sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O Respeito pela Arquitetura no Porto. Parte II

Quem ainda não leu a Parte I do Respeito pela Arquitetura no Porto, vale a pena ler aqui, para entender mais sobre este projeto.
Esta Parte II, vai ser dedicada exclusivamente à obra nº 8 deste mapa que é o roteiro do "Respect for Architecture, Porto 2012":


A obra nº8  é a "Casa do Conto", uma obra que surpreendeu-me pela sua história e pela sua realidade.
A história é incrível, porque era uma casa burguesa do século  XIX  que foi restaurada para se transformar num hotel turismo de habitação e há 10 dias antes da sua abertura (já com reservas para sua ocupação), em Março de 2009,  foi vítima de um brutal incêndio e totalmente destruída.
E com muito empenho, trabalho e um novo projeto, a casa foi reconstruída literalmente e surgiu como a "Casa do Conto"...


E é assim com o conto em relevo nos tetos dos seis quarto/suites que a Casa do Conto arts & residence, recebe os hóspedes que queiram estar no centro do Porto e próximo da vida cultural da cidade, porque está próxima da Casa da Música e do Bairro das Artes.
E na realidade a Casa surpreendeu-me porque cada espaço é totalmente diferente do outro, há detalhes sutis por entre toda a predominância do betão, que fazem a diferença.
O trabalho de arquitetura ali feito, é digno de ser contemplado...


Os seis quartos são diferentes entre si, ora no conto descrito no teto, ora na vista ou nos detalhes...




E quando eu menciono os detalhes, refiro-me a por exemplo, aos azulejos nos tampos das mesas, na zona das refeições. São azulejos que eram da própria casa, lá no século XIX...



E de um salto para a modernidade, podemos ver o teto panorâmico do elevador...

foto tirada do interior do elevador

E da claraboia com este design incrível...


As arquitetas coordenadoras da obra, Alexandra Grande e Joana Couceiro, a descrevem assim:


“Foi 513, agora é para sempre.”
A primeira proposta de reconstrução pretendia recuperar a memória da casa burguesa do final do séc. XIX: os salões com grandes pés-direitos, os tectos de gesso temáticos, a escadaria central, um objecto escultórico em riga velha com as balaustradas em madeira torneada e bilros, ainda a solenidade dos estuques e marmoreados, das portadas e dos altos rodapés…
Cem anos passados, sem tocar no essencial, a casa, restaurada e adaptada cirurgicamente, abriria ao público como turismo de habitação.
Teve uma vida breve.
Hoje, depois do brutal incêndio que a impediu de viver essa vida, quisemos devolver-lhe o carácter e reconstruir uma versão essencial da sua história.
Especialmente no fosso de circulação, mas também nos tectos dos quartos e fachadas, o betão permitiu reinventar as antigas texturas, devolvendo à casa toda a carga dramática que a caracterizava.
É uma arquitectura fóssil, sólida como o betão e abre ao público com os mesmos sonhos.
Na porta do nº703 lê-se “foi 513” e será outra vez 703, com a mesma fachada e o mesmo batente de mão de ferro, que persiste em trazer à cidade as suas memórias.


E como eu fiz na publicação da Parte I, envio aqui o link para o vídeo deste projeto:


Mas fica  a sugestão para quem vem ao Porto ou mesmo para quem vive na cidade e tem interesse na área da arquitetura, conhecer uma obra que enche os olhos...


Porque vale a pena ver os detalhes, passar as mãos por aquelas paredes, pelos fios de couro da escada, ler as frases nos tetos, valorizar e respeitar... a arquitetura!


 Acompanhe em breve, outras obras deste tão interessante projeto "Respect for Architecture, Porto 2012".
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