quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Li e gostei ... porque o Porto transpira criatividade.


Uma das coisas que mais me impressiona no Porto, é a capacidade que os jovens criativos tem de transcender as barreiras para entrarem no mercado de trabalho.
Usam a criatividade e a coragem da idade para criar os seus próprios negócios, e de conquistar espaços, sem ficarem a espera que os espaços venham até eles. Por isso faço questão de sempre divulgar por aqui, os trabalhos, os eventos, enfim as suas diversas iniciativas.
Li este artigo no Meios & Publicidade, escrito por João Vasconcelos, diretor do Canal 180, e achei muito interessante. Alguns destes projetos eu já conhecia, outros passei a conhecer aqui, e por isso acho que vale dividir com os meus leitores. Porque o Porto e os seus criativos encantam:


Cinco projectos do Porto a ter em conta

28 de Agosto de 2012 às 01:00:00, por Meios & Publicidade

João Vasconcelos, director do Canal 180
Artigo de opinião de João Vasconcelos, director do Canal 180
Quando me pediram para escolher 5 projectos de indústrias criativas apercebi-me que uma das coisas que me deu mais prazer nos últimos três anos a viver no Porto foi a oportunidade de conhecer pessoas novas cheias de talento que emergiram de um contexto criativo fundamentalmente diferente.
No Porto não existe um mercado de design e publicidade. Quem estuda artes, comunicação ou marketing raramente tem no horizonte o objectivo de procurar emprego numa agência. A produção criativa comercial é algo longínquo, desconhecido, quase exótico, que acontece por sorte ou acaso. Num sábado à noite é mais provável conhecer um arquitecto a trabalhar numa ilustração para a revista New Yorker ou a organizar uma conferencia internacional, do que encontrar um publicitário a conversar sobre grandes campanhas. Ir até Barcelona ou Londres é mais rápido e barato do que ir a Lisboa. Essa vivência sente-se nas pessoas, nas ruas, no comércio. Por outro lado, um dos problemas essenciais do mundo da comunicação comercial nos últimos anos foi ter perdido capacidade de surpreender e procurar novas histórias; num momento em que a produção criativa, artística e cultural, da música ao cinema, cresceu de forma exponencial. Para recuperar esse papel relevante na vida das pessoas, as marcas estão a alargar o território criativo onde actuam e precisam mais do que nunca de novas abordagens para explorar e inovar nas artes media.
Estes cinco projectos sediados no Porto são liderados por criativos que considero de topo em cada uma das suas áreas. Escolhi intencionalmente projectos distintos, todos eles já com histórias de sucesso e elevado potencial de crescimento, mas ainda relativamente afastados do nosso mercado local da indústria de comunicação.
Like Architects
Formados na Faculdade de Arquitectura da Universidade do Porto, o colectivo formado pelo Diogo Aguiar, Teresa Otto e João Jesus, à primeira vista parece ter escolhido um caminho muito diferente da escola Siza/Souto Moura. No seu trabalho não encontramos os projectos habituais de arquitectura mas está lá essa capacidade rara de conciliar razão e emoção, simplicidade e espectacularidade. São três mentes brilhantes que se dedicam a criar estruturas espectaculares a partir de materiais do dia-a-dia, por exemplo dispensadores de sacos da Ikea ou grades de cerveja Super Bock. Desenvolvem objectos efémeros de intervenção urbana, combinando princípios base da arquitectura com experiências mais radicais no processo de construção. Na sua abordagem conceptual procuram sempre transmitir uma mensagem, levantar uma questão, por isso quando olho para as obras deles, que nunca se repetem, mesmo que lhes peçam, penso no potencial que têm para grandes marcas de todo o mundo.
Jump Willy
Estúdio de animação 3D e composição musical, foi mais fácil trabalhar clientes como a BMW de Dusseldorf, Axe dos EUA, Lidl da Suécia do que chegar a clientes nacionais. O João Seabra, que foi considerado um dos top 20 criativos europeus, é ao mesmo tempo uma das pessoas mais disciplinadas e organizadas que conheço. Podia trabalhar em qualquer parte do mundo, nos mega estúdios de produção, mas depois de viver em Londres decidiu regressar ao Porto e criar a sua própria empresa. Já o Pedro Marques, também sócio fundador da Jump Willy, dificilmente se consegue encontrar em Portugal. Génio da composição, passa a vida a saltar de cidade em cidade, Estocolmo, Berlim, Tóquio, e, ultimamente, Los Angeles. Compõe bandas sonoras originais de longas metragens, música para spots de 30 segundos, universos sonoros para vídeo jogos, ao mesmo tempo é convidado para projectos experimentais como redesenhar todos os sons de um automóvel Mini.
Bicho Sete Cabeças
As tradições populares têm grande importância social e elevado potencial económico para um país como Portugal. É por isso que autarquias e regiões de turismo têm apostado na amplificação de festas e eventos, para tornar as suas regiões mais atractivas. Quando chegam às questões de comunicação, as soluções habituais do design normalmente não servem porque é muito difícil reinventar algo que é de todos e não é de ninguém. Perante este desafio a designer Madalena Martins, inteligentemente utilizou o humor como ponto de partida para repensar a imagem e introduzir uma nova figura tradicional nas festas de Ponte de Lima. A Maria de Ponte existe em barro, em guarda chuvas de chocolate, lançando todos os anos novidades. Recentemente criou a extensão da Maria de Guimarães e todo o merchandising pode ser comprado na Capital Europeia da Cultura. A Bicho de Sete Cabeças encontrou na cultura popular uma fonte de inspiração para “reinterpretar emoções e devolvê-las em forma de objectos de design”.
Ana Aragão e Vasco Mourão
Não são um colectivo, não são uma empresa, são dois ilustradores independentes que têm em comum a formação em arquitectura e uma capacidade fora do comum de construir universos fantásticos através do desenho. Descobriram essa vocação e agora não conseguem viver sem desenhar. Usam o seu traço original para dar vida a instalações, espaços ou eventos. O Vasco fez uma maratona de 23 dias, utilizou 122 canetas, 100 metros de superfície para decorar um hotel em Barcelona, a Ana terminou mais uma obra para a inauguração de um restaurante na baixa do Porto. A imaginação e traço original do Vasco chamaram a atenção dos editores da New Yorker e agora são os desenhos do português que ilustram algumas das histórias da reputada revista norte-americana.
Festival Get Set
Não é mais um festival de música. E ainda bem que o Luís Fernandes e o Luís Sousa decidiram fazer uma coisa radicalmente diferente. Já vão a caminho da terceira edição do Get Set, uma mostra de criadores de múltiplas nacionalidades e de diferentes áreas como a arquitectura, design, vídeo, moda, novos media, multimédia, música, interactividade, performance e instalação. O objectivo é aproximar do grande público, trabalho nas áreas mais inovadoras da criatividade. Na rede do Get Set estão festivais como o OFFF Barcelona, SUDALA Santiago Chile, RESSONANCE Belgrado, NOVA® São Paulo, mas a competências desta organização aliada à vibração criativa que lá se vive, também já colocaram o Get Set no radar internacional da criatividade.

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