quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

O Flea Market e a Antiga Fábrica de Tecidos da Areosa

Alguns mercados e feiras de fim de semana no Porto, levam-nos a conhecer lugares incríveis.
No último fim de semana o Mercado da Pulga, mais conhecido como Flea Market, invadiu as instalações da antiga Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa, onde hoje funciona o Parque Empresarial Hipercentro, e levou para lá a irreverência do famoso mercado dos usados...


Um enorme armazém, inúmeros produtos de segunda-mão e vintage e muita disposição para "explorar" boas oportunidades... é assim o Mercado da Pulga.


Como é habitual, no Flea Market, encontra-se por ali, tudo ou quase tudo!





No Flea Market, não dá para ir com pressa, são muitas coisas para ver e para recordar...


por isso, uma pausa para um bom lanchinho é fundamental, esta mesa estava um encanto...



Pausa também para admirar a beleza do edifício...


E foi isso que eu fiz. Andei  também do lado de fora a "explorar" o espaço para conhecer melhor aquele conjunto de armazéns fundados em 1907, e que foi uma das maiores empresas do país...




Incríveis detalhes da antiga arquitetura fabril...




Fiquei imaginando, aqueles imensos armazéns nos tempos que empregava mais de 2.500 pessoas... e encontrei no Blog: PORTO, DE AGOSTINHO REBELO DA COSTA AOS NOSSOS DIAS, de autoria de Maria Jose e Rui Cunha, uma foto daquela época...


E deste fantástico blog, que para quem não conhece, eu recomendo e muito, também consegui a seguinte informação:

Fábrica de Fiação e Tecidos da Areosa – Um dos principais sócios desta grande empresa foi Manuel Pinto de Azevedo, proprietário do jornal O Primeiro de Janeiro. Foi fundada em 1907 e por aquele comprada em 1920. Uma das maiores empresas do país. Tinha uma política social muito avançada no tempo, com creches, refeitórios e casas para trabalhadores necessitados, alugadas a preços simbólicos.

Tempos bons para recordar.
E uma excelente oportunidade de viajar no tempo, com os objetos vintage do Flea Market e os armazéns daquela antiga fábrica, tão importante na história industrial da cidade.


Porque o Porto é assim... feiras e mercados que nos levam a  lugares fantásticos!

Flea Market Porto: www.facebook.com/fleamarket.porto
Blog: PORTO DE AGOSTINHO REBELO DA COSTA AOS NOSSOS DIAS: http://portoarc.blogspot.pt/

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Um Porto do bem!

Quando fui assistir a cerimonia de encerramento das comemorações do 25º Aniversário da Obra Social Nossa Senhora da Boa Viagem, (ver o post AQUI) fiquei encantada com aquelas pessoas envolvidas neste projeto iniciado pelo Sr. Domingos Gomes voltado a pensar no bem estar dos idosos carentes, nomeadamente da zona de Massarelos.
Fiquei curiosa em conhecer a Instituição e fui convidada pela Celeste Gomes, a filha do Sr. Domingos que hoje está a frente daquela casa para conhecer como é o dia-a-dia da Obra Social Nossa Senhora da Boa Viagem.


Conforme, o prometido, a primeira coisa que a Celeste, sabendo que eu sou uma apaixonada pelo Porto, fez, foi levar-me para o terraço de onde temos uma vista fantástica para o rio Douro...



 voltada para a Ponte da Arrábida, para a Igreja de Massarelos...



e para os jardins do Museu Romântico e da Casa Tait...


Conheci ali uma Instituição totalmente voltada para o bem estar dos idosos que por ali passam tanto no Centro de Dia e de Convívio, no Centro de Acolhimento, onde ficam internados para receber tratamentos continuados, e também aos que são atendidos em suas próprias casas.
Sente-se por ali, a vontade constante de dar continuidade ao que o Sr. Domingos Gomes, sempre quis.
Por isso, parecem todos de uma só família. Os idosos, os funcionários e os responsáveis pela Instituição.
Depois do almoço dos idosos, todos os que ali trabalham almoçam também, e tive o prazer de acompanhá-los...






