quarta-feira, 5 de março de 2014

"Romper os Sapatos" em mais um percurso com Histórias e ... Lendas.

Tive novamente o prazer de acompanhar mais um percurso "Romper os Sapatos" com o historiador Joel Cleto para conhecer mais das histórias e lendas da cidade do Porto.
A minha primeira experiência a romper os sapatos, em Janeiro, pode ser vista neste post : AQUI.

Na edição de Fevereiro,  as histórias e lendas começaram a ser contadas na Praça Gomes Teixeira, popularmente conhecida como a Praça dos Leões...



onde se encontra uma imponente fonte com leões alados que fazem parte da sua estrutura.
Esta fonte, instalada ali em 1885, foi muito importante para o abastecimento de água de toda aquela região.

Estamos em frente ao atual edifício da Reitoria da Universidade do Porto...


ali foi inicialmente construída uma capela em agradecimento à Nossa Senhora das Graças, evocada por Dona Mafalda, esposa do rei  D. Afonso Henriques, que segundo a lenda, a caminho de Guimarães em 1153, sofreram um acidente e a rainha, ia caindo com o seu cavalo por um precipício, quando pediu ajuda à santa. Sendo "salva" por ela, mandou construir então uma capela.
Em meados dos século XVII foi construído ao lado da capela o Colégio dos Órfãos.
No século XIX, devido à ascensão da burguesia mercantil na cidade, e para atender as suas necessidades, o Colégio e a Capela foram demolidos para dar lugar à Academia Politécnica do Porto.
E finalmente no século XX, com o surgimento da Universidade do Porto, está ali instalada até os dias de hoje, a Reitoria da Universidade do Porto.

Seguimos rompendo os sapatos até às oliveiras da Praça de Lisboa, bem em frente à Torre dos Clérigos.


Ali existiu de 1834 até 1952, o Mercado do Anjo, que teve este nome, porque segundo a mesma lenda da Nossa Senhora das Graças que foi evocada no acidente de D. Mafalda com o cavalo, o seu marido, o rei D. Afonso Henriques também suplicou ao S. Miguel, o Anjo, de quem era devoto, para salvar a sua esposa. Este também mandou edificar  uma capela ao seu protetor.

A próxima paragem para ouvir mais histórias e lendas do Joel Cleto, foi na Fonte da Porta do Olival...


por onde em tempos medievais passava  uma das Muralhas da cidade. E por onde temos acesso ao Porto tão típico da região da Vitória.


Que naqueles tempos medievais era conhecida por Judiaria, porque viviam ali os judeus, que se refugiavam das imposições do cristianismo. E onde inclusive existia uma Sinagoga. 
No século XV a imposição do Cristianismo chega a Portugal, e é ordenada a expulsão dos judeus e a construção do grandioso Mosteiro de São Bento, o que representou a vitória do cristianismo sobre o judaísmo. Por isto o nome daquela região passar a ser: Vitória.

Seguimos para o Jardim João Chagas, o conhecido Jardim da Cordoaria, local onde os cordoeiros que faziam cordas para os navios, podiam ali esticar as cordas para as trabalhar.



Um jardim que foi muito frequentado pela burguesia da cidade, e que tinha uma belíssima coleção de variadas espécies de plantas e flores. Até serem devastadas por um ciclone em Fevereiro de 1941.
Mas que ainda hoje, é um belo jardim, com esculturas, plantas, coreto, fonte e a passagem do elétrico...




E é ali que o Joel Cleto conta-nos a lenda de uma pobre árvore, que ficou conhecida como a árvore da forca, que levou este nome, mas que nunca ninguém lá foi enforcado. A árvore também já lá não existe.

Seguimos o caminho. Agora o destino é Massarelos, onde há muitas lendas e histórias a serem contadas...


mais precisamente, no Cais das Pedras ou Cais dos Insurretos. Quase dentro do rio Douro...


