domingo, 30 de abril de 2017

Os mais belos monumentos do Porto ao som do Festival In Spiritum 2017

O Festival In Spiritum está de volta ao Centro Histórico do Porto, e  como disse o seu diretor artístico, o maestro Cesário Costa, na sua apresentação,  este é um convite à descobrir ou redescobrir alguns dos principais monumentos da cidade através de um "roteiro musical e histórico"  onde serão apresentados através de vários e excelentes artistas, um repertório único e específico dedicado a cada espaço que vamos apreciar ao  longo de 4 dias, de 11 à 14 de Maio.

No dia 11 de Maio, o belíssimo Salão Árabe do Palácio da Bolsa, vai receber o concerto de música árabe  Os Poemas de Alhambra com Eduardo Paniagua, especialista em música espanhola medieval e El Arabi Ensemble de música andaluza.

O Salão Árabe do Palácio da Bolsa, cuja construção foi inspirada no Palácio de Alhambra em Granada, vai receber um concerto de música árabe

No dia 12 de Maio, o Festival In Spiritum continua mesmo ali ao lado do Palácio da Bolsa, na Igreja de São Francisco, um monumento que apresenta um dos mais belos trabalhos da arte da talha barroca em Portugal e que vai receber o  concerto de música barroca Fulgores do Barroco Português, através do Ludovice Ensemble, um grupo especializado na interpretação de Música Antiga, que existe desde 2004, sediado em Lisboa, e é formado por artistas de diversas parte do país e estrangeiros também.

música barroca para apreciarmos o melhor da arte da talha barroca portuguesa, na Igreja de São Francisco 
Ao fim da tarde do dia 13 de Maio, é a vez do Museu Nacional Soares dos Reis receber o Quarteto Rosário para o concerto Soares dos Reis e a música do seu tempo. Um grupo de jovens artistas que vão interpretar obras de compositores que viveram no mesmo período de Soares dos Reis.

na Galeria das Esculturas do Museu Soares dos Reis, vai-se ouvir um recital de música de câmara

No mesmo dia 13 de Maio, mais à noite é a vez de ir até à belíssima  Sé Catedral do Porto ouvir o concerto a dois órgãos Diálogos. O órgão do Evangelho vai ser tocado pelo músico Rui Paiva e o órgão da Epistola por António Esteireiro, um repertório que vai dar destaque às músicas da Península Ibérica.

um concerto a dois órgão e um conjunto de obras bastante variado  na imponente Sé Catedral

No dia 14 de Maio, ao meio-dia, o "roteiro musical e histórico" segue para o outro lado do rio Douro, nas caves do vinho do Porto, que também é um patrimonio português, onde o  Festival In Spiritum vai homenagear uma das mulheres marcantes da história do vinho do Porto, Dona Antonia Adelaide Ferreira.
Nas Caves Ferreira, Ana Maria Pinto e David Santos vão apresentar o recital de canto e piano A Ferreirinha e as compositoras do seu tempo.

por entre os barris e os tonéis de vinho do Porto, uma bela homenagem a uma mulher forte e marcante na história do vinho do Porto e às compositoras do seu tempo

E para encerrar esta viagem no tempo e nos espaços emblemáticos da cidade do Porto, a Igreja dos Clérigos vai receber o concerto de encerramento As Quatro Estações: Vivaldi/Piazzolla.
Pedro Meireles no violino e Gonçalo Pescada no acordeão vão estabelecer uma ligação entre o edificio idealizado pelo arquiteto italiano Nicolau Nasoni e a música do mesmo período do italiano Antonio Vivaldi, seguido da versão das mesmas quatro estações, na interpretação de Astor Piazzolla

o Ensemble do Festival, vai encerrar com música de compositor italiano, num monumento projetado por um arquiteto italiano. um gran finale.


Se vai estar no Porto entre os dias 11 e 14 de Maio/2017 não pode perder esta oportunidade de visitar estes espaços tão históricos da cidade acompanhado de uma belíssima viagem musical.

In Spitirum - Festival de Música do Porto
Facebook/inspiritum


Bilhetes on line: AQUI










sábado, 22 de abril de 2017

O valor da arquitetura do Porto. Uma visita guiada à Ordem dos Arquitetos (OASRN).