Depois, por entre conversas muito emocionantes com a Celeste Gomes, conhecendo ainda mais a dedicação por aqueles idosos, conheci mais algumas das instalações, quase todas elas com vista para o rio...




Aqui, uma bonita e pequena capela com a imagem da Nossa Senhora da Boa Viagem.
Um local, que indiferente da crença religiosa de cada um, é usado para momentos de reflexão...




Há uma preocupação constante para que o ambiente dos quartos, seja o mais próximo dos seus próprios quartos, das suas próprias casas... com boas lembranças...




Achei por bem preservar a privacidade dos idosos que ali estavam, entretidos nas suas atividades ou tratamentos...



Mas escolhi para representá-los, a Dona Cândida "Jornaleira", uma senhora que lá passa o dia, e que tem uma história incrível! 
Ficou viúva muito cedo e criou os seus quatro filhos sozinhos, vendendo jornais (na época, o Jornal de Notícias).
Saía todos os dias de casa às 4 horas da manhã para buscar os jornais na distribuição, para depois vendê-los no elétrico e  na região de Massarelos. E assim o fez por muitos e muitos anos.
É uma pessoa muito querida por todos daquela Instituição...



E a linda história de amor, deste casal...
ela vive lá no Centro de Acolhimento, e ele vai todos, todos os dias sem exceção visitá-la e passar as tardes com ela. E a beija, como um eterno namorado...


ela, já não lembra quem ele é... mas ele sabe muito bem quem ela é. 



Emoções fortes que vão ficar para sempre na minha lembrança. 
E o respeito pelo outro, até os últimos instantes das suas vidas.

E mais uma vez sou grata, por conhecer nesta cidade, pessoas tão generosas e com valores tão importantes.
Saber que tudo vale a pena, se a alma não é pequena!






domingo, 26 de janeiro de 2014

"Romper os Sapatos" : uma caminhada com histórias e lendas.

Desta vez o meu percurso para saber mais sobre o Porto, foi acompanhar o atelier "Romper os sapatos", que é organizado pelo arqueólogo e historiador Joel Cleto,  muito conhecido pelo seu dinamismo e envolvimento pela história e patrimonio da cidade do Porto e não só.
Com o tema "Lendas do Dragão e dos Tripeiros", e muitas outras histórias que envolviam o percurso que teve início na estátua de D. Pedro IV, na Praça da Liberdade...


até a estátua do Infante na Praça Infante Dom Henrique...


num perímetro por fora das Muralhas da cidade, imaginando-as como se elas ali estivessem. Entre a Igreja dos Congregados, a  Estação de São Bento, a Sé, as ruelas no caminho medieval: rua dos Pelames, Rua Escura, Rua de Pena Ventosa, da Bainharia e dos Mercadores.

maqueta da cidade do Porto ainda na época medieval com a presença das Muralhas  (foto tirada na Casa do Infante)

Vale a pena lembrar para quem está lendo a partir do Brasil, que  D. Pedro IV, homenageado na estátua da Praça da Liberdade, no Porto e  D. Pedro I que declarou a independência do Brasil, são a mesma pessoa. Assim como no Brasil, D. Pedro IV é uma figura muito importante na história de Portugal, nomeadamente do Porto.
Abdicou da coroa de Imperador no Brasil, para voltar a Portugal, ao saber que o seu irmão D. Miguel queria implantar em Portugal o sistema de poder realista e absolutista, travando com ele uma batalha que durou 1 ano conhecida como o Cerco do Porto. Neste período a cidade lutou e sofreu muito com D. Pedro que era a favor do regime liberal. 
Por isso D. Pedro e o Porto tem uma relação de gratidão mútua.
A estátua na Praça da Liberdade é uma das  homenagens a este homem...

que fez questão, que quando morresse o seu coração fosse entregue à cidade, como está retratado em um dos painéis laterais da estátua...



