sábado, 3 de fevereiro de 2018

Do Porto para... Bragança. No Festival do Butelo e das Casulas. Comidas com história.

Confesso que existem histórias que atingem em cheio o meu coração. Principalmente quando estas histórias levam-me ao nordeste transmontano, a terra do meu pai.
Trás-os-Montes é uma das regiões que mais nos faz entender a história e as gentes de Portugal.
Uma região que aprendeu a viver e sobreviver com os seus recursos, mesmos em tempos onde eles eram tão escassos.
Os transmontanos sabem dar valor às mínimas coisas. E acreditem, são pessoas de um coração forte e que ao mesmo tempo, derretem-se com as suas emoções.

A gastronomia transmontana é uma das melhores do país, principalmente quando falamos em temperaturas baixas, onde a comida é preparada muitas vezes nas brasas das lareiras e nos fumeiros.

Em trás-os.montes, aprendeu-se desde sempre a comer de tudo. Porque muitos vezes, não havia o que comer.

 | A História e a Geografia explicam-nos as causas das dificuldades sentidas pelos nossos antepassados para conseguirem dar de comer e dar de beber aos filhos, porque eles tinham fome, tinham sede, não tinham culpa de terem vindo ao Mundo. Precisavam de comer, só que inúmeras vezes apenas havia "Uma mão cheia de nada e outras de coisa nenhuma", frase da escritora Irene Lisboa | Do livro: Bragança Carta Gastronomica

Ouvindo as histórias de vida dos transmontanos entende-se perfeitamente que do quase nada, se preparou o Butelo... e as casulas.


Em tempos de fome, aproveitar quase tudo do porco era comum. O butelo é um fumeiro (defumado) envolvido pela bexiga ou pelo bucho, vem recheado pelos ossinhos do espinhaço e das costelinhas com carne agarrada. E posso garantir: é de um sabor único. 
Este enchido artesanal é servido com as cascas de feijão secas, conhecidas também por casulas.
É costume saboreá-lo no sábado de Carnaval em todo o distrito de Bragança, para aquecer e dar energia para quem vai à rua brincar.
É comida com história e exclusiva daquela região.

Por isso, pelo VI ano consecutivo Bragança organiza neste primeiro fim de semana de Fevereiro o Festival do Butelo e das Casulas, reunindo uma série de atividades à volta desta iguaria tão rústica e tão especial.
O objetivo é promover a região e a gastronomia transmontana, porque além da feira, workshops e muita animação, vários restaurantes de Bragança vão estar incluindo o butelo e as casulas no seu menu.

Eu já havia experimentado esta comida tão tradicional, na terra do meu pai, Sendim, Miranda do Douro. É diferente e é bom.
E por isso, foi um privilégio prová-lo novamente, desta vez, no Porto,  na ocasião da divulgação do Festival, pelo Município de Bragança, no belíssimo restaurante Oficina do chef Marco Gomes, também natural de Bragança.




 às nossas vistas, Marco Gomes vai comandando o preparo de 4 momentos surpreendentes.



No 1º Momento, o chef deu novas texturas ao Butelo e às casulas, no bom estilo "cozinha de autor"...


fantástico!

O 2º Momento, serviu para "limpar o palato" em grande...

taco de bacalhau, arroz do mesmo, batata doce e purê de tinta de choco com azeite em pó

No 3º Momento, voltamos ao Butelo e às casulas na sua versão tradicional e a preferida do chef Marco Gomes, segundo sua própria confissão...

tradição, história e sabores únicos
E o 4º Momento veio para fechar com chave de ouro...

pão de ló com gelado de queijo e frutos secos

Nestes primeiros dias de Fevereiro, os caminhos levam a Bragança para provar esta comida tão tradicional. 
Seja no Festival do Butelo e das Casulas ou no Sábado de Carnalval, vale a pena... viajar para comer.

Do Porto para Bragança. Porque a gastronomia transmontana... encanta!






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