segunda-feira, 17 de abril de 2017

Do Porto para... Espinho. E a arte dos Violinos Capela.

Em Espinho, numa localidade chamada Anta, a partir de uma pequena oficina saem para o mundo, violinos feitos desde 1929.
É verdade, há quase 90 anos, são fabricados violinos de primeiríssima qualidade aqui bem ao lado do Porto, a apenas 20 kms.
Tive a honra de conhecer este santuário de violinos no mesmo dia em que o Turismo Criativo foi a palavra de ordem para três amigas e colegas de trabalho apaixonadas por este tipo de turismo. Já havíamos, eu, a Elena do blog Creativelena e a Sara do Oporto & Douro Moments, nos encantado pela arte de fazer a filigrana portuguesa (veja neste post: AQUI) e na segunda parte deste dia, fomos conhecer o fantástico trabalho do sr. António Capela e do seu filho Joaquim António Capela...


Trabalho iniciado pelo sr. Domingos Ferreira Capela (1904-1976), o pai do sr. António que ali naquele mesmo local onde nos encontravamos iniciou a sua própria oficina, onde começou a construir e reparar violinos, violas, violoncelos, arcos e outros instrumentos da mesma família de cordas.
o Sr. Domingos era, marceneiro, e a pedido de um músico italiano, Nicolino Milano, consertou um dos seus violinos  com tamanha perfeição, que o mesmo músico passou a lhe enviar todos os seus violinos para reparações.
Começa então uma trajetória  reconhecida inclusive com premios em concursos internacionais de construtores de violinos.
As homenagens póstumas também surgiram como por exemplo a formação do Quarteto Capela de Lisboa.

O filho, o Sr. António Capela, foi o único que seguiu os brilhantes passos do pai.
Aperfeiçoou os seus conhecimentos na construção de violinos na França e na Itália, e ganhou inúmeros prémios internacionais em várias partes da Europa, como Bélgica, Polónia, Bulgária, República Checa, Alemanha, Rússia, Espanha e Itália.

E portanto foi uma honra acompanhar estas mãos carregadas de sabedoria, para lá e para cá a nos mostrar como se faz um violino...









Prestes a completar 85 anos, o sr. Capela é um exemplo de vitalidade!
Com muitas histórias para contar!


Como alguém que vive a música no seu dia-a-dia, tudo que nos vai contando é rodeado de romantismo. Assim, ele nos explica que o violino tem...alma! E há que trabalhá-la também...



Impossível não se encantar com aquele lugar repleto de objetos que vão sair dali para o mundo e vão estar nas mãos de músicos. Alguns famosos, outros aprendizes. Vão ser tocados e vão levar música de qualidade a muitos ouvidos...




um violino demora 2 meses para ser construído. Daqui saem apenas 6 violinos num ano.
É arte feita à mão


Marcas do tempo!



E por falar em aprendizes, alguém chega para pedir uma reparação...

é a rotina de uma oficina tão especializada

O filho Joaquim, já continua com o mesmo ofício do pai. Desde os 13 anos, nas férias escolares, começou a aprender a construir violinos e aos 15 já concorria em concursos internacionais de violinos, ficando em 8º lugar na Itália, sendo o mais novo de todos os concorrentes. E a exemplo do pai, já correu o mundo  estudando em várias escolas de construtores de violinos, além de  participar e ganhar prémios em vários concursos, inclusive sendo primeiro lugar no Japão em 1989.

pai e filho
A minha curiosidade não tem fim. Quero saber tudo sobre aqueles instrumentos menores e com formatos diferentes. E com a maior boa disposição o sr. Capela vai nos mostrando a pochete, a viola de gamba e a viola do amor...




Antes de nos despedir, o sr. António Capela não poderia deixar de fechar o nosso dia com chave de ouro, ao abrir um cofre, de onde tirou, para nossa emoção, o primeiro violino construído pelo seu pai... lindo!!



E o violino que ele próprio construiu para a sua mulher... com muito amor e com detalhes belíssimos!



Instrumentos para perpetuar a história destas gerações de artistas!
Impossível não se encantar pelo sr. António e os Violinos Capela.

Na sua próxima viagem, experimente fazer turismo criativo. Não vá numa cidade só de passagem. Fique. Entre nos lugares, converse com os os locais, deixe a sua curiosidade falar mais alto. Aprenda a fazer algo típico da região. E tenha a certeza de que levará na suas recordações de viagem, marcas que ficarão muito mais fortes do que apenas uma fotografia em frente a um monumento.

Viagens e experiências que encantam!







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