Massarelos é uma comunidade conhecida pela sua ligação à pesca, à navegação, aos homens do mar.
É ali que encontramos a Confraria das Almas dos Corpos Santos de Massarelos.
Ali em frente a esta inscrição no muro do Cais das Pedras, é que Joel Cleto conta-nos a lenda do que antigamente chamava-se o Cais dos Insurretos...



que seriam os revoltosos de Massarelos, uma vez que a Confraria Das Almas do Corpos Santos, detentora de dois grandes navios, chegou a entregá-los ao rei Filipe II, de Espanha, que desejava ter uma gigantesca Armada para invadir a Inglaterra e destronar a Rainha Isabel.
Os marinheiros de Massarelos, ao saberem disto deslocaram-se àquele cais para protestarem e fazer ali uma grande revolta, chegando inclusive a desertarem os navios para que os mesmo não fossem entregues ao rei. De nada adiantou... os navios foram, a Armada não conseguiu invadir a Inglaterra, e o rei ainda voltou a Massarelos, para batizar aquele cais de o Cais dos Insurretos.
O que deixou o povo daquela região cheio de orgulho.
Eu já mencionei no post anterior  do "Romper os Sapatos" que a gente do Porto, não gosta de se deixar vencer e tem muito orgulho disto. E que bem que lhes caiu o nome: Cais dos Insurretos.



Mas, as histórias e lendas agora são voltadas para a Igreja de Massarelos, que tem este belíssimo painel de azulejos que podemos avistar sempre que  passamos pelas margens do rio Douro, com as figuras do rei D. Afonso Henriques, grande homem da navegação, que teria nascido na cidade do Porto e também de São Pedro Gonçalves Telmo, o padroeiro dos homens do mar...


rompemos os sapatos para o interior da Igreja para sabermos mais sobre a lenda, de São Pedro Gonçalves Telmo, ou Santelmo.



Diz a lenda que em 1394, numa viagem de Londres para o Porto, um navio foi atingido por uma forte tempestade e ficou 3 dias e 3 noites desgovernado na região da Galiza. A uma certa altura, um dos marinheiros subiu no único mastro que ainda restava do navio e pediu ajuda e proteção a São Pedro Gonçalves Telmo, o protetor dos homens do mar.
Naquele mesmo instante, surgiu no céu, um fenomeno conhecido como a luz de Santelmo, uma espécie de clarão que acontece quando a tempestade chega ao fim.
E os marinheiros conseguiram terminar a sua viagem até o Porto.



Quando chegaram sãos e salvos ao Porto, decidiram ir à pé até Tui na Galiza, onde Santelmo está enterrado, em forma de agradecimento. E decidiram construir uma eremida em Massarelos, em homenagem a São Pedro Gonçalves Telmo. Que em vida, foi um importante pregador da Santíssima Trindade e seus milagres estavam todos relacionados com o mar e a navegação.

E foi ali que foi criada a Confraria da Almas dos Corpos Santos de Massarelos, que para além da devoção a Santelmo, tinha o objetivo de zelar pelas almas dos que naufragavam, assegurar o enterro de seus corpos, e ainda cuidar das suas viúvas e filhos.

Esta Confraria possuia navios que estariam envolvidos com negócios existentes no Brasil e nas Índias, o que gerava os recursos para as suas ações sociais e para a construção do que hoje é a belíssima Igreja de Massarelos.


Depois tivemos acesso à uma sala no interior da Igreja com uma belíssima coleção de arte sacra...






e também à Sala da Confraria da Alma dos Corpos Santos de Massarelos, onde estão guardados todos os documentos existentes da Confraria, e onde se encontra uma galeria de retratos dos seus vários benfeitores...





Uma estreita escada levou-nos ao alto da Igreja, de onde tivemos a possibilidade de apreciar uma bela vista a partir da sua nave...







E já a chegar quase ao fim de mais uma etapa de um percurso a "Romper os Sapatos", ficamos por ali a apreciar a beleza e os "segredos" da Igreja de Massarelos...




e a espera de mais caminhos a percorrer, descansamos os sapatos.


Porque o Porto é assim. Repleto de caminhos, histórias e lendas... que encantam!

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