O coração de D. Pedro encontra-se hoje na Igreja da Lapa.
Há também no Porto, muitas obras construídas por D. Pedro em agradecimento à cidade, como a biblioteca Municipal, o Jardim de São Lázaro, o Museu de Soares Reis e outros. 

Depois de vencido o Cerco do Porto,  mandou colocar sobre o Brasão da cidade, a coroa ducal por ele instituída com a figura do Dragão, simbolizando o espírito guerreiro e invencível da cidade que D. Pedro chamou de "Cidade Invicta", a cidade que não se deixa vencer. 


Devo dizer que D. Pedro não poderia dar uma denominação tão forte e tão acertada a esta cidade. 
É mesmo invicta na alma, no sentimento.
E apesar do FC Porto estar muito associado à figura do Dragão, sendo inclusive este o nome do seu Estádio, este simbolo pertence sim, à cidade do Porto.
Depois desta primeira lenda ou história, o caminho segue ao lado da linha imaginária da Muralha que desce desde a Cordoaria e os Clérigos...



A próxima história é contada ali ao lado na Igreja dos Congregados (Santo António). E o que mais marcou foi o episódio contado por Joel Cleto sobre um petardo de um canhão lançado a partir da Serra do Pilar numa determinada revolução. Este atravessou o vitral da Igreja...



Chegando a perfurar um dos altares...



A beleza do lado exterior da Igreja dos Congregados é destacada pelos azulejos que evocam várias cenas da vida de Santo Antonio...



Azulejos estes de autoria do grande pintor Jorge Colaço, o autor dos belíssimos painéis da Estação de São Bento, o nosso próximo destino. Mas sem antes sabermos que ali onde está o edifício da estação existia o Convento de São Bento da Ave Maria, que só pode ser destruído para a construção da estação depois da morte da última monja que ali vivia. O que causou demasiado atraso na finalização da estação que é hoje uma das mais belas do mundo.



Com os seus painéis que retratam cenas importantes da história de Portugal e nomeadamente do Norte do país...





Seguimos "rompendo os sapatos"...


 e agora por ruelas tão históricas e tão... Porto!




apreciando todos os detalhes..







e a ouvir mais Histórias e Lendas...






Sim... o Caminho de Santiago é por aqui...



E o fim do percurso vai dar à estátua do Infante D. Henrique, também com o Brasão da cidade e o seu Dragão...



Mas desta vez... a lenda não é sobre Dragões mas sim sobre Tripeiros.
É verdade, dizem que quem é do Porto é tripeiro. Porque gosta de tripas. 
"Tripas à Moda do Porto", o prato típico da cidade surgiu há muito, muito tempo atrás, no início do século XV. A História remete-nos ao rei D. João I que com o objetivo de conquistar Ceuta manda os seus filhos prepararem embarcações para esta missão.
D. Infante esteve no Porto, no rio Douro, com a ajuda da cidade e de sua gente a construir e prepara estas embarcações.
Conta-nos Joel Cleto que a lenda começa a partir do momento em que toda a carne da cidade foi enviada para mantimento da frota, ficando na cidade apenas as miudezas dos animais... as tripas. E com criatividade, as pessoas passaram a preparar um prato com melhor aspecto e sabor e que passou então a ser muito apreciado.
E até hoje esta lenda é tão enraizada na cidade que  há muitos que dizem ser uma história verdadeira.
Novamente para quem está lendo do Brasil: as Tripas à Moda do Porto, são semelhantes à Dobradinha Brasileira. Mas há também pratos muito similares em outros países da Europa.

E entre tripeiros e dragões, sigo os meus caminhos por esta cidade...


cheia de histórias e de lendas que me fazem cada vez mais encantada.
Porque o Porto, as suas ruas e as suas histórias... encantam!