domingo, 26 de janeiro de 2014

"Romper os Sapatos" : uma caminhada com histórias e lendas.

Desta vez o meu percurso para saber mais sobre o Porto, foi acompanhar o atelier "Romper os sapatos", que é organizado pelo arqueólogo e historiador Joel Cleto,  muito conhecido pelo seu dinamismo e envolvimento pela história e patrimonio da cidade do Porto e não só.
Com o tema "Lendas do Dragão e dos Tripeiros", e muitas outras histórias que envolviam o percurso que teve início na estátua de D. Pedro IV, na Praça da Liberdade...


até a estátua do Infante na Praça Infante Dom Henrique...


num perímetro por fora das Muralhas da cidade, imaginando-as como se elas ali estivessem. Entre a Igreja dos Congregados, a  Estação de São Bento, a Sé, as ruelas no caminho medieval: rua dos Pelames, Rua Escura, Rua de Pena Ventosa, da Bainharia e dos Mercadores.

maqueta da cidade do Porto ainda na época medieval com a presença das Muralhas  (foto tirada na Casa do Infante)

Vale a pena lembrar para quem está lendo a partir do Brasil, que  D. Pedro IV, homenageado na estátua da Praça da Liberdade, no Porto e  D. Pedro I que declarou a independência do Brasil, são a mesma pessoa. Assim como no Brasil, D. Pedro IV é uma figura muito importante na história de Portugal, nomeadamente do Porto.
Abdicou da coroa de Imperador no Brasil, para voltar a Portugal, ao saber que o seu irmão D. Miguel queria implantar em Portugal o sistema de poder realista e absolutista, travando com ele uma batalha que durou 1 ano conhecida como o Cerco do Porto. Neste período a cidade lutou e sofreu muito com D. Pedro que era a favor do regime liberal. 
Por isso D. Pedro e o Porto tem uma relação de gratidão mútua.
A estátua na Praça da Liberdade é uma das  homenagens a este homem...

que fez questão, que quando morresse o seu coração fosse entregue à cidade, como está retratado em um dos painéis laterais da estátua...



O coração de D. Pedro encontra-se hoje na Igreja da Lapa.
Há também no Porto, muitas obras construídas por D. Pedro em agradecimento à cidade, como a biblioteca Municipal, o Jardim de São Lázaro, o Museu de Soares Reis e outros. 

Depois de vencido o Cerco do Porto,  mandou colocar sobre o Brasão da cidade, a coroa ducal por ele instituída com a figura do Dragão, simbolizando o espírito guerreiro e invencível da cidade que D. Pedro chamou de "Cidade Invicta", a cidade que não se deixa vencer. 


Devo dizer que D. Pedro não poderia dar uma denominação tão forte e tão acertada a esta cidade. 
É mesmo invicta na alma, no sentimento.
E apesar do FC Porto estar muito associado à figura do Dragão, sendo inclusive este o nome do seu Estádio, este simbolo pertence sim, à cidade do Porto.
Depois desta primeira lenda ou história, o caminho segue ao lado da linha imaginária da Muralha que desce desde a Cordoaria e os Clérigos...



A próxima história é contada ali ao lado na Igreja dos Congregados (Santo António). E o que mais marcou foi o episódio contado por Joel Cleto sobre um petardo de um canhão lançado a partir da Serra do Pilar numa determinada revolução. Este atravessou o vitral da Igreja...



Chegando a perfurar um dos altares...



A beleza do lado exterior da Igreja dos Congregados é destacada pelos azulejos que evocam várias cenas da vida de Santo Antonio...



Azulejos estes de autoria do grande pintor Jorge Colaço, o autor dos belíssimos painéis da Estação de São Bento, o nosso próximo destino. Mas sem antes sabermos que ali onde está o edifício da estação existia o Convento de São Bento da Ave Maria, que só pode ser destruído para a construção da estação depois da morte da última monja que ali vivia. O que causou demasiado atraso na finalização da estação que é hoje uma das mais belas do mundo.



Com os seus painéis que retratam cenas importantes da história de Portugal e nomeadamente do Norte do país...





Seguimos "rompendo os sapatos"...


 e agora por ruelas tão históricas e tão... Porto!




apreciando todos os detalhes..







e a ouvir mais Histórias e Lendas...






Sim... o Caminho de Santiago é por aqui...



E o fim do percurso vai dar à estátua do Infante D. Henrique, também com o Brasão da cidade e o seu Dragão...



Mas desta vez... a lenda não é sobre Dragões mas sim sobre Tripeiros.
É verdade, dizem que quem é do Porto é tripeiro. Porque gosta de tripas. 
"Tripas à Moda do Porto", o prato típico da cidade surgiu há muito, muito tempo atrás, no início do século XV. A História remete-nos ao rei D. João I que com o objetivo de conquistar Ceuta manda os seus filhos prepararem embarcações para esta missão.
D. Infante esteve no Porto, no rio Douro, com a ajuda da cidade e de sua gente a construir e prepara estas embarcações.
Conta-nos Joel Cleto que a lenda começa a partir do momento em que toda a carne da cidade foi enviada para mantimento da frota, ficando na cidade apenas as miudezas dos animais... as tripas. E com criatividade, as pessoas passaram a preparar um prato com melhor aspecto e sabor e que passou então a ser muito apreciado.
E até hoje esta lenda é tão enraizada na cidade que  há muitos que dizem ser uma história verdadeira.
Novamente para quem está lendo do Brasil: as Tripas à Moda do Porto, são semelhantes à Dobradinha Brasileira. Mas há também pratos muito similares em outros países da Europa.

E entre tripeiros e dragões, sigo os meus caminhos por esta cidade...


cheia de histórias e de lendas que me fazem cada vez mais encantada.
Porque o Porto, as suas ruas e as suas histórias... encantam!




10 comentários:

  1. Os meus sinceros parabéns pela excelente "viagem" proporcionada através de uma competente simbiose de registos plenos de emoções e de iluminuras narrativas.

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  2. Muito obrigada António Maia! E até uma próxima "viagem"! :)

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  3. Não pude participar nesta etapa de "Romper os Sapatos" por motivos de saúde, pelo que agradeço o facto de me ter permitido "vivenciar" esta etapa graças à excelente reportagem com que nos brindou. Muito Obrigado.

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  4. Belas fotos e bela reportagem! Deve ter sido muito interessante, apesar do guia. Vou tentar ir na próxima ;) bj. Joel

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  5. Caro Joel,
    Muito obrigada! É apenas um forma de expressar como foi bom acompanhar este percurso.
    O guia? Ora, ora.... palavras prá que?
    Se não for na próxima, avise... não vai ninguém :)
    Um beijinho e obrigada mais uma vez! Rita

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