quinta-feira, 28 de agosto de 2014

Descobrindo segredos no Parque de São Roque

Alguns parques do Porto estão fora do circuito turístico da cidade, mas merecem toda a nossa atenção. São imensas áreas verdes que na verdade faziam parte do jardim de Quintas instaladas em zonas chamadas rurais, por estarem situadas em regiões que antigamente eram consideradas mais afastadas do centro do Porto. 
A cidade cresceu, as Quintas deixaram de existir e estas áreas verdes foram abraçadas pela malha urbana e constituem uma série de parques que encontramos espalhados pelo Porto.
O Parque de Nova Sintra é um desses casos, escondido na região de Campanhã é uma autentica exposição de antigas fontes da cidade, além de possuir uma série de espécies de árvores e plantas a conhecer. Ver o post sobre este parque : AQUI.

Desta vez fui "explorar" o Parque de São Roque, também conhecido como a Quinta da Lameira.
Localizado muito próximo ao Estádio do Dragão, o Parque de São Roque é todo em patamares que vão do portão localizado numa zona mais alta, na Travessa das Antas...


até lá abaixo no portão de ferro forjado da Rua São Roque da Lameira...


Entre estes dois portões o que encontramos é um parque que apesar de apresentar um estado de conservação que poderia ser melhor, oferece uma agradável área verde para passeios, caminhadas ou apenas para quem quer descansar junto à natureza...





Dos patamares superiores é possível avistarmos a Igreja do Bonfim e o rio Douro...



Cheio de recantos o parque tem uma característica de jardim romântico, com esculturas e bancos em granito, uma capela...






 um lago com muitos patos e uma ponte muito charmosa...


alamedas, chafariz e muitas espécies de plantas...




recantos ideais para um piquenique à sombra...



No centro do parque a primeira grande surpresa... um labirinto perfeito! Daqueles que costumamos ver em filmes de outras épocas. Lindo!


Os miúdos adoram, mas eu também vi por lá muitos graúdos a se aventurarem e se perderem até conseguirem encontrar a saída...


Mas ao descer as escadas que vão dar ao portão da rua São Roque da Lameira é que me deparei com o que foi para mim uma grande surpresa. Uma casa apalaçada do fim do séc. XVIII que seria a casa daquela que foi uma grande quinta. A Quinta da Lameira.



Vim a saber que pertenceu à família  Calém, produtora de vinhos do Porto e que em 1979 foi adquirida pela Câmara Municipal do Porto, que transformou o jardim desta quinta no Parque de São Roque e que por uns tempos utilizou a casa como sede do Gabinete de Planeamento Urbanístico do Porto.
Infelizmente a casa hoje em dia não é utilizada e encontra-se em estado de degradação. Mas é impossível ficar indiferente à beleza daquela arquitetura. São detalhes lindos...


Fiquei quase uma hora a dar voltas na casa a admirar cada pormenor.
O trabalho do ferro forjado nas janelas...


o chão com tijoleira trabalhada na entrada principal... lindo!




Azulejos por toda a fachada da casa em vários estilos...


e num excelente estado de conservação estava o maravilhoso beiral, com telhões de faiança por toda a casa. Não cansei de admirar...






Eu não era a única por ali. Muitos que passeavam pelo parque pela primeira vez, também estavam como eu, com ar de admiração e ao mesmo tempo com um pouco de tristeza por ver um patrimonio daqueles tão abandonado...



Próximo da casa, ainda encontramos uma linda fonte também em ferro forjado...


um mirante com uma gruta embaixo...


e muitos outros recantos a descobrir...


Se você é um daqueles turistas exploradores, vale a pena conhecer. Por ali vai encontrar marcas de outros tempos e pode fazer um bom passeio por quase 4 hectares de área verde. É próximo da estação do metro Estádio do Dragão.

Se vive no Porto a sugestão é descobrir ou redescobrir o Parque de São Roque, assim como admirar um verdadeiro patrimonio que é a casa da Quinta da Lameira.
Penso que não vale a pena reclamar do seu estado de degradação. Quem sabe... partilhando este post, seja possível chegar a alguém que possa fazer alguma coisa por ela.
Porque o Porto merece ter mais este espaço encantador de volta!