Se eu fosse uma pessoa com um  pouco de jeito para desenhos e estética... eu certamente seria uma arquiteta.
Gosto imenso deste trabalho e valorizo os profissionais desta área.
Sem esta habilidade, foi na comunicação social que dediquei e dedico toda a minha vida profissional. Mas  sempre fui uma grande admiradora dos trabalhos de arquitetura de todo o tipo e de todas as épocas.
No Porto, adoro andar calmamente pelas ruas observando cada pormenor das construções.
Uma cidade que apresenta quase todos os estilos arquitetonicos, merece ser admirada neste sentido.

Nos dias atuais, o trabalho que mais vem me chamando atenção são os de recuperação dos vários edifícios que estavam abandonados, nomeadamente na Baixa do Porto e que pouco a pouco vão sendo recuperados e tornando a cidade ainda mais charmosa.

Por isso, não perdi a oportunidade de fazer uma visita guiada à Ordem dos Arquitectos Secção Regional Norte (OASRN) 


A  sua nova sede na Rua Alvares Cabral, foi inaugurada a pouco mais de um ano.
Esta rua que tem um conjunto de edifícios classificados de Patrimonio de Interesse Público, justamente por apresentarem uma arquitetura muito particular de estilo neoclassico e que refletiam o estilo da época e dos proprietários que ali se instalaram.
É uma rua que surgiu no final do séc. XIX, onde antigamente existia a Quita da Boavista, de Santo Ovídio dos Figueirôas ou dos Pamplonas, e que foi demolida e loteada, dando lugar então à Rua Alvares Cabral que faz a ligação da Rua de Cedofeita com a Praça da República.




A sede da OASRN é um exemplo perfeito das melhores práticas de rebilitação.
Nada como ser um espaço de arqutitetos para arquitetos a mostrar para a cidade, o melhor do que se pode fazer, no sentido de recuperação, como neste caso de dois edifícios, sendo que um deles encontrava-se em estado de total degradação.

As duas casas, adquiridas para a instalação da sede da OASRN eram independentes, mas fundiram-se no projeto que apresentou 3 fases: a construção de uma parte nova que acaba por ligar os dois edifícios antigos, a reabilitação de um dos edifícios e a recontrução do tal edifício que apresentava um avançado estado de degradação.


Os dois edifícios antigos são interligados por uma construção moderna com corredores, escadas e instalações amplas e claras, onde se encontram auditório, e salas de trabalho e reuniões...





A  nova sede da OARSN, faz questão de ser um espaço aberto para a cidade onde qualquer pessoa pode usufruir da cafetaria e da livraria que fazem parte da área comum.

com o surgimento dos automóveis, este era o espaço utilizado pelos antigos proprietários das casas para estacionarem os seus carros.
O vice-presidente daquela instituição, o arquiteto Alexandre Ferreira, é quem nos conduziu nesta visita guiada, explicando sala por sala o trabalho minucioso realizado nos dois edifícios do séc. XIX.
Ele explica-nos com detalhes todas as fases de reabilitação e construção,  o que foi totalmente restaurado e o que por bem, teve que ser substituído...





riqueza de detalhes...




Em plena fase de reabilitação, a antiga proprietária de uma das casas, informa aos arquitetos que tem guardado com ela peças que pertenciam a algumas das salas e faziam parte da parede e que disponibilizava-as para serem novamente utilizadas...

o valor de um trabalho em madeira talhada guardado por muitos anos!

A sala da presidência da OASRN foi uma das que exigiu um trabalho de vários meses para a restauração do trabalho aplicado nas paredes e no teto...



Assim como os azulejos e todos os detalhes das fachadas...



A visita finaliza num espaço fundamental para o perfeito funcionamento daqueles edifícios enquanto espaços de trabalho...



É o que podemos chamar de bastidores, onde encontram-se todas as condutas para a perfeita funcionalidade a todos os níveis. Cabos de internet e telecomunicação, luz, ar condicionado e tudo o que é preciso para uma reabilitação funcionar dentro da lei.
Um trabalho de excelência a ser admirado e servir de exemplo.

A OASRN abre as suas portas para visitas guiadas gratuitas, uma vez por mês, com inscrições prévias, para no máximo de 30 pessoas.
Pode acompanhar as datas das visitas de cada mês aqui:

www.oasrn.org
www.facebook.com/oasrn/

Um trabalho de arquitetura de referência.
É o único patrimonio da Ordem dos Arquitetos no país todo.
Vale a visita!


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Do Porto para... Espinho. E a arte dos Violinos Capela.

