domingo, 2 de julho de 2017

Do Porto para... Esmoriz. Conhecendo a arte da tanoaria.

Tanoaria?

Sim... é um dos ofícios mais importantes num país produtor de vinhos. A arte de fazer os barris, ou seja, os cascos em carvalho e castanho, que dão aos vinhos e outras bebidas que envelhecem nestas barricas, os elementos que vão valorizar ainda mais os seus aromas e sabores.



Muito próximo do Porto, em Esmoriz, tive o privilégio de conhecer uma das poucas empresas que ainda  produzem barris para envelhecimento e armazenamento dos melhores vinhos e whiskys do mundo...

programa inserido na minha visita à Ovar e região, organizado pelo Turismo de Ovar


Com o brilho nos olhos de quem é apaixonado pelo que faz, Filipe Ferreira conta a história da empresa fundada pelo seu avô José Ferreira, que confunde-se com a história da tanoaria em Esmoriz.

Esta pequena cidade localizada a apenas 20 kms de V.N. de Gaia (onde estão armazenados e a envelhecer os vinhos do Porto), já foi  considerada a capital da tanoaria, onde 40 empresas produziam milhares de barricas.


Muitas destas barricas, levavam o vinho para os soldados da guerra do Ultramar (nas antigas colónias portuguesas).
Com o fim da guerra, este mercado reduziu drasticamente e muitas foram obrigadas a fechar as suas portas.

A empresa da família do Filipe Ferreira, foi das poucas que resolveu continuar e usar da criatividade para se reinventar.
Por um período, no início dos anos 90, produziam meias-pipas, que eram utilizadas para decoração em países nórdicos que as preenchiam com flores que enfeitavam as ruas.
No fim dos anos 90 os escoceses precisavam de pipas para o whisky. 
A recuperação de pipas antigas também se tornou uma forte necessidade de mercado, e assim a Josafer ia se adaptando.
E o certo é que hoje exporta para mais de 30 países, dentre eles, França, Espanha e países do continente americano.

E quer saber o melhor? Esta empresa abre as suas portas para turistas ou quem queira conhecer a arte da tanoaria.
Em grupos de no mínimo 6 pessoas ao custo (atualizado em maio/17) que varia de 1 a 3,5 € por pessoa, é possível em 1 hora e meia acompanhar a produção ou a recuperação de barris que vão armazenar vinhos no mundo todo.

Há por ali uma atmosfera fantástica.  à volta das ferramenta se de todos aqueles cascos..






No exterior,´percorremos pilhas e mais pilhas de ripas de carvalho e dos castanheiros que ficam a secar durante 24 meses, antes de estarem prontas para a produção...


No interior dos armazéns, os tanoeiros (uma profissão quase em extinção) vão fazendo nascer o que vai armazenar e dar excelente qualidade aos vinhos e outras bebidas, de Portugal e de várias partes do mundo...



os tanoeiros nunca perdem a sua concentração





Este trabalho é uma...arte! 




Em outro espaço é possível acompanhar o trabalho de recuperação de barris, o que exige ainda mais força de braços! Um trabalho a admirar! 


Se vem ao Porto e quer conhecer um dos mais tradicionais e antigos ofícios da região, vai se encantar com a arte da tanoaria.
Fica a dica também para os amantes de vinho: ter o privilégio de ver fazer os cascos que tanto influenciam na qualidade dos vinhos portugueses.

Foi uma das coisas que aprendi como se faz em Portugal e que me deixou bastante emocionada. 
Um trabalho tão importante... feito aqui... ao lado do Porto.
Vale pena ir à Esmoriz  conhecer estes tanoeiros!

Para mais informações e marcações:




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