence Sendim.


Sendim, como toda a vila transmontana é terra de tradições...


e é terra para quem gosta de trabalhar... a terra...


terra com paisagens encantadoras...


e o mês de Agosto vem e altera toda a rotina de Sendim...


É o  mês do famoso Festival Intercéltico, um festival de música folk que já vai na sua 17ª edição e que leva para a cidade muitos festivaleiros. Mas é também em Agosto que muitos sendineses que moram fora, voltam à sua terra, para desfrutar as férias.

Aproveitei para conhecer o novo túnel do Marão na auto-estrada A4, e fui matar as saudades de Sendim, num fim de semana onde muita coisa iria acontecer.

As noites de Sexta e Sábado (05 e 06/08) foram animadas pelos sons folks do Festival...








Mas... foram duas coisas que me atraíram muito mais do que os concertos. 
Uma, era a "Ruta de Ls Celtas" -  escreve-se assim mesmo em mirandês

E bem cedo fiz o meu pequeno almoço/café da manhã transmontano e segui para a Rota dos Celtas!

pequeno almoço transmontano é com pão (feito em casa) torrado, com azeite e mel, estes produzidos pela família também

Começa então uma caminhada de aproximadamente 12 kms,  ida e volta no Sábado pela manhã, saindo de Sendim e indo ao encontro das arribas do Douro. Sim! O rio que tanto me encanta aqui no Porto e  que muda de paisagem  quando é chamado de Douro Vinhateiro, mas que é  completamente selvagem no nordeste transmontano.
Uma vez caminheira... sempre caminheira...


porque é caminhando que se vê o melhor das paisagens!!

conhece o burro transmontano?






alguém não gosta de trabalhar aos Sábados?




o Outono vem aí...


e com ele, o vinho e o azeite..


Seis kms levou-nos, um grupo de 18 pessoas loucas por caminhadas, a um  cenário que é difícil descrever com palavras...  lá está o Douro! Escondido por entre os montes...


que de um lado são portugueses e de outro são espanhóis...



O Douro por ali é tão silencioso, é mesmo selvagem. Imponente, maravilhoso!
Ao olhar para ele, lembro das histórias que meu pai conta, que atravessava-o na sua juventude para ir às touradas em Espanha, logo ali em Fermoselle. Naquele altura, não havia Pokémons...


o meu amor por este rio é hereditário!
Depois destas vistas, ninguém se importou de voltar no calor que se fazia sentir já perto do meio dia...


os queridos patudos Dali e Mel também resistiram à forte e quente caminhada!

Em Trás-os-Montes os Pokemóns tem outras funções...


E outra coisa  que me atraiu naquele fim de semana  à Sendim foram os Pauliteiros!
No V Encontro Ibérico de Danças de Pauliteiros!


Eu adoro a Dança dos Pauliteiros, esta dança tão típica no Planalto Mirândes, mas que também pode ser vista no Norte da Espanha e sul da França.


Uma dança tão antiga que é difícil definir a sua origem e significado, de muitas versões uma delas diz que estamos diante de uma representação das danças guerreiras greco-romanas, onde as túnicas foram substituídas pelas saias, as armas pelos paus...




e os escudos foram substituídos pelos lenços ou por coletes típicos de Miranda...



diz a tradição que era uma dança que só podia ser dançada por homens solteiros... mas esta tradição foi deitada abaixo e as meninas de Sendim lá estavam à espera para entrar em ação!


assim como as espanholas de Segóvia...


Guerreiras, corajosas, sob um sol de quase 40 graus elas não fizeram por menos...

Pauliteiras de Sendim


Não há festa de Verão no planalto mirandês, que não tenha um grupo de Pauliteiros a animar.
A pequena praça central de Sendim, encheu para se encantar com esta dança de batalha, com movimentos precisos e com muito encanto.


à frente da Pensão da Gabriela onde come-se a melhor posta à mirandesa!

Aqui um rápido vídeo para quem ainda não viu esta dança tão tradicional...


Bons motivos para conhecer Trás-os-Montes no Verão. Mas o Outono e o Inverno transmontanos vem acompanhados de castanhas, azeites e fumeiros. Imperdível!

Porque o Porto encanta, e Trás-os-Montes também!

De carro pela A4 de autocarro/ônibus pela Rodonorte.

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