Em Espinho, numa localidade chamada Anta, a partir de uma pequena oficina saem para o mundo, violinos feitos desde 1929.
É verdade, há quase 90 anos, são fabricados violinos de primeiríssima qualidade aqui bem ao lado do Porto, a apenas 20 kms.
Tive a honra de conhecer este santuário de violinos no mesmo dia em que o Turismo Criativo foi a palavra de ordem para três amigas e colegas de trabalho apaixonadas por este tipo de turismo. Já havíamos, eu, a Elena do blog Creativelena e a Sara do Oporto & Douro Moments, nos encantado pela arte de fazer a filigrana portuguesa (veja neste post: AQUI) e na segunda parte deste dia, fomos conhecer o fantástico trabalho do sr. António Capela e do seu filho Joaquim António Capela...


Trabalho iniciado pelo sr. Domingos Ferreira Capela (1904-1976), o pai do sr. António que ali naquele mesmo local onde nos encontravamos iniciou a sua própria oficina, onde começou a construir e reparar violinos, violas, violoncelos, arcos e outros instrumentos da mesma família de cordas.
o Sr. Domingos era, marceneiro, e a pedido de um músico italiano, Nicolino Milano, consertou um dos seus violinos  com tamanha perfeição, que o mesmo músico passou a lhe enviar todos os seus violinos para reparações.
Começa então uma trajetória  reconhecida inclusive com premios em concursos internacionais de construtores de violinos.
As homenagens póstumas também surgiram como por exemplo a formação do Quarteto Capela de Lisboa.

O filho, o Sr. António Capela, foi o único que seguiu os brilhantes passos do pai.
Aperfeiçoou os seus conhecimentos na construção de violinos na França e na Itália, e ganhou inúmeros prémios internacionais em várias partes da Europa, como Bélgica, Polónia, Bulgária, República Checa, Alemanha, Rússia, Espanha e Itália.

E portanto foi uma honra acompanhar estas mãos carregadas de sabedoria, para lá e para cá a nos mostrar como se faz um violino...









Prestes a completar 85 anos, o sr. Capela é um exemplo de vitalidade!
Com muitas histórias para contar!


Como alguém que vive a música no seu dia-a-dia, tudo que nos vai contando é rodeado de romantismo. Assim, ele nos explica que o violino tem...alma! E há que trabalhá-la também...



Impossível não se encantar com aquele lugar repleto de objetos que vão sair dali para o mundo e vão estar nas mãos de músicos. Alguns famosos, outros aprendizes. Vão ser tocados e vão levar música de qualidade a muitos ouvidos...




um violino demora 2 meses para ser construído. Daqui saem apenas 6 violinos num ano.
É arte feita à mão


Marcas do tempo!



E por falar em aprendizes, alguém chega para pedir uma reparação...

é a rotina de uma oficina tão especializada

O filho Joaquim, já continua com o mesmo ofício do pai. Desde os 13 anos, nas férias escolares, começou a aprender a construir violinos e aos 15 já concorria em concursos internacionais de violinos, ficando em 8º lugar na Itália, sendo o mais novo de todos os concorrentes. E a exemplo do pai, já correu o mundo  estudando em várias escolas de construtores de violinos, além de  participar e ganhar prémios em vários concursos, inclusive sendo primeiro lugar no Japão em 1989.

pai e filho
A minha curiosidade não tem fim. Quero saber tudo sobre aqueles instrumentos menores e com formatos diferentes. E com a maior boa disposição o sr. Capela vai nos mostrando a pochete, a viola de gamba e a viola do amor...




Antes de nos despedir, o sr. António Capela não poderia deixar de fechar o nosso dia com chave de ouro, ao abrir um cofre, de onde tirou, para nossa emoção, o primeiro violino construído pelo seu pai... lindo!!



E o violino que ele próprio construiu para a sua mulher... com muito amor e com detalhes belíssimos!



Instrumentos para perpetuar a história destas gerações de artistas!
Impossível não se encantar pelo sr. António e os Violinos Capela.

Na sua próxima viagem, experimente fazer turismo criativo. Não vá numa cidade só de passagem. Fique. Entre nos lugares, converse com os os locais, deixe a sua curiosidade falar mais alto. Aprenda a fazer algo típico da região. E tenha a certeza de que levará na suas recordações de viagem, marcas que ficarão muito mais fortes do que apenas uma fotografia em frente a um monumento.

Viagens e experiências que encantam!