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

As jóias e as outras coleções na Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio

Quando visito uma Casa-Museu, fico sempre a pensar como teria sido a vida daquela pessoa que deu o nome aquele lugar. Foi assim, quando visitei a Casa-Museu Guerra Junqueiro um grande colecionador das artes decorativas (ver o post a respeito: AQUI). E o mesmo aconteceu recentemente quando visitei a Casa-Museu Marta Ortigão Sampaio.


Portuense, nascida no fim do séc. XIX, numa família de artistas e intelectuais, foi casada com um grande industrial. 
Marta Ortigão Sampaio me parece ter sido uma mulher de refinado bom gosto.

Numa rua da Boavista sem o fervilhar dos turistas, quem passa por aqueles portões não imagina que aquele edifício de arquitetura moderna do séc XX, abriga uma Casa-Museu com uma série de objetos de arte e muito mais.






Marta Ortigão Sampaio, viveu numa Quinta em São Mamede Infesta, em Matosinhos. Teria mandado projetar este edifício que seria a sua nova casa. Entretanto, seu marido faleceu precocemente e por isso não chegou a ali morar, tendo passado o edifício para a Câmara Municipal do Porto, na condição de transformá-lo em Casa-Museu, onde seriam ali expostos suas coleções.

Obviamente não foi possível reconstituir rigorosamente os ambientes da Quinta onde viveu em Matosinhos, que também foi doada para ser construído no local um hospital infantil.
As divisões espaçosas da Quinta, onde estava todo o mobiliário, tinham dimensões diferentes deste edifício moderno na Boavista. Mas foi possível fazer uma adaptação dos móveis e peças, possibilitando-nos conhecer o que foi a sua coleção de mobiliário de diversas épocas, e muitas peças decorativas...





Todos os quadros assim como as esculturas ali expostos são de autoria de vários conhecidos artistas portugueses. Todos amigos do seu pai Vasco Ortigão Sampaio.

muitas peças de mobiliário de autor também...


Por todos os ambientes vamos admirando peças belíssimas de decoração e de serviços...





Duas salas da Casa-Museu são dedicadas exclusivamente à exposição dos quadros das suas duas tias maternas, Aurélia de Sousa e Sofia de Sousa, pintoras de referência no cenário artístico português,...




O gosto pela coleção também está representado nos seus objetos pessoais como os muitos chapéus e leques. Lindos! Vários modelos para várias ocasiões...





Mas é praticamente no fim da visita guiada pela atenciosa D. Manuela Oliveira que chegamos a  fantástica coleção de jóias de Marta Ortigão Sampaio.
Há uma quantidade imensa de peças feitas através de pedras preciosas importadas de Minas Gerais no Brasil, estando inclusive ali expostas para fins educativos, uma série de pedras no seu estado natural...


Estamos diante da maior coleção particular de jóias de Portugal. Que mulher de requinte teria sido Marta Ortigão Sampaio! 
Todos os tipos de jóias dos séculos XVIII a XX.

Aqui o belíssimas jóias feitas a partir de  diversas pedras preciosas...



Além das jóias com pedras, encontramos uma série de outras peças trabalhadas em outros materiais, principalmente o ouro, tão bem trabalhado, no Norte de Portugal por tantos ourives que fizeram história nesta arte da joalharia...



Detalhes incríveis...





No seu exterior, a Casa-Museu possui um jardim no estilo romântico que pode ser visitado livremente.
Conta a D. Manuel Oliveira, que é comum pessoas ali da região passarem algum tempo por ali a usufruir das sombras e da tranquilidade daquele lugar...



Quem aprecia mobiliário de época, pintura e escultura portuguesa e principalmente quer conhecer uma coleção fantástica de peças de joalharia, esta é uma sugestão imperdível.
Todas as visitas são guiadas, o que torna tudo ainda mais interessante.


Rua Nossa Senhora de Fátima, 291 Porto
Tl. +351 226 066 568
Bilhete: €2,20
Aos fins de semana entrada gratuita